Evidence Based Brunch #1_2019

No passado domingo dia 3 de Fevereiro de 2019 juntamos em Lisboa 16 adultos e um bébé para mais uma edição de um Evidence Based Brunch.

Espera, Evidence Based Brunch? Explica lá.

A Catarina Viegas Dias, uma das formadoras dos cursos CALM, perante as solicitações dos alunos que faziam o curso para promovermos alguma actividade de leitura crítica, apareceu com a fantástica ideia de fazermos leitura crítica sentados à mesa, num brunch.

E assim nasceram em 2018 os evidence based brunches.

Na semana antes do evento votamos no artigo vamos ler. No próprio dia lemos, apreciamos, discutimos. E comemos claro 🙂

A partir desta edição daremos conta desta actividade aqui no Evidentia Médica.


A Beatriz foi uma das participantes e fez o resumo do artigo:

Qual a eficácia do probiótico Lactobacillus rhamnosus GG no tratamento da gastroenterite aguda em crianças?

por Beatriz Abreu Cruz

O que fizeram?

Os autores realizaram um ensaio clínico prospectivo, aleatorizado e duplamente cego com 971 crianças com de idades compreendidas entre os 3 meses e os 4 anos e que recorreram um de dez serviços de urgência nos Estados Unidos da América entre Julho 2014 e Junho de 2017 por gastroenterite. O grupo experimental (n=481) recebeu tratamento com o probiótico Lactobacillus rhamnosus GG duas vezes por dia durante cinco dias e o grupo de controlo (n=488) recebeu um placebo. O follow-up foi de 1 mês e o principal objectivo foi avaliar se após 14 dias de tratamento as crianças apresentavam gastroenterite moderada a severa (classificada de acordo com a escala de Vesikari). Os autores avaliaram outros outcomes, nomeadamente se houve redução da frequência de diarreia e vómitos, do absentismo escolar e da transmissão da doença aos contactos.

O que concluem?

Os autores concluíram que a administração deste probiótico segundo o esquema enunciado não levou a que as crianças do grupo experimental tivessem uma proporção menor de gastroenterite moderada a severa do que as do grupo placebo. Concluíram ainda que este tratamento não diminui a frequência de episódios de diarreia e vómitos, o absentismo escolar e laboral ou a transmissão da doença aos contactos.

Notas

No final deste ensaio clínico verificou-se que 97,1% das crianças inicialmente distribuídas por um dos dois grupos em estudo concluíram o follow-up. Em relação ao outcome primário, 11,8% das crianças do grupo experimental apresentavam gastroenterite moderada a severa após 14 dias de tratamento versus 12,6% das crianças do grupo controlo, sendo que o risco relativo foi 0,96 com um intervalo de confiança ente 0,68 e 1,35 e a redução de risco relativo foi de 4%. Relativamente ao outcome secundário que avaliou o impacto na redução de episódios de diarreia e vómitos, verificou-se que a mediana do total de episódios de diarreia foi igual nos dois grupos (n=7) e que o tempo decorrido desde a última dejecção é semelhante (49,7 horas no grupo com probiótico e 50,9 horas no grupo controlo). A mediana do total de episódios de vómitos é zero em ambos os grupos. Já em relação ao absentismo escolar, em ambos os grupos se verificou que a mediana do número de dias de ausência foi de 2 dias. Por fim, a percentagem de transmissão aos contactos das crianças foi de 10,6% no grupo experimental e de 14,1% no grupo de controlo. Os autores concluíram também que o tratamento com Lactobacillus rhamnosus GG não se associou a efeitos adversos significativos, exceptuando 5 participantes do grupo experimental (1%) que referiram sibilância. Verifica-se que há escassez de revisões sistemáticas actuais sobre este tema, pelo que seria vantajoso desenvolver um trabalho desta tipologia em relação às vantagens do tratamento de gastroenterites agudas com probióticos.

Referência

Schnadower, David, et al. «Lactobacillus Rhamnosus GG versus Placebo for Acute Gastroenteritis in Children». New England Journal of Medicine, vol. 379, n. 21, Novembro de 2018, pp. 2002–14. Crossref, doi:10.1056/NEJMoa1802598.

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