Tonturas nos idosos – notas de evidentia #7 | 2019

Por Mariana Prudente

Como identificar os idosos com tonturas com maior risco de evolução desfavorável?

O que fizeram?

Os autores criaram uma ferramenta auxiliar na abordagem de idosos com tonturas a nível dos CSP.
Tendo por base 2 estudos coorte prospetivos, multicêntricos, na Holanda:
– o RODEO (Reduction Of Dizziness in older pEOple), para a coorte de desenvolvimento – incluíram 203 idosos de ≥ 65 anos entre Janeiro de 2015 e Julho de 2016, que recorreram à consulta do seu MF por tontura nos 3 meses anteriores com grande impacto na sua qualidade de vida (Dizziness Handicap Inventory ≥ 30).
– o DIEP (Dizziness In Elderly Patients), para a coorte de validação externa com 415 idosos que recorreram à consulta com o seu MF entre Julho de 2006 e Janeiro de 2008 por tontura independentemente do valor de DHI.
– Definiram uma evolução desfavorável como a presença de um grau de incapacidade significativo relacionado com a tontura (DHI ≥ 30) após 6 meses.
– Avaliaram quais as variáveis que tinham relação com o mesmo e criaram um modelo de predição com base nas com mais significado.
– No final, avaliaram o seu desempenho quanto à calibração e discriminação, convertendo depois o modelo preditivo num score de risco através de métodos estatísticos.

O que concluem?

A pontuação no questionário DHI, a idade, a história de disritmia e ter como desencadeante o ‘olhar para cima’ são preditores de uma evolução desfavorável das tonturas nos idosos.

Assim, construíram uma ferramenta auxiliar para a prática clínica na abordagem destes doentes, nesta uma pontuação ≥ 134, relaciona-se com o risco de evolução desfavorável nestes doentes (especificidade 91.9%,; sensibilidade de 35,4%).

Notas: Após os 6 meses de follow-up, 73.9% dos 203 idosos da coorte de desenvolvimento e 43.6% dos 415 da coorte de validação apresentaram uma evolução desfavorável. Sendo que os autores descrevem a inexistência de dados relativamente ao outcome definido em 11.4% dos doentes do primeiro grupo e 9.6% do segundo.
No entanto, o modelo desenvolvido mostrou um bom desempenho, com adequada calibração e boa discriminação (AUC=0.77). Na coorte externa, a discriminação manteve-se estável (AUC=0.78). A pontuação de risco correlacionou-se fortemente com o modelo de predição (r=0.96, P ≤ 0.01).
Contudo, os questionários DHI e DHI-S não foram ainda totalmente validado para a população portuguesa existindo um estudo em 2008, que mostrou uma estreita relação entre a versão portuguesa e americana (https://docs.google.com/viewerng/viewer?url=http://www.otoneuro.pt/images/stories/noticias/DHI_publicacao_acta_orl.pdf).


Stam, Hanneke, et al. «Predicting an Unfavorable Course of Dizziness in Older Patients». The Annals of Family Medicine, vol. 16, n. 5, Janeiro de 2018, pp. 428–35. http://www.annfammed.org, doi:10.1370/afm.2289. ligação aqui

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