Notas de Evidentia #3 – Junho 2018

Será que uma dieta mediterrânica (azeite virgem extra e nozes) diminui a ocorrência de doença cardiovascular?

Estruch, Ramón, et al. «Primary Prevention of Cardiovascular Disease with a Mediterranean Diet Supplemented with Extra-Virgin Olive Oil or Nuts». New England Journal of Medicine, vol. 378, n. 25, Junho de 2018, p. e34. Crossref, doi:10.1056/NEJMoa1800389 – ligação aqui

O que fizeram: ECA multicêntrico realizado em Espanha que incluiu 7447 participantes (entre os 55 a 80 anos de idade, 57% mulheres) com risco cardiovascular alto, mas sem doença no início do estudo. Os participantes foram aleatorizados a uma de três: dieta mediterrânica suplementada com azeite virgem extra; dieta mediterrânica suplementada com nozes ou uma dieta controlo (aconselhamento em reduzir o teor de gordura). Os participantes receberam sessões educacionais trimestrais e, dependendo do grupo, receberam azeite virgem-extra, nozes ou pequenos presentes de produtos não alimentares. Os outcomes primários medidos foram: enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte por causas cardiovasculares.

O que concluem: a incidência de eventos cardiovasculares foi menor entre as pessoas com alto risco cardiovascular aleatorizadas para o grupo de dieta mediterrânea suplementada com azeite virgem-extra ou nozes do que entre aqueles designados para uma dieta controlo (aconselhados a reduzir o teor de gordura).

Notas: houve 96 eventos no grupo com dieta mediterrânea com azeite virgem-extra (3,8%), 83 eventos no grupo designado para uma dieta mediterrânea com nozes (3,4%) e 109 no grupo controlo (4,4%). Na análise por intenção de tratar incluindo todos os participantes e ajustando as características iniciais, a taxa de risco foi 0,69 (95% IC, 0,53 a 0,91) para uma dieta mediterrânea com azeite virgem-extra e 0,72 (95% IC, 0,54 a 0,95) para uma dieta mediterrânea com nozes, em comparação com a dieta controlo. Os resultados foram semelhantes aos obtidos sem os dados de 1588 participantes que não seguiram o protocolo.

 

Será que a prática de pilates tem benefício na gestão da lombalgia crónica?

Cruz-Díaz, David, et al. «The Effectiveness of 12 Weeks of Pilates Intervention on Disability, Pain and Kinesiophobia in Patients with Chronic Low Back Pain: A Randomized Controlled Trial». Clinical Rehabilitation, Abril de 2018, doi:10.1177/0269215518768393 –  ligação aqui

O que fizeram: ECA com 64 pessoas com lombalgia crónica inespecífica para avaliar a eficácia de 12 semanas de prática de pilates em comparação com informação escrita sobre a patologia, nos resultados de incapacidade, dor e cinesiofobia. Estes resultados foram avaliados respetivamente com a utilização do questionário Roland Morris Disability, escala visual analógica e Tampa Scale of Kinesiophobia. As medições foram realizadas no início do estudo, às 6 e 12 semanas após a conclusão do estudo.

O que concluem: A intervenção do Pilates em pessoas com dor lombar crónica não específica foi  eficaz no controle da incapacidade, dor e cinesiofobia.

Notas: O grupo que recebeu a intervenção com Pilates revelou melhores resultados: as principais mudanças na incapacidade e cinesiofobia foram observadas em 6 semanas de intervenção, sem diferença significativa após 12 semanas (P <0,001). As alterações médias do grupo de intervenção em comparação com o grupo controle foram de 4,00 no Questionário de Incapacidade de Roland Morris e 5,50 na Escala de Tampa de Cinesiofobia. A dor melhorou às 6 semanas, mas com uma melhoria ligeira às 12 semanas, com valores da Escala Visual Analógica de 2,40 (P <0,001).

 

Será que o electrocardiograma tem utilidade como rastreio de doença cardiovascular?

Curry, Susan J., et al. «Screening for Cardiovascular Disease Risk With Electrocardiography: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement». JAMA, vol. 319, n. 22, Junho de 2018, pp. 2308–14. jamanetwork.com, doi:10.1001/jama.2018.6848.- ligação aqui

O que fizeram: a USPSTF reviu as evidências sobre se o rastreio com ECG em repouso ou exercício melhora os resultados de saúde em comparação com o uso da avaliação tradicional de risco para doença cardiovascular em adultos assintomáticos.

O que concluem: A USPSTF recomenda contra o rastreio com ECG em repouso ou exercício para prevenção de doença cardiovascular em adultos assintomáticos com baixo risco de eventos cardiovasculares. (Recomendação D) A USPSTF conclui que as evidências atuais são insuficientes para avaliar o balanço de benefícios e danos do rastreio com ECG de repouso ou de exercício para prevenção de doença cardiovascular em adultos assintomáticos com risco intermédio ou alto de eventos de DCV.

Notas: Para adultos assintomáticos com baixo risco de eventos cardiovasculares (indivíduos com um risco de evento cardiovascular de 10 anos menor que 10%), é muito improvável que as informações do ECG em repouso ou de exercício (além daquelas obtidas com fatores de risco CV convencionais) resultem numa mudança na categoria de risco do paciente, avaliada pela escalas de pontuação de Risco de Framingham, que levaria a uma mudança no tratamento ou os resultados de saúde. Por outro lado existem potenciais perigos associados ao rastreio com ECG de repouso ou de exercício, especificamente os potenciais efeitos adversos de testes invasivos subsequentes. Para adultos assintomáticos com risco intermédio ou alto não há suficiente evidência para determinar até que ponto as informações do ECG em repouso ou de exercício complementam os modelos atuais de avaliação de risco de DCV e se as informações do ECG resultam numa mudança na gestão do risco e muito menos se reduz eventos CV. Assim como ocorre com adultos de baixo risco, possíveis danos estão associados ao rastreio com ECG de repouso ou de exercício em adultos assintomáticos com risco intermédio ou alto de eventos cardiovasculares.

 

Perda de acuidade auditiva, norma de orientação clínica

Hearing Loss in Adults: Assessment and Management | Guidance and Guidelines | NICE. ligação aqui

O que fizeram: Norma de orientação clínica

O que concluem: foram elaboradas recomendações sobre vários tópicos, entre os quais: a remoção de cerumen do ouvido, a avaliação e encaminhamento em situações de perda auditiva súbita ou com sinais ou sintomas adicionais específicos e a abordagem de perda auditiva em adultos com suspeita ou diagnóstico de demência, défice cognitivo ligeiro ou dificuldades de aprendizagem.

Notas: Destacamos:

  • Para adultos que se apresentam pela primeira vez com dificuldades de audição, ou em quem você suspeita de dificuldades de audição: primeiro excluir cerumen impactado ou infecções agudas, como otite externa e só depois pedir uma avaliação audiológica
  • Recomendações sobre como remover cerumens, com destaque para a recomendação contra o uso de cotonetes pelo risto de complicações.
  • A NOC é bastante pragmática e vale a pena a leitura.
  • Usada a metodologia GRADE

 

Qual a associação entre o uso de metformina em pessoas com diabetes e o risco de acidose láctica?

Lazarus, Benjamin, et al. «Association of Metformin Use With Risk of Lactic Acidosis Across the Range of Kidney Function: A Community-Based Cohort Study». JAMA Internal Medicine, vol. 178, n. 7, Julho de 2018, pp. 903–10. jamanetwork.com, doi:10.1001/jamainternmed.2018.0292 –  ligação aqui

O que fizeram: os autores procuraram quantificar a associação entre o uso de metformina e a ocorrência de hospitalização devido a acidose, em função da estimativa da taxa de filtração glomerular (TFG) em pessoas com diabetes mellitus (DM). Foi estudada uma coorte de 75413 pessoas com DM na comunidade no Geisinger Health System, entre 2004 e 2017. Os resultados foram replicados em 67578 novos usuários de metformina e 14439 novos usuários de sulfonilureias de 2010 a 2015 provenientes de sistemas de saúde privados dos EUA.

O que concluem: em ambas as coortes retrospectivas de pessoas com DM o uso de metformina foi associado a acidose apenas para valores de TFG inferiores a 30 mL/min/1,73 m2. Os resultados apoiam o uso cauteloso de metformina em pessoas com DM e TFG de pelo menos 30 mL/min/1,73 m2.

Notas: Na coorte primária (n=75413), a média de idade dos doentes foi de 60,4 anos e 51% eram do sexo feminino. Houve 2335 hospitalizações com acidose durante um acompanhamento médio de 5,7 anos. O uso de metformina foi associado a um aumento do risco de acidose se a TFG fosse menor que 30 mL/min/1,73 m2 (HR ajustado, 2,07; 95% IC, 1,33-3,22). Os resultados foram consistentes quando: 1. novos doentes medicados com metformina foram comparados com novos doentes medicados com sulfonilureias; 2. quando os dados foram emparelhados por propensity score; 3. quando os usuários de insulina basal foram excluídos e 4. na coorte de replicação.

 

Incidentalomas em exames imagiológicos, qual a prevalência e consequências?

O’Sullivan, Jack W., et al. «Prevalence and Outcomes of Incidental Imaging Findings: Umbrella Review». BMJ, vol. 361, Junho de 2018, p. k2387. http://www.bmj.com, doi:10.1136/bmj.k2387 – ligação aqui

O que fizeram: Consideram-se incidentalomas os achados incidentais de imagem diagnosticados acidentalmente num paciente assintomático ou paciente sintomático submetido a exames de imagem por uma razão não relacionada. Estes autores analisaram 20 revisões sistemáticas que incluíram 627 073 pacientes de 240 estudos observacionais que descrevem a prevalência e os resultados de achados imagiológicos incidentais (incidentalomas)

O que concluem: Existe uma grande variabilidade entre diferentes técnicas de imagem, tanto na prevalência de incidentalomas como na prevalência de malignidade para os diferentes órgãos. A tomografia computadorizada de tórax, a colonoscopia por tomografia computadorizada e a ressonância magnética cardíaca tiveram a maior prevalência de incidentalomas. O incidentaloma de mama apresentava a maior taxa de malignidade, enquanto o incidentaloma cerebral e adrenal apresentava taxas notavelmente baixas de malignidade. Heterogeneidade muito grande (em termos da métrica I2) foi muito comum nos dados. Poucas meta-análises apresentaram evidências consistentes e não heterogeneas e a quantidade de dados incluídos nas mesmas foi escassa.

Notas: A prevalência de embolia pulmonar incidental foi inferior a 5% em doentes com e sem cancro em tomografia computadorizada (TC) de tórax e/ou tomografia por emissão de positrões (PET) de corpo inteiro. Por outro lado, os incidentalomas ocorreram em mais de um terço das imagens em ressonância magnética nuclear (RMN) cardíaca, TC de tórax e colonografia por TC. Os incidentalomas ocorreram em cerca de ⅕ com RMN da coluna vertebral e cérebro. A taxa de malignidade em incidentalomas variou substancialmente entre os órgãos, sendo mais elevada para a mama (42%, 95% IC 31%-54%). Contudo, muitas avaliações tiveram elevada heterogeneidade entre os estudos (15 do total de 20 metanálises com I2> 50%).

 

Vitamina D e Cálcio na prevenção de fracturas

Kahwati, Leila C., et al. «Vitamin D, Calcium, or Combined Supplementation for the Primary Prevention of Fractures in Community-Dwelling Adults: Evidence Report and Systematic Review for the US Preventive Services Task Force». JAMA, vol. 319, n. 15, Abril de 2018, pp. 1600–12. jamanetwork.com, doi:10.1001/jama.2017.21640ligação aqui

O que fizeram: Actualização das recomendações de 2013 da USPSTF para suplementação com vitamina D e cálcio, isoladamente ou em combinação, para a prevenção primária de fraturas em populações adultas não selecionadas, residentes na comunidade. Foram analisados ECA incluindo 51 419 adultos com 50 anos ou mais.

O que concluem: A suplementação com vitamina D isolada ou com cálcio não foi associada à redução da incidência de fraturas entre adultos residentes na comunidade sem défice conhecido de vitamina D, osteoporose ou fratura prévia. A vitamina D com cálcio foi associada a um aumento na incidência de cálculos renais.

Notas: Comparado com o placebo, a suplementação com vitamina D não teve associação significativa com fratura do colo do fémur (3 ECAs [n = 5496]; RD −0,01% [IC 95%, −0,80% a 0,78%]). A suplementação com vitamina D com cálcio não teve efeito na incidência de fratura total (1 ECA [n = 36282]; RD −0,35% [IC 95%, −1,02% a 0,31%]) ou incidência de fratura colo do fémur (2 ECAs [n = 36727]; RD do ensaio maior, -0,14% [IC 95%, -0,34% a 0,07%]. A evidência para o cálcio sozinho foi limitada, com apenas 2 estudos (n = 339 no total) e resultados muito imprecisos. A suplementação com vitamina D sozinha ou com cálcio não teve efeito significativo na mortalidade por todas as causas ou na incidência de doença cardiovascular (RD variou de -1,93% a 1,79%, com ICs consistentes e sem diferenças significativas).A suplementação com vitamina D com cálcio foi associada a litíase renal (3 ECAs; RD 0,33% [IC 95%, 0,06% a 0,60%]), mas a suplementação apenas com cálcio não foi associado a um risco aumentado. A suplementação com vitamina D e cálcio não foi associada a um aumento na incidência de cancro (3 ECAs [n = 39213]; RD, -1,48% [IC 95%, -3,32% a 0,35%]).

 

Suplementos de vitaminas e minerais para prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares

«Supplemental Vitamins and Minerals for CVD Prevention and Treatment». Journal of the American College of Cardiology, vol. 71, n. 22, Junho de 2018, pp. 2570–84. http://www.sciencedirect.com, doi:10.1016/j.jacc.2018.04.020ligação aqui

O que fizeram: os autores conduziram uma revisão sistemática e metanálise de ECAs para estudar a evidência do uso de suplementos, desde a publicação da respectiva recomendação pela USPSTF em 2013.

O que concluem:  antioxidantes e niacina (esta combinada com estatina) aumentam o risco de mortalidade por todas as causas; ácido fólico tem resultados positivos na prevenção de doença cardiovascular (DCV) e ácido fólico e vitaminas do complexo B o mesmo nos acidente vascular cerebral (AVC) – atenção que a qualidade da evidência é moderada ou baixa. Ausência de efeito para multivitamínicos, vitaminas C, D, β-caroteno, cálcio e selénio.

Notas: obtiveram-se 179 estudos individuais, 15 dos quais foram publicados após a recomendação da USPSTF. As vitaminas do complexo B reduziram o risco de AVC em 9 de 12 ECA na metanálise (RR: 0,90; p = 0,04), sem heterogeneidade (I2 = 16%; p = 0,28). O ácido fólico reduziu o risco de AVC (RR: 0,80; p = 0,003) em 2 dos 7 ensaios ECA, sem heterogeneidade. A meta-análise dos 7 estudos demonstrou um benefício para o ácido fólico impulsionado pelo estudo CSPPT (China Stroke Primary Prevention Trial). A DCV também foi reduzida na meta-análise de 5 estudos (RR: 0,83; p = 0,002).

 

Controlo glicémico na diabetes mellitus tipo 2. Norma de Orientação Clínica

Tung, Elizabeth L., et al. «Glycemic Control in Nonpregnant Adults With Type 2 Diabetes». JAMA, vol. 319, n. 23, Junho de 2018, pp. 2430–31. jamanetwork.com, doi:10.1001/jama.2018.6798ligação aqui

O que fizeram: Norma de Orientação Clínica do American College of Physicians (actualização das recomendações de 2007)

O que recomendam: apontar para um nível de HbA1c entre 7% e 8% na maioria dos doentes com diabetes tipo 2; reduzir a terapia farmacológica em doentes com diabetes tipo 2 e níveis de HbA1c < 6,5%; tratar doentes com diabetes tipo 2 para minimizar os sintomas de hiperglicemia e não atribuir um valor-alvo da HbA1c em doentes com uma esperança de vida < 10 anos, por ex. residentes em lares de idosos, ou com condições crónicas em estágio terminal.

Notas: Trata-se de uma avaliação feita por encomenda do American College of Physicians que habitualmente desenvolve declarações para orientação em tópicos onde existem recomendações conflituosas entre elas. Adotam as recomendações clínicas se concordam com a avaliação de benefícios e danos feitas ou adaptam as mesmas caso sejam necessárias mudanças com base na avaliação evidência que fazem. Usaram a ferramenta AGREE II para avaliar 6 guidelines no tópico.

 

Gestão de caso para hiperfrequentadores dos Serviços de Saúde

Hudon, Catherine, et al. «Case Management in Primary Care for Frequent Users of Health Care Services: A Mixed Methods Study». The Annals of Family Medicine, vol. 16, n. 3, Maio de 2018, pp. 232–39. Crossref, doi:10.1370/afm.2233ligação aqui

O que fizeram: Foram aplicados métodos mistos para avaliar o efeito da intervenção para gestão de casos V1SAGES (Vulnerable Patients in Primary Care: Nurse Case Management and Self-management Support). Numa 1ª fase, 247 doentes crónicos utilizadores frequentes de serviços de saúde foram aleatorizados num ensaio clínico pragmático com análise por intenção de tratar, que comparou a intervenção com os cuidados habituais para os outcomes de sofrimento psíquico e ativação do doente antes e após 6 meses de início do estudo. Numa 2ª fase, foi realizado um estudo qualitativo com análise temática de entrevistas (25 doentes, 6 enfermeiros gestores, 9 gestores de saúde) e grupos focais (8 cônjuges de doentes, 21 médicos de família).

O que concluem: os resultados quantitativos e qualitativos do estudo sugerem que a gestão de casos reduz o sofrimento psicológico, trazendo maior segurança aos doentes e cuidadores, mas o impacto na auto-gestão não é claro. A existência de um profissional de saúde que faça gestão de caso parece promissor para melhorar os resultados entre utilizadores frequentes dos serviços de saúde com necessidades complexas.

Notas: Em comparação com os cuidados habituais, a intervenção reduziu o sofrimento psicológico (odds ratio = 0,43; 95% CI, 0,19-0,95, P = 0,04), mas não teve nenhum efeito significativo na ativação do doente (P = 0,43). Os resultados qualitativos sugeriram que os doentes e seus cônjuges beneficiaram da intervenção de gestão de caso, ganhando uma sensação de segurança.

 

Elaborado por Ana Rita Maria e David Rodrigues

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Episódio #9 – Diabetes, doce problema – parte V TECOS, LEADER, EMPA-REG

Neste episódio, um pouco mais longo que o habitual, abordamos 3 estudos que avaliam classes farmacológicas mais recentes no tratamento da diabetes: o estudo TECOS (sitagliptina), LEADER (liraglutida) e EMPA-REG (empagliflozina).

Depois de alguns resultados surpreendentes com fármacos como a rosiglitazona, que apesar de reduzir a HbA1c aumentava a mortalidade por doenças cardiovasculares, as agências reguladoras passaram a exigir para todos os novos fármacos da diabetes estudos sobre a segurança cardiovascular, em vez de só estudos que mostrassem redução da hemoglobina A1C.

Assim, os 3 estudos em análise neste episódo são ensaios clínicos de não inferioridade que tentam demonstrar a segurança de novos fármacos para tratamento da diabetes.

Todos levantam a pergunta “Será que os novos antidiabéticos são seguros em termos cardiovasculares e adicioná-los ao tratamento existente confere algum benefício aos nossos doentes?” A diferença entre eles acaba por ser o novo antidiabético estudado.

Neste quadro resumimos as perguntas dos três estudos:

resumo TECOS LEADER EMPA-REG.png

Venham ouvir os resultados e comentem.

Notas de Evidentia #2 – Maio 2018

Está a administração de metilfenidato associada a efeitos negativos em crianças e adolescentes com Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA)?

Storebø O, Pedersen N, Ramstad E, Kielsholm M, Nielsen S, Krogh HB, Moreira-Maia CR, Magnusson FL, Holmskov M, Gerner T, Skoog M, Rosendal S, Groth C, Gillies D, Buch Rasmussen K, Gauci D, Zwi M, Kirubakaran R, Håkonsen SJ, Aagaard L, Simonsen E, Gluud C. Methylphenidate for attention deficit hyperactivity disorder (ADHD) in children and adolescents – assessment of adverse events in non-randomised studies. Cochrane Database of Systematic Reviews 2018, Issue 5. Art. No.: CD012069. DOI: 10.1002/14651858.CD012069.pub2- ligação aqui

O que fizeram: revisão sistemática de estudos não aleatorizados. Pesquisaram artigos até janeiro de 2016 e encontraram 260 estudos com diferentes desenhos.

Concluem que: os autores defendem que os resultados sugerem que o metilfenidato pode estar associado a vários eventos adversos sérios, bem como a um grande número de eventos adversos não graves em crianças e adolescentes, que muitas vezes levam à retirada do metilfenidato. A confiança na evidência é muito baixa e, portanto, não é possível estimar com precisão o risco real de eventos adversos. Pode ser maior do que o relatado.

Notas: o metilfenidato aumentou o risco relativo (RR) de eventos adversos graves (RR 1,36, intervalo de confiança de 95% (IC) 1,17-1,77; 2 estudos, 72.005 participantes); qualquer transtorno psicótico (RR 1,36, IC 95% 1,17-1,77; 1 estudo, 71.771 participantes); e arritmia (RR 1,61, IC 95% 1,48-1,74; 1 estudo, 1224 participantes) em comparação com nenhuma intervenção.

 

Qual a eficácia e segurança do rivaroxabano vs aspirina na prevenção secundária de AVC?

Hart, Robert G., et al. «Rivaroxaban for Stroke Prevention after Embolic Stroke of Undetermined Source». New England Journal of Medicine, Maio de 2018. Crossref, doi:10.1056/NEJMoa1802686. –  ligação aqui

O que fizeram: ECA, fase 3 em 459 centros em 31 países no qual comparam eficácia e segurança do rivaroxabano (dose diária de 15 mg) com aspirina (dose diária de 100 mg) para prevenção de AVC recorrente em pacientes com AVC isquémico recente, que se presume ser de embolia cerebral, mas sem estenose arterial, lacuna, ou uma fonte cardioembólica identificada. A variável resultado primária de eficácia foi a primeira recorrência de AVC isquémico ou hemorrágico ou embolia sistémica; a variável primária de segurança foi a taxa de hemorragias major

Concluem que: o estudo foi interrompido prematuramente por maus resultados associados ao rivaroxabano. Não superior à aspirina e mais eventos hemorrágicos major.

Notas: 7213 participantes foram inscritos em 459 locais de estudo; 3609 pacientes foram aleatoriamente designados para receber rivaroxabano e 3604 para receber aspirina. Os pacientes foram acompanhados por uma média de 11 meses, quando o estudo foi finalizado precocemente devido à falta de benefício com relação ao risco de acidente vascular cerebral e devido a hemorragia associado ao rivaroxabano. A variável resultado primária de eficácia ocorreu em 172 pacientes no grupo rivaroxabano (taxa anual, 5,1%) e em 160 no grupo aspirina (taxa anual, 4,8%) (hazard ratio, 1,07; intervalo de confiança [IC] 95%, 0,87 a 1,33). P = 0,52). Acidente vascular cerebral isquémico recorrente ocorreu em 158 pacientes no grupo rivaroxabano (taxa anual 4,7%) e em 156 no grupo aspirina (taxa anual, 4,7%). Hemorragia major ocorreu em 62 pacientes no grupo rivaroxabano (taxa anual 1,8%) e em 23 no grupo aspirina (taxa anual 0,7%) (razão de risco, 2,72; IC 95%, 1,68 a 4,39; P <0,001).

 

Qual o papel da terapia com antagonistas da aldosterona em pessoas com enfarte do miocárdio com supra-ST sem insuficiência cardíaca ou fração de ejeção do ventrículo esquerdo acima de 40%?

Dahal K, Hendrani A, Sharma SP, et al. Aldosterone Antagonist Therapy and Mortality in Patients With ST-Segment Elevation Myocardial Infarction Without Heart FailureA Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Intern Med. Published online May 21, 2018. doi:10.1001/jamainternmed.2018.0850 ligação aqui

O que fizeram: Revisão sistemática e meta-análise de 10 ensaios clínicos aleatorizados com 4147 pacientes

Concluem que: o tratamento com antagonistas da aldosterona está associado a redução significativa da mortalidade e aumento significativo da fração de ejeção do ventrículo esquerdo.

Notas: 10 ensaios clínicos randomizados com um total de 4147 pacientes foram incluídos na meta-análise. Nos pacientes que apresentaram EAMCSST sem insuficiência cardíaca, o tratamento com antagonistas da aldosterona comparado ao controlo foi associado a
menor risco de mortalidade (2,4% vs 3,9%; OR 0,62; IC95%, 0,42-0,91; P=.01)
riscos semelhantes de enfarte do miocárdio (1,6% vs 1,5%; OR, 1,03; IC 95%, 0,57-1,86; P = 0,91), nova insuficiência cardíaca congestiva (4,3% vs 5,4%; OR, 0,82; 95% IC, 0,56-1,20; P = 0,31) e arritmia ventricular (4,1% vs 5,1%; OR, 0,76; IC 95%, 0,45-1,31; P = 0,33). Da mesma forma, o tratamento com antagonistas da aldosterona em comparação com o controlo foi associado a um pequeno aumento significativo na FEVE (diferença média, 1,58%; IC95%, 0,18% -2,97%; P = 0,03), um pequeno aumento no nível sérico de potássio ( diferença média, 0,07 mEq / L, IC 95%, 0,01-0,13 mEq / L, P = 0,02), e nenhuma alteração no nível de creatinina sérica (diferença média padronizada, 1,4; IC 95%, -0,43 a 3,24; .13).

 

Deve o PSA ser usado para rastreio do cancro da próstata?

US Preventive Services Task Force. Screening for Prostate CancerUS Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2018;319(18):1901–1913. doi:10.1001/jama.2018.3710 – ligação aqui

O que fizeram: Actualização das recomendações de 2012 da USPSTF para rastreio de cancro da próstata com PSA.

Concluem que: para homens com idades entre 55 e 69 anos, a decisão de se submeter a rastreio de cancro de próstata periódico baseado em PSA deve ser individual e deve incluir a discussão dos possíveis benefícios e danos do rastreio com seu médico.
O rastreio oferece um pequeno potencial benefício de reduzir a possibilidade de morte por cancro da próstata nalguns homens. No entanto, muitos experimentarão potenciais danos do rastreio, incluindo resultados falso-positivos que requerem testes adicionais e possível biópsia da próstata; sobrediagnóstico e sobretratamento; e complicações do tratamento, como incontinência e disfunção erétil.
Ao determinar se o rastreio é apropriado em casos individuais, os pacientes e médicos devem considerar o equilíbrio de benefícios e danos com base na história familiar, raça / etnia, condições médicas comórbidas, valores pessoais sobre os benefícios e danos do rastreio e tratamento específico e outras necessidades de saúde. Os médicos não devem rastrear os homens que não expressam uma preferência pelo rastreio. (Recomendação C) A USPSTF recomenda contra o rastreio baseado em PSA para cancro de próstata em homens com 70 anos ou mais. (Recomendação D)

Notas: Análise da prova científica – aqui ; Editorial no JAMA – aqui

 

Existe associação entre força de preensão com  incidência específica de doença e mortalidade?
e
Será que a força de preensão aumenta a capacidade preditiva de uma ferramenta de cálculo de risco usada no consultório?

Associations of grip strength with cardiovascular, respiratory, and cancer outcomes and all cause mortality: prospective cohort study of half a million UK Biobank participants. BMJ 2018; 361 doi: https://doi.org/10.1136/bmj.k1651 – ligação aqui

O que fizeram: estudo populacional prospectivo. Base de dados: UK Biobank; 502293 participantes (54% mulheres) com idades entre 40 e 69 anos; principais variáveis avaliadas: mortalidade por qualquer causa, assim como incidência e mortalidade por doença cardiovascular, doença respiratória, doença pulmonar obstrutiva crónica e cancro (todos os cancro, colo-retal, pulmão, mama e próstata).

Concluem que: maior força de preensão está associada a uma série de resultados em saúde relevantes (ver notas). A predição da ferramenta de cálculo de risco feita em consultório foi melhorada.

Notas: Dos participantes incluídos nas análises, 13 322 (2,7%) morreram ao longo de uma média de 7,1 (intervalo de 5,3-9,9) anos de follow-up. Em mulheres e homens, respectivamente, as razões de risco por 5 kg de força de preensão foram maiores (todas com p <0,05) para todas as causas de mortalidade;  mortalidade específica de doença cardiovascular, todas as doenças respiratórias, doença pulmonar obstrutiva crónica, todos os cancros, cancro colorretal, cancro de pulmão e cancro da mama, mas não cancro de próstata. Várias dessas relações apresentaram taxas de risco mais altas na faixa etária mais jovem. A fraqueza muscular (definida como força de preensão <26 kg para homens e <16 kg para mulheres) foi associada a um maior risco para todos os resultados, exceto cancro de cólon em mulheres e cancro de próstata e cancro de pulmão em homens e mulheres.

 

Norma de orientação clínica para desprescrição de benzodiazepinas

Deprescribing benzodiazepine receptor agonists. Kevin Pottie, Wade Thompson, Simon Davies, Jean Grenier, Cheryl A. Sadowski, Vivian Welch, Anne Holbrook, Cynthia Boyd, Robert Swenson, Andy Ma, Barbara Farrell. Canadian Family Physician May 2018, 64 (5) 339-351; ligação aqui

O que fizeram: – Norma de Orientação Clínica

Concluem que: As benzodiazepinas estão associadas a danos e os efeitos terapêuticos podem ser de curto prazo. Descontinuar progressivamente BZD melhora as taxas de cessação em comparação com os cuidados habituais sem danos graves. Se as pessoas entenderem o racional da desprescrição (potencial para causar danos), estiverem envolvidas no desenho do plano e receberem aconselhamento comportamental os resultados são mais satisfatórios. Esta norma fornece recomendações para tomar decisões sobre quando e como reduzir e parar BZD. As recomendações destinam-se a ajudar, não ditar, a tomada de decisões colaborativas com os pacientes.

Notas: Usada a metodologia GRADE

 

Será que para controlo da asma ligeira o recurso em SOS a formoterol-budesonido é não-inferior ao budesonido em esquema de manutenção?

Bateman, Eric D., et al. «As-Needed Budesonide–Formoterol versus Maintenance Budesonide in Mild Asthma». New England Journal of Medicine, vol. 378, n. 20, Maio de 2018, pp. 1877–87. Taylor and Francis+NEJM, doi:10.1056/NEJMoa1715275. ligação aqui

O que fizeram: ECA multicêntrico, duplo-cego, de 52 semanas envolvendo pacientes com 12 anos de idade ou mais que apresentavam asma ligeira e eram elegíveis para o tratamento com glucocorticóides inalatórios regulares.

Concluem que: em pacientes com asma ligeira, o budesonida-formoterol em esquema de resgate (SOS), foi não-inferior a budesonida duas vezes ao dia. Taxas de exacerbações graves da asma durante 52 semanas de tratamento sem diferença estatisticamente significativa. Esquema de manutenção com budesonida bi-diária foi superior no controlo dos sintomas.

Notas: 4215 pacientes aleatorizados,
4176 (2089 no grupo budesonida-formoterol e 2087 no grupo de manutenção com budesonida) foram incluídos na análise.
O budesonida-formoterol em SOS cumpriu critério de não inferioridade em relação à terapia de manutenção com budesonida para exacerbações graves; a taxa anual de exacerbações graves foi de 0,11 (IC 95%, 0,10 a 0,13) e 0,12 (IC 95%, 0,10 a 0,14); rate ratio 0,97; limite superior unilateral de confiança 95% 1,16 (limite de não inferioridade definido para 1.20).
A dose mediana diária de glicocorticoide inalado foi menor no grupo budesonida-formoterol (66 µg) do que no grupo manutenção com budesonida (267 µg).
O tempo até a primeira exacerbação foi semelhante nos dois grupos (hazard ratio, 0,96; IC95%, 0,78 a 1,17).
A mudança no escore do ACQ-5 mostrou uma diferença de 0,11 unidades (IC95%, 0,07 a 0,15) a favor da terapia de manutenção com budesonida.

 

Será que em doentes com DPOC a terapia tripla (glucocorticoide inalado, LAMA e LABA) vs terapia dupla (glucocorticoide inalado – LABA ou LAMA – LABA) leva a uma menor taxa anual de exacerbações moderadas ou severas?

Lipson, David A., et al. «Once-Daily Single-Inhaler Triple versus Dual Therapy in Patients with COPD». New England Journal of Medicine, vol. 378, n. 18, Maio de 2018, pp. 1671–80. Taylor and Francis+NEJM, doi:10.1056/NEJMoa1713901. ligação aqui

O que fizeram: ECA de 10.355 pacientes com DPOC, 52 semanas de uma combinação diária de fuorato de fluticasona (um glicocorticoide inalatório) na dose de 100 μg, umeclidínio (um LAMA) na dose de 62,5 μg e vilanterol (um LABA) numa dose de 25 μg (terapêutica tripla) com fuorato de fluticasona – vilanterol (doses de 100 μg e 25 μg, respetivamente) e umeclidínio –vilanterol (com doses de 62,5 μg e 25 μg, respetivamente).

Concluem que: a terapia tripla com fuorato de fluticasona, umeclidínio e vilanterol resultou numa taxa anual mais baixa de exacerbações moderadas ou severas da DPOC do que o fuorato de fluticasona –vilanterol ou umeclidínio – vilanterol. A terapia tripla também resultou numa taxa mais baixa de hospitalização devido à DPOC do que o umeclidínio-vilanterol.

Notas: A taxa de exacerbações moderadas ou graves no grupo de terapia tripla foi de 0,91 por ano, em comparação com 1,07 por ano no grupo fuorato de fluticasona-vilanterol (rate ratio com terapia tripla, 0,85; intervalo de confiança de 95% [IC], 0,80 a 0.90; diferença de 15%; P <0.001) e 1.21 por ano no grupo de umeclidínio-vilanterol (rate ratio com terapia tripla, 0.75; 95% CI, 0.70 a 0.81; diferença de 25%; P <0.001). A taxa anual de exacerbações graves resultando em hospitalização no grupo de terapia tripla foi de 0,13, em comparação com 0,19 no grupo de umeclidínio-vilanterol (razão de taxa, 0,66; 95% CI, 0,56 a 0,78; 34% de diferença; P <0,001) . Houve uma maior incidência de pneumonia nos grupos de glucocorticóides inalatórios do que no grupo de umeclidínio-vilanterol, e o risco de pneumonia foi significativamente maior com a terapia tripla do que com o umeclidínio-vilanterol (hazard ratio, 1,53, IC 95%, 1,22 a 1,92, P <0,001).

 

Avaliação endometrial em hemorragias vaginais pós-menopausa

American College of Obstetricians and Gynecologists. ACOG Committee Opinion No. 734: The role of transvaginal ultrasonography in evaluating the endometrium of women with postmenopausal bleeding. Obstet Gynecol 2018 May; 131:e124. – ligação aqui

O que fizeram: Norma de orientação clínica

Concluem que: a ecografia endovaginal é apropriada para avaliação inicial da hemorragia na pós-menopausa. Se o endométrio apresentar uma espessura ≤ 4 mm, avaliações adicionais poderão não ser necessárias. Se o hemorragia persistir ou recorrer, está indicada biópsia endometrial.

 

 

 

Episódio #8 Diabetes, Doce Problema – parte IV

No episódio #8 continuamos a discutir alguns dos estudos mais relevantes na diabetes. Desta feira avançamos para estudos relativamente contemporâneos e que levantam a pergunta se a procura de controlo glicémico intensivo traz benefícios para os diabéticos tipo 2.

Estudo em DMT1 mencionado na contextualização: DCCT (link)

Tabela comparativa ADVANCE – ACCORD – VADT – UKDPS:

Captura de ecrã 2018-06-03, às 18.55.36.png

Algumas das nossas notas

ACCORD (link)

P – 10251 diabéticos com elevado risco CV; ~10 anos de DMT2; idade média 62; A1c média 8,2%; IMC 32; 64% caucasianos; 85% com anti-HTA; 35% com doença CV prévia; grupos bastante homogéneos à partida.
I – terapia intensiva (visando um nível de HbA1 < 6,0%) –
C – terapia não-intensiva (visando um nível de HbA1 de 7,0 a 7,9%)
O –  “composto de  #1 EAM não fatal; #2 AVC não fatal; #3 morte por causas cardiovasculares.”

Resultados: Terapia intensiva vs não-intensiva (RD – risk difference – diferença de riscos)#1 EAM não fatal – RD: 1.0% (0.2; 1.7); NNT=104#2 AVC não fatal – RD: 0.1% (-0.6; 0.3); n/s#3 morte por causas CV – RD: -0.8 (-1.4; -0.2); NNH=125
Mortalidade global – RD: -1.0 (-1.9; -0.2); NNH=95 – 1 morte extra por cada 95 doentes tratados em 3,5 anos.Hipoglicemia que requer cuidados médicos – RD: -7.0(-8.0; -6.0) NNH=14Aumento de peso – RD: -13.4 (-14.9; -11.8); NNH=7″.

ADVANCE (link)

P – 11140 diabéticos; ~8 anos de DMT2; idade média 66; A1c média 7,48%; IMC 28; 45% europeus; ~32% antecedentes de doença cardiovascular major; ~10% antecedentes de doença microvascular; 75,1% com anti-HTA
I – controlo intensivo da glicose (glicazida+outros fármacos), visando um nível de HbA1≤6,5%
C –  controlo convencional da glicose (outra SU que não a gliclazida + o que fosse necessário) – objectivo A1c em função das guidelines locais.
O – “composto de #1 eventos macrovasculares major (morte por causas CV, EAM não fatal, AVC não fatal); #2 eventos microvasculares major (novo ou agravamento de nefropatia ou retinopatia);”
Resultados: 5 anos de seguimento, HbA1c média foi menor no grupo intensivo (6,5%) do que no grupo control (7,3%). braço intensivo reduziu a incidência de grandes eventos macrovasculares e microvasculares combinados (18,1% vs. 20,0% com controle padrão; hazard ratio 0,90; 95% intervalo de confiança [IC] 0,82 a 0,98; P = 0,01). como os principais eventos microvasculares (9,4% vs. 10,9%; razão de risco, 0,86; IC 95%, 0,77 a 0,97; P = 0,01), principalmente devido à redução na incidência de nefropatia (4,1% vs. 5,2%; razão de risco, 0,79, IC 95%, 0,66 a 0,93, P = 0,006), sem efeito significativo sobre a retinopatia (P = 0,50). Não houve efeitos significativos nos principais eventos macrovasculares (razão de risco com controle intensivo, 0,94; IC 95%, 0,84 a 1,06; P = 0,32), morte por causas cardiovasculares (razão de risco com controle intensivo, 0,88; IC95%, 0,74 a 1,04, P = 0,12), ou morte por qualquer causa (hazard ratio com controle intensivo, 0,93; IC95%, 0,83 a 1,06; P = 0,28). A hipoglicemia grave, apesar de incomum, foi mais comum no grupo intensivo (2,7%, contra 1,5% no grupo controle padrão; razão de risco, 1,86; IC 95%, 1,42 a 2,40; P <0,001).

VADT (link)

P – 1791 veteranos do serviço militar com resposta insatisfatória à tx para a DM2; idade média 60,4; 11,5 anos de DMT2; 40% com antecedentes de eventos CV; A1c média 9,4%; IMC 31,3
I – controlo intensivo (visando uma redução do valor absoluto de 1,5 pontos percentuais da HbA1c, comparativamente ao grupo com tx convencional)
C – controlo convencional
O – “tempo até à ocorrência do 1º evento CV major, composto de: #1 EAM #2 AVC #3 morte por causas CV #4 Insuficiência cardíaca congestiva #5 cirurgia para doença vascular #6 doença coronária inoperável #7 amputação por gangrena isquémica”

Resultados: acompanhamento médio foi de 5,6 anos. A mediana HbA1c foi 6.9% grupo intensivo vs 8,4% no grupo controlo. A variável resultado primária ocorreu em 235 pacientes no grupo de terapia intensiva e 264 pacientes no grupo de controlo (RR 0,88; IC 95%, 0,74 a 1,05; P = 0,14) . Não houve diferença significativa entre os dois grupos em qualquer componente da variável resultado primária ou na taxa de morte por qualquer causa (HR, 1,07; 95% CI, 0,81 a 1,42; P = 0,62). Nenhuma diferença entre os dois grupos foi observada para complicações microvasculares. Hipoglicemia, ocorreu 24,1% no grupo intensivo vs 17,6% no grupo controlo

Notas de Evidentia #2017 – TOP 10

Acreditamos que os profissionais de saúde devem ter capacidade para autonomamente apreciar e avaliar publicações científicas. Por isso somos formadores em cursos que capacitam os alunos para isso mesmo.

Mas também sabemos que um profissional de saúde tem pouco tempo para ler tudo o que é produzido pelo que oferecemos aos nossos leitores a nova secção Notas de Evidentia. Uma selecção de artigos que consideramos que podem ter relevância para uma prática médica actualizada. Isto do nosso ponto de vista é claro! 🙂

Como em qualquer resumo assumimos que corremos o risco de excesso de simplificação da mensagem pelo que as criticas e comentários são muito bem vindas. A discussão faz-nos aprender!

Começamos esta secção à boleia dos autores do Tools for Practice – uma publicação do colégio de Medicina Familiar de Alberta (Canadá) – que selecionaram os melhores artigos de 2017 e publicaram na revista Canadian Family Physician:

Perry, Danielle, et al. «Top Studies Relevant to Primary Care Practice». Canadian Family Physician Medecin De Famille Canadien, vol. 64, n. 4, Abril de 2018, pp. 280–85.

1. O tratamento do hipotiroidismo subclínico melhora os resultados ou sintomas?

Stott DJ, Rodondi N, Kearney PM, Ford I, Westendorp RGJ, Mooijaart SP, et al. Thyroid hormone therapy for older adults with subclinical hypothyroidism. N Engl J Med 2017;376(26):2534-44. Epub 2017 Apr 3. Google Scholar
O que fizeram: estudo controlado aleatorizado (ECA) que avaliou os resultados clínicos de adultos escoceses mais velhos (N = 737, idade média de 74 anos) com hipotiroidismo subclínico persistente. Pacientes com níveis de TSH entre 4,6 e 19,9 mUI/L e níveis normais de tiroxina livre (confirmados em testes repetidos) receberam tratamento de reposição com hormona tiroideia (titulada para normalizar o nível de TSH) ou placebo (com titulações trocadas) e acompanhados por 18 meses.
Conclusão: Nenhum benefício clínico foi observado ao tratar regularmente pacientes com um nível de TSH de 4,6 a 10 mUI/L

Notas: Aos 18 meses, aqueles no grupo de tratamento tinham níveis normais de TSH (média de 3,5 mUI / L) em comparação com 5,3 mUI / L no grupo placebo. Clinicamente, não houve diferenças nos sintomas do hipotiroidismo; cansaço ou na qualidade de vida. As taxas de morte ou doença cardiovascular (DCV) também foram semelhantes entre os grupos (embora o estudo tenha sido insuficiente para mostrar diferenças). Os pacientes que sofreram 1 ou mais eventos adversos graves foram mais comuns no grupo placebo do que no grupo de tratamento (21% vs 28%). Uma revisão anterior da Cochrane também não mostrou nenhum efeito.

2. O evolocumab e a doença cardiovascular

Sabatine MS, Giugliano RP, Keech AC, Honarpour N, Wiviott SD, Murphy SA, et al. Evolocumab and clinical outcomes in patients with cardiovascular disease. N Engl J Med 2017;376(18):1713-22. Epub 2017 Mar 17. Google Scholar
O que fizeram: ECA (N = 27564) acompanhou pacientes com DCV (idade média de 63 anos, mediana do nível de LDL de 91,2 mg/dl, 100% com estatinas [70% de alta intensidade]) por uma média de 2,2 anos para determinar o benefício de evolocumab (140 mg por via subcutânea a cada 2 semanas ou 420 mg por via subcutânea a cada mês) versus placebo.
Conclusão: O Evolocumab reduziu os eventos cardiovasculares em 2 anos (NNT 67) sem efeito na mortalidade. O nível de lipoproteína de baixa densidade (LDL) atingido não se associou a melhores resultados para os doentes. O custo (6650€ por ano) é uma grande barreira à utilização deste medicamento.

Notas: A variável resultado primária (composto de morte cardiovascular, enfarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, hospitalização por angina instável e revascularização coronária) ocorreu em 9,8% do grupo de evolocumab versus 11,3% do grupo placebo (NNT = 67). Os níveis de LDL diminuíram 59%, no entanto, níveis mais baixos de LDL não se correlacionaram com menos eventos. Não houve diferença nas taxas de mortalidade. Maior número de reações no local da injeção (número necessário para causar dano [NNH] de 200). As taxas de outros eventos adversos não foram significativas.

3. Intervenção em estilo de vida e redução da medicação em doentes diabéticos

Johansen MY, MacDonald CS, Hansen KB, Karstoft K, Christensen R, Pedersen M, et al. Effect of an intensive lifestyle intervention on glycemic control in patients with type 2 diabetes: a randomized clinical trial. JAMA 2017;318(7):637-46. Google Scholar
O que fizeram: ECA dinamarquês de 98 pacientes com média de 5 anos de DM2 (idade média de 55 anos, média de hemoglobina A1c 6,7%, 79% tomando apenas metformina) comparou intervenção intensa sobre o estilo de vida (5 a 6 sessões de exercícios aeróbicos 30 a 60 minutos de duração com algum treino de resistência, juntamente com um plano de dieta individual e um “relógio inteligente”) com cuidados habituais.
Conclusão: a intervenção no estilo de vida é benéfica no tratamento da diabetes mellitus tipo 2 (DM2), uma vez que 1 em cada 3 pessoas com DM2 pode reduzir seus medicamentos hipoglicemiantes ou pará-los completamente em comparação com cuidados habituais. Um em cada quatro pacientes perde 10% do seu peso.

4. Pode a vitamina D prevenir doenças cardiovasculares, cancro ou infecções do trato respiratório superior?

1- Scragg R, Stewart AW, Waayer D, Lawes CMM, Toop L, Sluyter J, et al. Effect of monthly high-dose vitamin D supplementation on cardiovascular disease in the vitamin D assessment study: a randomized clinical trial. JAMA Cardiol 2017;2(6):608-16. Google Scholar

2- Aglipay M, Birken CS, Parkin PC, Loeb MB, Thorpe K, Chen Y, et al. Effect of high-dose versus standard-dose wintertime vitamin D supplementation on viral upper respiratory tract infections in young healthy children. JAMA 2017;318(3):245-54. Google Scholar

3- Lappe J, Watson P, Travers-Gustafson D, Recker R, Garland C, Gorham E, et al. Effect of vitamin D and calcium supplementation on cancer incidence in older women: a randomized clinical trial. JAMA 2017;317(12):1234-43. Google Scholar
O que fizeram:
1- ECA na Nova Zelândia (N = 5108, média 66 anos, 58% masculino) comparou alta dose de vitamina D (vitamina D3 oral: 200.000 UI para primeira dose, depois dose mensal de 100.000 UI) versus placebo para prevenção de DCV por 3,3 anos.
2- ECA canadiense de 6 meses que comparou alta dose (2000 UI) a baixa dose (400 UI) de vitamina D na prevenção de ITRSs em crianças com idade entre 1 e 5 anos.
3- ECA que investigou o efeito da vitamina D mais cálcio (2000 UI mais 1500 mg por dia) comparado com placebo por 4 anos sobre o risco de câncer em mulheres na pós-menopausa.
Conclusão: Alta dose de vitamina D não tem efeito na prevenção de DCV em adultos ou incidência de infecção do trato respiratório superior em crianças. A suplementação de vitamina D e cálcio não teve efeito estatisticamente significativo na incidência de cancro em mulheres na pós-menopausa.

5. Pode a canagliflozina prevenir eventos clínicos importantes em pacientes com diabetes?

Neal B, Perkovic V, Mahaffey KW, de Zeeuw D, Fulcher G, Erondu N, et al. Canagliflozin and cardiovascular and renal events in type 2 diabetes. N Engl J Med 2017;377(7):644-57. Epub 2017 Jun 12. Google Scholar
O que fizeram: Dois ECA controlados por placebo (combinado N = 10 412) compararam a eficácia e segurança da canagliflozina (um inibidor do cotransportador sódico-glicose-2) em pacientes com DM2 e DCV ou com alto risco de DCV (idade média de 63 anos). Média de 14 anos de história de diabetes.
Conclusão: Os pacientes tratados com canagliflozina apresentam menor risco de sofrer eventos cardiovasculares ao longo de um período de tratamento de 3,6 anos (NNT 200), mas os danos podem ser graves (por exemplo, fratura NNH 120; amputação NNH 144).

6. Corticoesteroides na osteoartrose do joelho

McAlindon TE, LaValley MP, Harvey WF, Price LL, Driban JB, Zhang M, et al. Effect of intra-articular triamcinolone versus saline on knee cartilage volume and pain in patients with knee osteoarthritis: a randomized clinical trial. JAMA 2017;317(19):1967-75. Google Scholar
O que fizeram: Um ECA (N = 140) comparou a eficácia da triamcinolona (40 mg de triancinolona intra-articular a cada 3 meses) versus solução salina na progressão da perda de cartilagem e dor no joelho em pacientes com osteoartose do joelho. Os pacientes (idade média 59 anos) foram acompanhados por 2 anos, com avaliação da dor realizada a cada 3 meses e ressonância magnética anual (para avaliar o volume da cartilagem).
Conclusão: Injeções de corticoesteróides podem aumentar marginalmente (0,11 mm) a erosão da cartilagem do joelho. A relevância clínica deste achado é desconhecida. Não houve diferença na dor no joelho aos 3 meses.

7. Antibióticos nos abcessos

Daum RS, Miller LG, Immergluck L, Fritz S, Creech CB, Young D, et al. A placebo-controlled trial of antibiotics for smaller skin abscesses. N Engl J Med 2017;376(26):2545-55. Google Scholar
O que fizeram: Um ECA de 3 braços (N = 786) comparou a eficácia de 10 dias de antibióticos versus placebo no tratamento de abcessos (≤ 5 cm de diâmetro) após incisão e drenagem. Os pacientes (64% adultos) receberam clindamicina (300 mg por via oral 3 vezes ao dia), trimetoprim-sulfametoxazol (80 mg e 400 mg por via oral duas vezes ao dia) ou placebo. As doses foram ajustadas para pacientes pediátricos.
Conclusão: Os antibióticos podem ajudar na recuperação de 1 em cada 8 pessoas com abscessos pequenos e drenados (NNT 8).

Notas: infecções: 67% Staphylococcus aureus e 74% destes eram resistentes à meticilina. Aos 10 dias, 83% do grupo clindamicina, 82% do grupo TMP-SMX e 69% do grupo placebo estavam curados (NNT = 8). A taxa de cura no subgrupo de infecção não-S aureus não melhorou. Recorrência da infecção em 30 dias após o tratamento com antibiótico ocorreu em 7% do grupo clindamicina, 14% do grupo TMP-SMX, e 12% do grupo placebo (sem significância estatística). Os eventos adversos foram mais comuns no grupo clindamicina (22%) em comparação com os grupos TMP-SMX (11%) e placebo (13%). A diarreia foi o evento adverso mais comum relatado (NNH = 9 a 11).

8. Quais os benefícios da cirurgia bariátrica em pacientes com diabetes?

Schauer PR, Bhatt DL, Kirwan JP, Wolski K, Aminian A, Brethauer SA, et al. Bariatric surgery versus intensive medical therapy for diabetes—5-year outcomes. N Engl J Med 2017;376(7):641-51. Google Scholar

O que fizeram: Um ECA de 3 braços (N = 134) comparou a utilidade da cirurgia bariátrica (sleeve ou bypass) e tratamento médico adicional versus tratamento médico isolado em pacientes com obesidade e DM2 em 5 anos (idade média de 49 anos; IMC 37 kg/m2; HbA1c média de 9,2%; insulinotratados 44%). Mediram resultados relacionados com diabetes.
Conclusão: A cirurgia bariátrica em pacientes com DM2 melhora peso, control glicémico, qualidade de vida, bem como parece permitir maior descontinuação de medicamentos para diabetes.

Notas:
– HbA1c média aos 5 anos foi de 8,5% para o grupo de tratamento médico, 7,3% para o grupo de bypass e 7,4% para o grupo de sleeve.
– HbA1c de 6% ou menos foi alcançado em 5% no grupo de tratamento médico, 29% no grupo bypass (NNT = 5) e 23% no grupo de sleeve (NNT = 6) .
– HbA1c de 6,5% ou menos sem medicação foi alcançado em 0% no grupo de tratamento médico, 31% no grupo de bypass (NNT = 4) e 23% no grupo de sleeve (NNT = 5 ).
– o peso médio foi de 99 kg no grupo de terapia médica, 83 kg no grupo de bypass e 82 kg no grupo sleeve (o peso inicial médio foi de cerca de 104 kg).
– não houve diferença na pressão arterial entre os grupos. A qualidade de vida foi estatisticamente significativamente melhor nos braços cirúrgicos.

9. Exenatido na prevenção de eventos clínicos em pacientes com diabetes.

Holman RR, Bethel MA, Mentz RJ, Thompson VP, Lokhnygina Y, Buse JB, et al. Effects of once-weekly exenatide on cardiovascular outcomes in type 2 diabetes. N Engl J Med 2017;377(13):1228-39. Epub 2017 Sep 14 Google Scholar
O que fizeram: Exenatido (agonista de GLP1) foi comparado com placebo num ECA de 14752 pacientes com DM2 (idade mediana de 62 anos, 73% com DCV, mediana de 12 anos de história de diabetes, nível basal médio de HbA1c de 8%). A variável resultado primária foi um aglomerado de morte por causas cardiovasculares, enfarte do miocárdio não fatal ou acidente vascular cerebral não fatal.
Conclusão: diferença em DCV não significativa. Os pequenos benefícios são similares em magnitude a outros GLP1 (ex. liraglutido), ainda que menos consistentes.

Notas: variável de resultado primária ocorreu em 839 de 7356 pacientes (11,4%; 3,7 eventos por 100 pessoas-ano) no grupo exenatido e em 905 de 7396 pacientes (12,2%; 4,0 eventos por 100 pessoas-anos) no grupo placebo (HR, 0,91; intervalo de confiança de 95% [IC], 0,83 a 1,00), com a análise ITT indicando que o exenatido, administrado uma vez por semana, não foi inferior ao placebo em relação à segurança (P <0,001 para não inferioridade) não foi superior ao placebo em relação à eficácia (P = 0,06 para superioridade). As taxas de morte por causas cardiovasculares, enfarte do miocárdio fatal ou não fatal, acidente vascular cerebral fatal ou não fatal, hospitalização por insuficiência cardíaca e hospitalização por síndrome coronária aguda e incidência de pancreatite aguda, cancro pancreas, carcinoma medular de tiróide e eventos adversos graves não diferiram significativamente entre os dois grupos.

10. Tubos de timpanostomia em crianças com otite média aguda recorrente ou otite média crónica

Steele DW, Adam GP, Di M, Halladay CW, Balk EM, Trikalinos TA. Prevention and treatment of tympanostomy tube otorrhea: a meta-analysis. Pediatrics 2017;139(6):e20170667. pii:. Epub 2017 May 5. Google Scholar
O que fizeram: Uma revisão sistemática (147 artigos) avaliou a eficácia de tubos de timpanostomia em crianças com otite média crónica com efusão e otite média aguda (OMA) recorrente.
Conclusão: a prova científica é limitada, mas o que existe suporta uma pequena redução nos episódios de OMA e melhora da audição a curto prazo para otite média crónica.

Notas: Crianças com otite média crónica com efusão tratadas com tubos de ventilação (16 ECRs) tiveram uma melhora média na audição de 9,1 dB em 1 a 3 meses. Este benefício não foi observado aos 12 e 24 meses. 3 ECRs relataram que os tubos de timpanostomia reduziram de forma variável a OMA recorrente; o benefício variou de 0,55 a 1,14 menos ocorrências de OMA por ano. Clinicamente significativo?

Episódio #7 Diabetes, doce problema – parte III

No episódio#7 o David e o Daniel continuam a série dedicada à Diabetes e analisam o UKDPS 34. Este estudo tentou responder a duas perguntas:
1 – Será que em diabéticos recém diagnosticados e com excesso de peso ou obesidade o tratamento com metformina acarreta benefícios?
2 – Será que em diabéticos a tratamento com sulfunilureias/insulina mas com glicemias em jejum descontroladas, acrescentar metformina diminui as complicações da diabetes?

Será que os resultados são aquilo que estavam à espera?

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O que acham?

Página do UKPDS: www.dtu.ox.ac.uk/ukpds/
UKPDS 34: www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9742977

Episódio #6 – Diabetes, doce problema – parte II

No episódio#6 o David e o Daniel continuam a série dedicada à Diabetes e analisam aquele que é um dos mais relevantes estudos na temática: o UKDPS 33. Neste episódio o foco é o estudo principal de um conjunto de estudos levados a cabo no Reino Unido desde 1977 a 1997. Este ensaio clinico aleatorizado compara o tratamento farmacológico (sulfunilureias/insulina) com tratamento convencional (dieta) de diabéticos recém diagnosticados.
Já conhecias os resultados?
Surpreendentes? Ou nem por isso?

Deixem-nos a vossa opinião.

UKPDS 33 – link para o estudo. 

Desenho do estudo:

Captura de ecrã 2018-05-09, às 10.12.31.png

Resumo dos resultados:

Captura de ecrã 2018-05-09, às 10.12.54.png

Episódio#5 – Diabetes, doce problema – parte I

No episódio #5 do podcast o Daniel e o David começam uma série sobre a Diabetes. Nesta primeira parte começam por explorar o conceito de diabetes, será que pensamos nela como uma doença ou será que a vemos como factor de risco para eventos clínicos mais sérios? Depois falam dos diferentes tipos de diabetes dando alguns números, dedicam algum tempo ao diagnóstico, abordam o rastreio e o que diz a evidência sobre o mesmo e terminam com a prevenção e a relação com o estilo de vida.

critérios diabetes

Alguns dos estudos que fundamentam o episódio são:

Norma da DGSDiagnóstico e Classificação da Diabetes Mellitus

Rastreio – Screening for type 2 diabetes mellitus: a systematic review for the U.S. Preventive Services Task Force. Ann Intern Med. 2015 Jun 2;162(11):765-76. doi: 10.7326/M14-2221.

UKPDS 34 – Effect of intensive blood-glucose control with metformin on complications in overweight patients with type 2 diabetes. The Lancet , Volume 352 , Issue 9131 , 854 – 865

Estilo de vida na prevenção de diabetes – Diabetes Prevention Program Research Group. Reduction in the incidence of type 2 diabetes with lifestyle intervention of metformin. The New England journal of medicine. 2002;346(6):393-403. doi:10.1056/NEJMoa012512.

Episódio#4 – Entrevista a Victor Ramos – ser um médico de pessoas


O David foi conversar com Victor Ramos, o vencedor do prémio Miller Guerra em 2017, durante o Encontro Nacional de Medicina Familiar em Março de 2018.

Natural de Évora, licenciou-se em medicina em 1976 e é especialista em medicina geral e familiar desde 1985. Actualmente é médico de família em Cascais e professor convidado na Escola Nacional de Saúde Pública. Foi um dos fundadores da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, fez parte do grupo técnico para a reforma dos cuidados de saúde primários em 2005 e foi depois responsável pela Coordenação Estratégica dos Cuidados de Saúde Primários em 2010. É ainda autor do livro A consulta em 7 passos e de diversos artigos científicos e capítulos de livros.

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Atribuição do Prémio Miller Guerra a Victor Ramos

Notas do episódio:
1:00 Sobre a entrevista
2:42 Dimensões das listas de utentes e organização da prática
12:54 Figuras relevantes na medicina geral e familiar
18:48 O exercício da medicina geral e familiar
20:40 A escolha da medicina geral e familiar

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