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Evidentia da semana #372019

Destaque

De volta numa semana em que abundam as guidelines e alguns estudos muito pertinentes para a nossa prática.

Destaco ainda as nossas recentes Notas de Evidentia com análise da nossa cada vez mais sólida rede de colaboradores. Recordo que todos eles são ex-alunos dos Cursos de Avaliação da Literatura Médica – CALM que ficaram “contagiados” com o bichinho da leitura crítica. Obrigado a todos eles!

Vamos ter novo episódio do podcast na próxima semana, não percam.

Para os mais novos na página, fica aqui o artigo publicado este ano na RPMGF que fundamenta a organização dos estudos nesta rúbrica.

Recomendações elaboradas sistematicamente

Asma: actualização da guidelines da SIGN/BTS 
https://t.co/2rue7NZXQD #recomendações

Doença de Parkinson: actualização de guideline canadiana 
https://t.co/VH6QnJ0uwk #recomendações

Medicação para redução de risco de cancro da mama: USPSTF recomenda em mulheres de elevado risco de Ca mama e baixo risco de efeitos adversos (B) e não recomenda em mulheres com baixo risco de Ca mama (D) 
https://t.co/HjYgxAmoap #recomendações

Hipertensão: actualização da guideline NICE 
https://t.co/3Tl468n08a #recomendações

Hipertensão na grávida: sumário da guideline da NICE 
https://t.co/YrnPqsjJT4 #recomendações

Revisões sistemáticas

Antipsicóticos para prevenção de delírio em doentes hospitalizados? Menos sff 
https://t.co/e27BuvSVv0 #revisãosistemática

Gestão da depressão no idoso: revisão sistemática de estudos qualitativos 
https://t.co/wRgeKxHjuM #revisãosistemática

Estudos Primários

Vitamina D em altas doses em adultos saudáveis não melhora a saúde do osso e pode até diminuir a densidade do mesmo. Caso ainda alguém tivesse dúvida da inutilidade. 
https://t.co/3qd4ICbq0N #experimental

Cancro da mama: avaliação da sobrevida livre de recorrência a longo prazo associada à terapia com tamoxifeno em mulheres na pós-menopausa com história de cancro de mama luminal A ou luminal B 
https://t.co/RY0p5f2D5c #experimental

Nova classe de antidepressivos. Estudo financiado pela indústria revela efeito a 15 dias. Amostra pequena. A ter debaixo de olho. 
https://t.co/IqvnRmQHYe #experimental

Exame objectivo em cuidados primários: importante para diagnóstico e para relação médico-doente 
https://t.co/voSM6d42Xa #qualitativo

Microplásticos detectados em fezes humanas. Estudo muito pequeno, exploratório, que mais que nada parece-me que abre uma linha de investigação sobre esta nova realidade e os seus efeitos na saúde. Para estar atentos. 
https://t.co/MLWwAGXjf4 #observacional

Maior ingestão de proteínas provenientes de plantas associada a maior longevidade. Coorte de 18 anos de seguimento de +70000 japoneses 
https://t.co/RY0p5fkdWK #observacional

Enfartes e AVC em pessoas com diferentes dietas: carne vs peixe vs vegetariano. 18 anos de follow up 
Nota: observacional, desenho que não permite estabelecer causalidade
https://t.co/z8m6ZK01g6 #observacional

Vaping: NEJM reporta casos de doença pulmonar severa (já tinha dado conta que o CDC estava a investigar) https://t.co/zc20OMrHg3 
imagens aqui – https://t.co/JYGhMha2Al #observacional

Erradicar H.Pilory + suplementar com vitaminas e alho por 7,3 anos associado a menor incidência de morte por neoplasia gástrica.
Cá para mim podia meter “erradicar H.Pilory + observar a relva crescer” q o resultado era o mesmo 
https://t.co/CXWNMpr8wK #observacional

Diabetes: reportam estabilidade ou tendência de decréscimo da incidência da diabetes em muitos países desenvolvidos. …será? efeitos da prevenção?
https://t.co/dIRkp1c1Fp #observacional

Depressão: meio rural ajuda a recuperar (vs urbano) mas demasiada ruralidade (maior distância ao centro clínico) agrava. O efeito do isolamento… 
https://t.co/EBCoSEdZBC #observacional

Adolescentes e depressão: quanto mais tempo nas redes sociais maior o risco. 
https://t.co/3dpsbjqGNF #observacional

ECG de 1 derivação em smartphone em cuidados primários. Estudo pequeno. Mas é uma realidade com a qual vamos ter de lidar. Vai-nos cair em cima 
https://t.co/Ev7A8jyPE7 #diagnóstico

Por que é que os programas de e-health falham? Porque são avaliados com a lente científica e não com a social. Debate relevante 
https://t.co/sFTIlX9bog #opinião

iSGLT2 e prevenção de eventos renais em diabéticos – sinopse da evidência 
https://t.co/I8Y8wKnVRs #sinopseEBM

Gravidez: recomendar vigilância dos movimentos fetais no terceiro trimestre pode não ser útil e até induzir malefício. 
https://t.co/8oqIssiDGR #sinopseEBM

Exames de rotina = cuidados de saúde de baixo valor. Não são efectivos 
https://t.co/8kSdU49ZuS #sinopseMBE

Empatia em tempos de história clínica electrónica 
https://t.co/p7VBhTq9zE #opinião

Reduzir a sobreutilização de cuidados médicos – sobrediagnóstico e sobretratamento – passa por reconhecer que as boas intenções podem (não intencionalmente) fazer mal às pessoas 
https://t.co/FuLQHOqigg #opinião

Desenhar cuidados de saúde para as pessoas que realmente necessitam deles. A omnipresença da multimorbilidade pela visão de um investigador crucial na matéria 
https://t.co/L51fvaRdqv #opinião

Redefinindo insuficiência cardíaca com fracção de ejecção reduzida. Isso e a fragilidade dos limites diagnósticos em medicina. 
https://t.co/E79xJtmvHk #opinião

Outros

Candida auris – revisão clínica 
https://t.co/Cs1rUaeT9j #educação

Nódulos da tiróide: revisão clínica 
https://t.co/cNlN8oPYAX #revisãodetema


todos estes artigos são publicados ao longo da semana na conta twitter @davsrodrigues

Declaração de Copenhaga para Actividade Física e Envelhecimento – Notas de Evidentia #222019

Por Sofia Gonçalves Ribeiro

PERGUNTA CLÍNICA

Qual o efeito da actividade física nos idosos, no que diz respeito à capacidade funcional e cognitiva, saúde mental, alteração de comportamentos e inclusão social?

A RETER

Consenso de peritos elaborado por 26 investigadores, de várias áreas, baseado em evidencia científica, sobre efeito da actividade física nos idosos. Este consenso reforça os vários benefícios da actividade física, contudo realça a necessidade de mais estudos sobre os tipos de exercícios e a duração/frequência da sua prática.

QUAL A RELEVÂNCIA DESSA PERGUNTA?

O aumento da prevalência da população idosa tem desencadeado várias preocupações, nomeadamente em encontrar práticas que promovam um envelhecimento activo e saudável.  A actividade física tem demonstrado múltiplos benefícios, sendo que este artigo pretende resumir o estado da arte sobre os efeitos da actividade física nos idosos.

QUEM FINANCIOU?

Os autores não declararam nenhum financiamento.

QUE TIPO DE PERGUNTA FAZ ESTE ESTUDO?

Consenso de peritos.

CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS

De 19-22/novembro/2018, 26 investigadores representando nove países e várias áreas académicas reuniram-se na Dinamarca, com o objectivo de elaborar um consenso baseado em evidência cientifica sobre actividade física e idosos. As declarações apresentadas são baseadas em associações longitudinais obtidas de estudos observacionais e estudos controlados e aleatorizados, bem como em estudos sociais quantitativos e qualitativos em idosos saudáveis da comunidade, abarcando diferentes metodologias e matérias (epidemiologia, medicina, fisiologia, neurociência, psicologia, sociologia). Os autores não apresentam as referências bibliográficas, pelo que não temos acesso aos estudos em que se basearam para chegarem às suas conclusões. Contudo, referem ter tido em conta os pontos fortes e limitações de cada metodologia dos estudos analisados. Não é indicado o nível de evidência ou força de recomendação.

QUAIS SÃO OS RESULTADOS (DECLARAÇÕES)?

Os autores dividiram as suas declarações em 4 temas: 1. Capacidade funcional e saúde; 2. Função cognitiva e saúde mental; 3. Modificação de comportamentos, motivação e hábitos; 4. Perspectiva social.

Declarações mais relevantes:

  • Idosos fisicamente activos, em comparação com idosos inactivos, mostram benefícios em termos de função física e cognitiva, mobilidade, dor músculo-esquelética, risco de quedas, fracturas, depressão, qualidade de vida e compreensão da incapacidade.
  • A inactividade física em idosos está associada a uma maior probabilidade de doença e aumento do risco de mortalidade prematura por todas as causas. As condições e doenças incluem disfunção metabólica, doenças cardiovasculares, alguns tipos de neoplasias e sarcopénia.
  • Os benefícios da actividade física (por exemplo, melhor função física e mortalidade prematura reduzida) podem ocorrem mesmo quando realizada em menor volume e intensidade do que as guidelines frequentemente recomendam (150 min de actividade física de intensidade moderada a vigorosa por semana).
  • São necessários mais estudos para determinar que tipo de exercício, (por exemplo, resistência, equilíbrio, flexibilidade, exercício aeróbico ou uma combinação de modalidades) e qual é a duração e intensidade do exercício necessário para optimizar os seus benefícios.
  • Estudos observacionais proporcionam evidência consistente de que o declínio cognitivo associado ao envelhecimento (também observado, por exemplo, na doença de Alzheimer e na doença de Parkinson) pode ser atrasado nos idosos activos.
  • Estudos controlados e aleatorizados que habitualmente incluem 3 horas de actividade física por semana em períodos que variam entre alguns meses a 1 ano, mostram uma melhoria na estrutura e função do cérebro e da capacidade cognitiva, perceptual e motora.
  • Auto-eficácia, motivação, depressão e saúde auto-referida estão associados a actividade física nos idosos.
  • A prática de exercício é influenciado por factores interpessoais, ambientais e políticos.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Bangsbo, Jens, et al. «CopenhagenConsensusStatement 2019: PhysicalActivityandAgeing». BritishJournalof Sports Medicine, Fevereiro de 2019, p. bjsports-2018-100451. DOI.org (Crossref), doi:10.1136/bjsports-2018-100451.

https://t.co/cHGQEgYRqf

Lombalgia e o Dr. Google: qual a credibilidade das recomendações em websites gratuitos? – NOTAS DE EVIDENTIA #212019

Por Maria José Correia

Pergunta Clínica

Qual a credibilidade, exatidão e abrangência das recomendações sobre lombalgia aguda, persistente ou com características radiculares em website gratuitos, sem fins comerciais, vistos como fiáveis pela população?

A Reter

Este estudo tinha como objetivo avaliar a credibilidade, a exatidão e a abrangência das recomendações sobre o tratamento das dores de costas em páginas web de instituições governamentais e/ou sem âmbito comercial, tidas como fiáveis pelos utentes. Segundo os autores, a informação presente é de baixa qualidade, pelas numerosas inexatidões e por não abordar a maioria das recomendações da NICE (2016) ou AFP (2017) sobre o tratamento da lombalgia. Se a população recorre habitualmente à internet como fonte de informação sobre problemas de saúde, deveria estar disponível informação atualizada, fiável e de fácil compreensão de maneira a contribuir para a literacia em saúde dos nossos utentes. Seria interessante replicar este estudo em contexto nacional para ver se os resultados seriam semelhantes.

Qual a relevância dessa pergunta?

De acordo com alguns estudos, a maior parte das pessoas recorre à internet para obter informações sobre problemas de saúde antes de recorrer ao seu médico assistente. Quando utilizada corretamente, a informação permite diminuir o número de visitas a uma instituição de saúde. No entanto, se a informação disponibilizada for de baixa qualidade, haverá uma maior procura por cuidados de saúde que poderia ser dispensada, associada a maior ansiedade por parte das pessoas.

Quem financiou?

Bolsas de investigação financiadas pela National Health Medical Research Council Early Career Fellowship

Que tipo de perguntas faz este estudo?

Revisão sistemática

Considerações metodológicas

Apesar de se descrever como uma revisão sistemática, o artigo tem como objetivo caracterizar as páginas web de forma detalhada e sistemática. Não existem estudos semelhantes sobre esta temática que visem apenas páginas web sem fins comerciais. Os dados foram retirados de páginas web de instituições governamentais, hospitais, ordens profissionais e universidades, assim como de organizações sem fins lucrativos de 6 países anglófonos. Em todas tinha que constar informação sobre o tratamento da lombalgia aguda, persistente com ou sem irradiação. As palavras chave relacionadas com lombalgia foram codificadas com recurso a Google Adwords, individualmente para cada país e, posteriormente, colocadas no motor de busca Google. Um investigador avaliou as primeiras 50 entradas de cada palavra chave e forneceu os urls aos restantes investigadores para avaliação. Apesar de Google Adwords não ser considerado um mecanismo válido para investigação, neste caso foi a solução encontrada para adaptar as palavras-chave à população do país. A escolha das 50 entradas da pesquisa do Google é representativo do que um utilizador médio faria. Os investigadores compararam a informação das páginas com as recomendações da NICE (2016) e ACP (2017) para o tratamento da lombalgia aguda, persistente e com irradiação. A informação das páginas foi classificada segundo:

  1. Credibilidade – usando os critérios JAMA benchmark,
  2. Exactidão – proporção de recomendações que seguiam as guidelines,
  3. Abrangência – proporção de medidas recomendadas sobre o total de recomendações das guidelines.

Quais são os Resultados?

Globalmente, as recomendações encontradas sobre lombalgia não são abrangentes e são na maioria dos casos pouco fiáveis, estando desatualizadas em 68% dos casos. As páginas web incluídas neste estudo pertenciam sobretudo a hospitais ou agências governamentais (68%) e a maioria delas não disponibilizava referências (73,4%), autores (77.25%) ou declaração de conflito de interesses (93.7%). As recomendações sobre lombalgia aguda são as mais exatas (50,4%) e abrangentes (28.6%), de acordo com as guidelines da NICE e AFP, quando comparadas com as recomendações sobre lombalgia persistente (exactidão 38.3%, abrangência 18%) ou lombalgia irradiada (exatidão 38.7%, abrangência 16.4%).

Globalmente, as recomendações encontradas nas páginas web não permitem que se faça uma verificação de fontes/autores, o que as torna menos credíveis. A informação constante nas páginas é de baixa qualidade, sendo pouco exactas e abrangentes para todos os tipos de lombalgia.

Como posso aplicar os resultados aos meus doentes?

Este estudo serve para nos colocar de sobreaviso relativamente à informação sobre saúde que existe disponível online. A maioria das páginas de internet apresenta informação de baixa de qualidade, pelo que é importante alertar os utentes para o tipo de informação que procuram na internet, para a fiabilidade dos dados e para os riscos versus benefícios de aceder a esta informação antes de contactar um médico. Por outro lado, deixa-nos também em sobreaviso para a necessidade de indicar/criar páginas web com informação fiável e clara sobre os problemas de saúde mais frequentes para os utentes, contribuindo para o aumento da literacia em saúde, baseado na melhor evidência científica disponível.

Referência Bibliográfica

Ferreira, Giovanni, et al. «Credibility, Accuracy, and Comprehensiveness of Internet-Based Information About Low Back Pain: A Systematic Review». Journal of Medical Internet Research, vol. 21, n. 5, 2019, p. e13357. http://www.jmir.org, doi:10.2196/13357

https://www.jmir.org/2019/5/e13357/

Ovário Poliquístico: recomendações para avaliação e gestão clínica – notas de evidentia #202019

Por Mónica Fonseca

Pergunta Clínica

Qual a avaliação e tratamento recomendados no Síndrome do Ovário Poliquístico (SOP), com base na melhor evidência disponível e experiência clínica?

A Reter

Orientação clínica com colaboração internacional, baseada na evidência disponível, incluindo 166 recomendações e aspectos a ter em conta na nossa prática clínica. São abordadas e priorizadas questões relevantes para a promoção de cuidados de saúde mais consistentes e rigorosos com o objetivo de garantir a prestação de cuidados mais individualizados e satisfatórios para as utentes. As principais recomendações estão descritas na secção “Quais são os resultados?”.

Qual a relevância dessa pergunta?

SOP é a endocrinopatia mais frequente em mulheres em idade fértil. As orientações anteriores apresentam limitações e inconsistências que colocam em causa o melhor seguimento e satisfação destas utentes.

Quem financiou?

Australian National Health and Medical Research Council of Australia (NHMRC) European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE) e American Society for Reproductive Medicine (ASRM).

Que tipo de perguntas faz este estudo?

Orientação Clínica (guideline).

Quais são os Resultados (Recomendações e Força de recomendação)?

As orientações clínicas existentes até esta publicação evidenciam a ausência de metodologia rigorosa e robustez no que se refere à evidência. Por outro lado, carecem de uma perspectiva multidisciplinar desejável nesta patologia. O diagnóstico de SOP permanece controverso e a avaliação/plano de seguimento clínico desta patologia são inconsistentes e as necessidades. Com este orientação clínica, verifica-se que a evidência disponível corresponde a baixa-moderada qualidade. Nela constam 31 recomendações baseadas em evidência, 59 recomendações clínicas de consenso e 76 aspectos a ter em conta na prática clínica. As principais diferenças relativamente às orientações disponíveis, incluem: critérios diagnósticos individuais com foco na melhoria da precisão do diagnóstico; importância da redução de testes desnecessários; aumentar o foco na educação, na modificação do estilo de vida, no bem-estar emocional e na qualidade de vida; ênfase numa prática clínica baseada em evidência na gestão da infertilidade. Deixamos em tabela um resumo das principais recomendações:

Como posso aplicar os resultados aos meus doentes?

É possível reproduzir a intervenção estudada no meu contexto de trabalho, tendo sido considerados todos os resultados clinicamente importantes para o doente. Para as recomendações fortes, existe concordância entre o nível de prova científica e a força de recomendação atribuída. Para as recomendações fracas, de certa forma, a informação que é fornecida promove a tomada de decisão partilhada.

Referência Bibliográfica

Teede, Helena J., et al. «Recommendations from the International Evidence-Based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome†‡». Human Reproduction, vol. 33, n. 9, Setembro de 2018, pp.1602–18. DOI.org (Crossref), doi:10.1093/humrep/dey256

https://t.co/fKruA39EU8

Atendendo à existência de múltiplas recomendações, para mais detalhe, consideramos mais pertinente a consulta da Tabela III do artigo (disponível em https://www.fertstert.org/article/S0015-0282(18)30400-X/pdf pp.368-377), que se encontra organizada em: Rastreio, diagnóstico e avaliação de risco de comorbilidades ao longo do ciclo de vida; Prevalência, avaliação, diagnóstico e tratamento de patologia mental e impacto da doença na qualidade de vida; Eficácia das intervenções no estilo de vida e princípios a ter em conta no tratamento farmacológico da doença; Avaliação e tratamento da infertilidade.

Polifarmácia: Será que a revisão da medicação dirigida aos objectivos pessoais do doente leva a melhor qualidade de vida e diminui o número de problemas de saúde? Ensaio DREAMeR – Notas de evidentia #192019

Por Marina Teixeira

Pergunta Clínica

Em idosos com mais de 70 anos e com pelo menos 7 fármacos em medicação crónica, a revisão clínica da medicação tem impacto nos objetivos pessoais de qualidade de vida relacionados com a saúde?

A Reter

Neste estudo foi efetuada uma revisão da terapêutica de pessoas com mais de 70 anos e com mais de 7 medicamentos como medicação crónica, tendo em conta a sua qualidade de vida e problemas relacionados com a saúde identificados pelo idoso. Apesar de terem sido envolvidos Médicos de Família, a intervenção foi efetuada por farmacêuticos em farmácias comunitárias, sendo que quer o farmacêutico, quer o participante no estudo sabiam a que grupo este último estava alocado. Em relação aos resultados, nas escalas utilizadas para medir a qualidade de vida houve diferença, ainda que pequena, na medição através da escala EQ-VAS e diminuição do número de problemas de saúde com impacto moderado a grave. Na avaliação pela escala EQ-5D-5L e no número total de problemas de saúde, a diferença não foi estatisticamente significativa.

Qual a relevância dessa pergunta?

Apesar de existir evidência de que a revisão da medicação reduz intercorrências relacionados com os fármacos, a evidência da sua tradução em bem-estar e qualidade de vida nas pessoas idosas é escassa ou inexistente.

Quem financiou?

Royal Dutch Pharmacists Association (Associação Holandesa dos Farmacêuticos); Service Apotheek (franchise de farmácias comunitárias)

Que tipo de pergunta fez este estudo?

Tratamento – Ensaio clínico aleatorizado.

Considerações metodológicas

Realizou-se um ensaio clínico, onde doentes com idade ≥70 anos a realizar ≥ 7 fármacos em toma crónica foram aleatorizados em bloco para receber os cuidados habituais ou realizar uma revisão clínica da medicação. Pretendia-se avaliar a qualidade de vida associada a saúde e número de problemas de saúde após 6 meses. Os participantes e clínicos não estavam cegos, dada a natureza da intervenção, mas o avaliador de resultados estava cego. Uma vez que houve alguma perda de follow-up (83,8% dos participantes reportaram dados aos 6 meses), os autores realizaram uma análise por intenção de tratar e por protocolo. Não foi tida em conta a complexidade da intervenção, nomeadamente a que aspecto da intervenção efetuada se poderiam dever os resultados encontrados.

Quais são os resultados?

Em relação às escalas utilizadas para medir a qualidade de vida relacionada com Saúde:

  • Na EQ-VAS houve uma diferença média de +3.4 pontos em 6 meses (95% IC 0.94 a 5.8), estatisticamente significativa.
  • O número de problemas de saúde com impacto moderado a grave na vida diária a diferença média foi de -0.34 em 6 meses comparado com o grupo controlo (95% IC -0.62 a -0.044), estatisticamente significativa.
  • Na EQ-5D-5L houve uma diferença média de -0.0022 em 6 meses (95% IC – 0.024 a 0.020), diferença não significativa.
  • Para o número total de problemas de saúde a diferença média foi de -0.30 em 6 meses quando comparado com o grupo controlo (95% IC -0.64 a 0.027), diferença não significativa.

Não houve diferença significativa entre a análise por intenção de tratar e a por protocolo.

Como posso aplicar estes resultados aos meus doentes?

O modelo utilizado neste estudo não é a norma em Portugal, uma vez que não existe um farmacêutico oficialmente responsável por gerir a medicação do doente. Neste contexto, esta intervenção não seria fácil de aplicar globalmente. Ainda assim, existem já unidades de saúde que promovem reuniões com as farmácias locais para estimular a articulação entre estes grupos profissionais. Talvez seja um primeiro passo para um dia podermos melhorar a nossa realidade.

É importante também lembrar que a intervenção de revisão terapêutica envolvendo as expetativas e problemas identificados pela pessoa é complexa, não esquecendo o risco de viés (embora difícil de evitar dada a natureza desta intervenção) presente neste ensaio clínico, devido ao facto de doentes e profissionais de saúde não estarem cegos para a intervenção realizada em cada participante.

Referência bibliográfica:

Verdoorn, Sanne, et al. «Effects of a Clinical Medication Review Focused on Personal Goals, Quality of Life, and Health Problems in Older Persons with Polypharmacy: A Randomised Controlled Trial (DREAMeR-Study)». PLOS Medicine, editado por Aaron S. Kesselheim, vol. 16, n. 5, Maio de 2019, p. e1002798. DOI.org (Crossref), doi:10.1371/journal.pmed.1002798.

https://journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.1002798

Evidentia da semana #342019

Esta semana excepcionalmente mais cedo porque o autor também merece férias 🙂 Voltarei na segunda semana de Setembro!

Destaque

Ainda hoje teremos novo episódio do podcast. Mantemos a saga Choosing Wisely que parece estar a ter sucesso. Obrigado pelo apoio!

Temos alguns artigos relevantes para a prática clínica esta semana. Ora vejam bem:

Revisões sistemáticas

Osteoporose: medicamentos NÃO reduzem mortalidade. Meta-análise de 38 ensaios clínicos. Menos pessoal, menos… 
https://t.co/htwHWyUaGM #revisãosistemática

Níveis mais altos de actividade física total, em qualquer intensidade, e menos tempo em sedentarismo, associados a risco substancialmente reduzido de mortalidade 
https://t.co/cZTERxx5tT #revisãosistemática

Esqueçam os omega-3, omega-6, PUFA e similares para prevenção e tratamento de diabetes. Não funciona! 
https://t.co/BwbPJoqL0o #revisãosistemática

Prevenção de AVC após colocação de stent cardíaco: meta-análise em rede que a revelar algo é que precisamos de evidência mais clara. Decisão deve ser mesmo individualizada 
https://t.co/iHH5otvSOx #revisãosistemática #nma

Estudos primários

Hipertensão na gravidez: ensaio clinico que compara labetalol, nifedipino retard ou metildopa. Qualquer um dos três é boa opção. 
https://t.co/CqOjAhJNgl #experimental

Lombalgia em pessoas com trabalho de carga e elevado risco de necessitar baixa médica: intervenção ocupacional complexa (consulta + avaliação e plano individualizado + actividade física) VS 1 consulta hospitalar + RMN 😕 
https://t.co/AtMzPf5ZO7 #experimental

Inibidores da bomba de protões: ensaio clínico revela maior risco de infecções entéricas quando se toma de forma crónica (3 anos neste caso). Curioso que o artigo faz enfâse na segurança mas desvaloriza este dado. 
https://t.co/i8PvaiA7pH #experimental

Dça. Refluxo Gastro Esofágico condiciona ansiedade, alterações do sono e disfunção da articulação temporo-mandibular (dor crónica). 
https://t.co/lfjUp507do #observacional

Álcool – falta formação aos profissionais de saúde na primeira linha para lidar com os problemas relacionados com o álcool. Extremamente importante. Gostava de ver replicado por cá. 
https://t.co/vHMt5H95tk #observacional

Hipertensão: alta hospitalar c/ intensificação do tto antiHTA em pessoas internadas por patologia não cardíaca NÃO controla mais a TA nem reduz eventos CV mas PROVOCA mais re-internamentos e eventos graves a 30 dias. 
https://t.co/vPgcsiWojt #observacional

Multimorbilidade: será que os médicos de família conseguem identificar a situação clínica mais relevante para os seus doentes? Sim… em 54,9% dos casos. 😕 
https://t.co/Sb4QNoFQXl #observacional
PS: estudo recuperado de 2018

Tabagismo intenso condiciona risco cardiovascular elevado mesmo após cessação. Aposta na prevenção é essencial. 
https://t.co/hUWeWoTZSg #observacional

Relação entre inalação de partículas de poluição do ar (poluição industrial, tabaco directo e indirecto incluídos) e mortalidade.
Mega estudo corrobora. 
https://t.co/y8VGK2irfW #observacional
Editorial – https://t.co/GFeguxaNc5 #opinião

Machine learning nos cuidados de saúde – proposta de orientações para que se cumpra a lei máxima da medicina: primum non nocere 
https://t.co/fPZn2oLZFn #opinião

Devemos considerar a obesidade uma doença? Discussão muito muito importante https://t.co/bLG0tVOkpF #opinião

Rastreios nos idosos. Quando parar? 
https://t.co/y4yFfD0DLM #opinião
PS: obrigado Prof. Luiz Santiago pela referência

Muito interessante! Contraditório da ideia que o envelhecimento acarreta muitos custos sociais (também nos cuidados de saúde). #opinião https://t.co/w36gyFvAcR

Outros

CDC comunica que está a investigar casos de doença pulmonar severa potencialmente associados com vaping https://t.co/vyo1Kceo7v #noticias

Navegando a incerteza: gestão de infecções frequentes. A maioria não precisa de antibióticos. Recurso muito bom. 
https://t.co/OorXWK8ufG #educação

Alterações climáticas, saúde e cuidados de saúde – fantástico recurso educacional do @NEJM https://t.co/ZtXyVDqtoj #educação

Use o creme mais barato. Quando não há evidência, só marketing. Mais uma fantástica contribuição do fenomenal James McCormack

Evidentia da semana #332019

Destaque

Podcast Evidentia Médica | estamos a falar do programa Choosing Wisely Portugal

Idosos e Fragilidade – treino de força e suplementação proteica têm eficácia para atrasar/reverter a fragilidade? – Notas de evidentia #182019

A não perder a secção final “Outros

Revisões sistemáticas

Vitamina D (nem de propósito na semana em que a DGS emite norma): suplementar não diminui mortalidade (risk ratio 0.98, 95% – CI 0.95 to 1.02, I2=0%) https://t.co/ObVjqv1rYz #revisãosistemática
caso tenham interesse a norma da DGS aqui

Diabetes iGLP-1 e resultados cardiovasculares, renais e mortalidade: revisão sistemática e metanálise  https://t.co/uvS6zEKrmt #revisãosistemática

Estudos primários

Prevenção de depressão pós-parto: terapia cognitivo comportamental feita ao casal foi mais eficaz que aquela feita apenas à mãe. https://t.co/H9tIjRnPXr #experimental

Estudo COMPASS – avaliação de outcomes cardiovasculares em doentes a fazer anticoagulantes. Rivaroxabano+AAS vs Rivaroxabano vs AAS
Fazem de tudo para justificar a associação mas os factos são claros: sem diferença entre os grupos em todos os outcomes.
https://t.co/KP8iGEVPDA #experimental

Inibidor da bomba de protões para doentes que fazem AAS ou NOAC? Naqueles de baixo risco hemorrágico não faz sentido.  https://t.co/EQtdhedRWu #experimental

OMS – Ébola: dois fármacos com resultados muito prometedores. Ensaios interrompidos prematuramente por resultados favoráveis (90% sucesso terapêutico) https://t.co/oCrUB5x7ir #experimental

Ibuprofeno na dor: dose de 600 não tem mais eficácia que a de 400 mg.  https://t.co/DqFgty8oZ1 #experimental

RMN vs mamografia no rastreio Ca Mama mulheres com risco familiar: RMN detecta mais cancros em fase inicial à custa de mais do dobro de falsos positivos. Não mediram mortalidade e pouco se fala de sobrediagnóstico.  https://t.co/Dc2JaNeYN6 #experimental

Restrição calórica moderada em indivíduos saudáveis jovens e de meia-idade e não-obesos melhora múltiplos factores de risco cardiometabólico. Ou seja, ingerimos calorias a mais. Queria ter visto outcomes mais relevantes https://t.co/UdXA8hE4Il #experimental

Quais os aspectos positivos na Medicina Geral e Familiar e porquê escolher MGF? – médico como pessoa – competências especiais – relação médico-paciente, – liberdade na prática – equilíbrio entre vida pessoal e profissional https://t.co/Prk6HiCBOS #qualitativo

Adiposidade geral e abdominal associada a maior mortalidade. Coorte 150.000 pessoas A obesidade é um problema social, não apenas clínico.  https://t.co/ffuNOIykN2 #observacional

Suspender NOAC em doentes c/ FA por cirurgia electiva sem ponte c/ HBPM? é seguro se individualizarmos o tempo de interrupção:
– 1 dia antes e depois – procedimentos de baixo risco
– 2-3 dias antes e depois – procedimentos de alto risco 
https://t.co/boZKB4EgGI #observacional

Multimorbilidade, independentemente de qual a conjugação de doenças, provoca padrões semelhantes de:
– desafios clínicos
– utilização de cuidados de saúde e
– custos 
https://t.co/KlubrdPM6k #observacional

Social media e saúde mental de adolescentes (sexo feminino): cyber bullying e deslocação de tempo de actividade física e sono como explicações dos efeitos negativos https://t.co/z6GzPVgaLH #observacional

Gravidez parece reduzir risco de cancro endometrial.  https://t.co/7pRcSHCXqN #observacional

Diabetes: apesar de maiores recursos tecnológicos dos últimos 10 anos (incluindo fármacos), os resultados clínicos permanecem iguais. Pequeno alerta para a complexidade dos cuidados médicos. Não são só medicamentos https://t.co/HIeueTsYud #observacional

A ingestão de glúten no início da vida associado a aumento do risco de doença celíaca em crianças de elevado risco (positivas para HLA associado a diabetes tipo 1 e dça celíaca)  https://t.co/GeGnZQMP1X #observacional

Características dos sistemas informáticos clínicos associados com burnout médico. Imagino replicar isto cá em Portugal.
Ui… Alô SPMS?? Alô? Oi? Está alguém desse lado? Prof. Henrique?  https://t.co/CeTrMuCjtv #observacional

Gestão do risco de cancro de ovário em mulheres com variantes patogénicas BRCA1/2 https://t.co/canRMWVuZS #revisãonãosistemática

Outros

O escândalo do Primodos, um “teste de gravidez” cujos dados de segurança foram ignorados/ocultados/negados. Um comprimido equivale a ~40 pílulas anticonceptivas actuais. Milhares sofreram os efeitos. via @carlheneghan  https://t.co/IwDFcDfFzo #história

Estratégias comunicacionais para transmitir informação de prognóstico aos doentes. https://t.co/CCUN1W1Had #educação

A necessidade de melhorar a investigação nas intervenções alimentares  https://t.co/PJyPcDvyX6 #opinião

Fazer férias mais vezes diminui risco de síndrome metabólico. Bem me parecia… 🙂 https://t.co/M6T0Udu9JD #opinião

Inibidores PCSK9 – revisão das recomendações e síntese da evidência Continuam a custar uma exorbitância… https://t.co/gDwOHU65jw #sinopse

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