Episódio #8 Diabetes, Doce Problema – parte IV

No episódio #8 continuamos a discutir alguns dos estudos mais relevantes na diabetes. Desta feira avançamos para estudos relativamente contemporâneos e que levantam a pergunta se a procura de controlo glicémico intensivo traz benefícios para os diabéticos tipo 2.

Estudo em DMT1 mencionado na contextualização: DCCT (link)

Tabela comparativa ADVANCE – ACCORD – VADT – UKDPS:

Captura de ecrã 2018-06-03, às 18.55.36.png

Algumas das nossas notas

ACCORD (link)

P – 10251 diabéticos com elevado risco CV; ~10 anos de DMT2; idade média 62; A1c média 8,2%; IMC 32; 64% caucasianos; 85% com anti-HTA; 35% com doença CV prévia; grupos bastante homogéneos à partida.
I – terapia intensiva (visando um nível de HbA1 < 6,0%) –
C – terapia não-intensiva (visando um nível de HbA1 de 7,0 a 7,9%)
O –  “composto de  #1 EAM não fatal; #2 AVC não fatal; #3 morte por causas cardiovasculares.”

Resultados: Terapia intensiva vs não-intensiva (RD – risk difference – diferença de riscos)#1 EAM não fatal – RD: 1.0% (0.2; 1.7); NNT=104#2 AVC não fatal – RD: 0.1% (-0.6; 0.3); n/s#3 morte por causas CV – RD: -0.8 (-1.4; -0.2); NNH=125
Mortalidade global – RD: -1.0 (-1.9; -0.2); NNH=95 – 1 morte extra por cada 95 doentes tratados em 3,5 anos.Hipoglicemia que requer cuidados médicos – RD: -7.0(-8.0; -6.0) NNH=14Aumento de peso – RD: -13.4 (-14.9; -11.8); NNH=7″.

ADVANCE (link)

P – 11140 diabéticos; ~8 anos de DMT2; idade média 66; A1c média 7,48%; IMC 28; 45% europeus; ~32% antecedentes de doença cardiovascular major; ~10% antecedentes de doença microvascular; 75,1% com anti-HTA
I – controlo intensivo da glicose (glicazida+outros fármacos), visando um nível de HbA1≤6,5%
C –  controlo convencional da glicose (outra SU que não a gliclazida + o que fosse necessário) – objectivo A1c em função das guidelines locais.
O – “composto de #1 eventos macrovasculares major (morte por causas CV, EAM não fatal, AVC não fatal); #2 eventos microvasculares major (novo ou agravamento de nefropatia ou retinopatia);”
Resultados: 5 anos de seguimento, HbA1c média foi menor no grupo intensivo (6,5%) do que no grupo control (7,3%). braço intensivo reduziu a incidência de grandes eventos macrovasculares e microvasculares combinados (18,1% vs. 20,0% com controle padrão; hazard ratio 0,90; 95% intervalo de confiança [IC] 0,82 a 0,98; P = 0,01). como os principais eventos microvasculares (9,4% vs. 10,9%; razão de risco, 0,86; IC 95%, 0,77 a 0,97; P = 0,01), principalmente devido à redução na incidência de nefropatia (4,1% vs. 5,2%; razão de risco, 0,79, IC 95%, 0,66 a 0,93, P = 0,006), sem efeito significativo sobre a retinopatia (P = 0,50). Não houve efeitos significativos nos principais eventos macrovasculares (razão de risco com controle intensivo, 0,94; IC 95%, 0,84 a 1,06; P = 0,32), morte por causas cardiovasculares (razão de risco com controle intensivo, 0,88; IC95%, 0,74 a 1,04, P = 0,12), ou morte por qualquer causa (hazard ratio com controle intensivo, 0,93; IC95%, 0,83 a 1,06; P = 0,28). A hipoglicemia grave, apesar de incomum, foi mais comum no grupo intensivo (2,7%, contra 1,5% no grupo controle padrão; razão de risco, 1,86; IC 95%, 1,42 a 2,40; P <0,001).

VADT (link)

P – 1791 veteranos do serviço militar com resposta insatisfatória à tx para a DM2; idade média 60,4; 11,5 anos de DMT2; 40% com antecedentes de eventos CV; A1c média 9,4%; IMC 31,3
I – controlo intensivo (visando uma redução do valor absoluto de 1,5 pontos percentuais da HbA1c, comparativamente ao grupo com tx convencional)
C – controlo convencional
O – “tempo até à ocorrência do 1º evento CV major, composto de: #1 EAM #2 AVC #3 morte por causas CV #4 Insuficiência cardíaca congestiva #5 cirurgia para doença vascular #6 doença coronária inoperável #7 amputação por gangrena isquémica”

Resultados: acompanhamento médio foi de 5,6 anos. A mediana HbA1c foi 6.9% grupo intensivo vs 8,4% no grupo controlo. A variável resultado primária ocorreu em 235 pacientes no grupo de terapia intensiva e 264 pacientes no grupo de controlo (RR 0,88; IC 95%, 0,74 a 1,05; P = 0,14) . Não houve diferença significativa entre os dois grupos em qualquer componente da variável resultado primária ou na taxa de morte por qualquer causa (HR, 1,07; 95% CI, 0,81 a 1,42; P = 0,62). Nenhuma diferença entre os dois grupos foi observada para complicações microvasculares. Hipoglicemia, ocorreu 24,1% no grupo intensivo vs 17,6% no grupo controlo

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