Podcast Episódio #26 – Choosing Wisely Portugal parte IV

Quarta e derradeira parte da saga Choosing Wisely Portugal. 
Falamos sobre algumas das “escolhas criteriosas” e baseadas na melhor evidência em doenças respiratórias, doenças da pele, endocrinológicas, gravidez, ginecologia, urologia com a presença da fantástica Catarina Viegas Dias.

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Episódio #25 – Choosing Wisely Portugal – parte 3

Terceira parte de uma saga de episódios dedicada ao programa Choosing Wisely Portugal.
Falamos sobre algumas das “escolhas criteriosas” e baseadas na melhor evidência em áreas como a gastrenterologia, oftalmologia, doenças músculo-esqueléticas, neurologia e saúde mental.
De novo contamos com a presença da fantástica Catarina Viegas Dias.

Episódio#21 – Ecografia mamária no rastreio do cancro da mama?

Neste episódio abordamos uma questão que frequentemente encontramos na consulta quando falamos de rastreio do cancro da mama: será que a ecografia tem lugar no rastreio do cancro da mama?

Para isso analisamos um estudo de coorte que procura responder justamente esta questão que foi recentemente publicado no JAMA Internal Medicine

Aproveitamos para explicar o que é um estudo de coorte (logo no início do episódio) e deixamos aqui um resumo dos resultados:

  • Por cada 1000 mulheres rastreadas com mamografia + ecografia mamária, 57 tiveram recomendação para fazer biópsia, sendo que 5 tinham mesmo cancro da mama e 52 um falso positivo, 39 mulheres receberam recomendação para repetir exames de imagem mais cedo e 2 tiveram diagnóstico de cancro da mama no espaço de 1 ano depois do rastreio ter sido negativo.
  • A ecografia foi mais vezes feita em mulheres com:
    • mamas densas (74,3% vs 35,9%)
    • <50 anos (49,7% vs 31,7%)
    • história familiar de cancro da mama (42,9% vs 15,0%)
    • estimativa de risco de cancro da mama alto ou muito alto (21,4 vs 6,6%)
  • A maior parte das ecografias foi feito em mulheres de risco médio ou baixo
  • O número de exames com BI-RADS 0 foi significativamente menor (0,3 vs 17,2% – NNT 6)
  • Recomendação para fazer biópsia aumentou para o dobro (57,4 vs 27,7 por 1000 rastreios – NNH 34)
  • Necessidade de seguimento em intervalo mais curto foi também significativamente maior (3,9 vs 1,1%, RR 3,1 – NNH 36)
  • Resultados falsos positivos que conduziram a biópsia foram significativamente mais altos (52 vs 22 por 1000 rastreios – NNH 33)
  • Valor preditivo positivo da recomendação para fazer biópsia desceu para menos de metade (9,5 vs 21,4%).
  • Não foram observados aumento de sensibilidade ou diminuição de falsos negativos estatisticamente significativos.
  • Taxa de detecção de cancros foi idêntica (5,4 vs 5,5 por cada 1000 rastreios)
  • Taxa de cancros intervalares foi também idêntica 1,5 vs 1,9 por 1000 rastreios

Referência bibliográfica do estudo analisado: Lee, Janie M., et al. “Performance of Screening Ultrasonography as an Adjunct to Screening Mammography in Women Across the Spectrum of Breast Cancer Risk.” JAMA Internal Medicine, Mar. 2019. jamanetwork.com, doi:10.1001/jamainternmed.2018.8372.

Episódio#20 – que azia de episódio

Neste episódio o David e o Daniel tentam provocar uma úlcera nos ouvintes quando explicam os motivos para não usarmos IBPs de forma crónica nos doentes com sintomas esporádicos.

Cuidado: falaremos de farmacologia!! Alertamos que a audição deste episódio pode provocar sintomas dispépticos.
Mas se for esse o caso talvez não seja boa ideia tomar um IBP 🙂

PS: obrigado ao Dr. José Luis Biscaia por ter referido o Evidentia Médica como um recurso idóneo para médicos no terreno! Sem dúvida motivador!


Norma da DGS – Supressão Ácida: Utilização dos Inibidores da Bomba de Protões e das suas Alternativas Terapêuticas

Norma da NICE – Gastro-oesophageal reflux disease and dyspepsia in adults: investigation and management

Artigo de opinião: The appropriate use of proton pump inhibitors (PPIs): Need for a reappraisal

Inibidores da bomba de protões e segurança – notas de evidentia #5 | 2019

Por Clara Jasmins

Haverá efeitos adversos relevantes associados ao uso prolongado de fármacos inibidores da bomba de protões?

O que fizeram?

Revisão sistemática de estudos observacionais com meta-análise.
Foram incluídos 43 estudos na revisão sistemática, dos quais foram incluídos 28 na meta-análise.

O que concluem?

O uso prolongado de IBPs poderá estar associado a eventos adversos minor, mas também outros potencialmente graves. Recomenda-se uma prescrição cautelosa, para melhorar a eficácia da medicação e a segurança dos pacientes.

Notas: Na meta-análise verificou-se um aumento de risco de Pneumonia adquirida na comunidade em 67% (Odds ratio (OR) 1.67; Intervalo de confiança (CI) 1.04–2.67), com elevada heterogeneidade (I2 99%). Doentes do sexo masculino apresentavam maior risco do que as do sexo feminino (OR 2.40; CI 1.50–3.86 e OR 0.95; CI 0.82–1.10, respetivamente) e aqueles que fazem altas doses do fármaco têm também maior risco de desenvolver pneumonia que os que fazem baixa dose (OR 2.40; CI 1.50–3.86 vs. OR 1.67; CI 0.84–3.30, respetivamente)
Relativamente a fraturas da anca houve um aumento de 42% (OR 1.42; CI 1.33–1.53), com elevada heterogeneidade (I2 81%) e aumento da estimativa pontual relativamente ao cancro colo-retal em 55% (OR 1.55; CI 0.88–2.73), também com elevada heterogeneidade (I2 97%), contudo este último dado não é estatisticamente significativo.
Relativamente ao cancro gástrico houve um aumento de 78% (OR 1.78; CI: 1.41–2.25), I2 67%, contudo trata-se de uma meta-análise com apenas 2 estudos.

Atente-se que este estudo apresenta várias limitações: é uma revisão sistemática baseada em estudos observacionais, portanto prova científica de menor qualidade; os autores assumem que poderá haver um viés de publicação, muitos destes doentes têm comorbilidades que podem justificar estes eventos adversos, além de que não podem ser excluídos outros possíveis fatores de confundimento.


Islam, Md. Mohaimenu., et al. «Adverse Outcomes of Long-Term Use of Proton Pump Inhibitors: A Systematic Review and Meta-Analysis». European Journal of Gastroenterology & Hepatology, vol. 30, n. 12, Dezembro de 2018, pp. 1395–405. ligação aqui

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