Episódio#20 – que azia de episódio

Neste episódio o David e o Daniel tentam provocar uma úlcera nos ouvintes quando explicam os motivos para não usarmos IBPs de forma crónica nos doentes com sintomas esporádicos.

Cuidado: falaremos de farmacologia!! Alertamos que a audição deste episódio pode provocar sintomas dispépticos.
Mas se for esse o caso talvez não seja boa ideia tomar um IBP 🙂

PS: obrigado ao Dr. José Luis Biscaia por ter referido o Evidentia Médica como um recurso idóneo para médicos no terreno! Sem dúvida motivador!


Norma da DGS – Supressão Ácida: Utilização dos Inibidores da Bomba de Protões e das suas Alternativas Terapêuticas

Norma da NICE – Gastro-oesophageal reflux disease and dyspepsia in adults: investigation and management

Artigo de opinião: The appropriate use of proton pump inhibitors (PPIs): Need for a reappraisal

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Inibidores da bomba de protões e segurança – notas de evidentia #5 | 2019

Por Clara Jasmins

Haverá efeitos adversos relevantes associados ao uso prolongado de fármacos inibidores da bomba de protões?

O que fizeram?

Revisão sistemática de estudos observacionais com meta-análise.
Foram incluídos 43 estudos na revisão sistemática, dos quais foram incluídos 28 na meta-análise.

O que concluem?

O uso prolongado de IBPs poderá estar associado a eventos adversos minor, mas também outros potencialmente graves. Recomenda-se uma prescrição cautelosa, para melhorar a eficácia da medicação e a segurança dos pacientes.

Notas: Na meta-análise verificou-se um aumento de risco de Pneumonia adquirida na comunidade em 67% (Odds ratio (OR) 1.67; Intervalo de confiança (CI) 1.04–2.67), com elevada heterogeneidade (I2 99%). Doentes do sexo masculino apresentavam maior risco do que as do sexo feminino (OR 2.40; CI 1.50–3.86 e OR 0.95; CI 0.82–1.10, respetivamente) e aqueles que fazem altas doses do fármaco têm também maior risco de desenvolver pneumonia que os que fazem baixa dose (OR 2.40; CI 1.50–3.86 vs. OR 1.67; CI 0.84–3.30, respetivamente)
Relativamente a fraturas da anca houve um aumento de 42% (OR 1.42; CI 1.33–1.53), com elevada heterogeneidade (I2 81%) e aumento da estimativa pontual relativamente ao cancro colo-retal em 55% (OR 1.55; CI 0.88–2.73), também com elevada heterogeneidade (I2 97%), contudo este último dado não é estatisticamente significativo.
Relativamente ao cancro gástrico houve um aumento de 78% (OR 1.78; CI: 1.41–2.25), I2 67%, contudo trata-se de uma meta-análise com apenas 2 estudos.

Atente-se que este estudo apresenta várias limitações: é uma revisão sistemática baseada em estudos observacionais, portanto prova científica de menor qualidade; os autores assumem que poderá haver um viés de publicação, muitos destes doentes têm comorbilidades que podem justificar estes eventos adversos, além de que não podem ser excluídos outros possíveis fatores de confundimento.


Islam, Md. Mohaimenu., et al. «Adverse Outcomes of Long-Term Use of Proton Pump Inhibitors: A Systematic Review and Meta-Analysis». European Journal of Gastroenterology & Hepatology, vol. 30, n. 12, Dezembro de 2018, pp. 1395–405. ligação aqui

Episódio#19 – TOP20 POEM dos últimos 20 anos – parte IV

Última parte da série de episódios dedicados ao TOP 20 dos artigos POEM mais relevantes para a prática clínica dos últimos 20 anos.
Jejum antes de análises, niacina, corticoesteróides na pneumonia, diferentes tratamentos para cancro da próstata, diabetes tipo 2.

Contamos de novo com a ajuda da Ana Rita.

Episódio 9 – novos antidiabéticos orais

TOP 20 baseado neste artigo aqui

Fragilidade e mortalidade – notas de evidentia #4|2019

Por Inês Mendes Correia

Em indivíduos institucionalizados, com 65 ou mais anos, sem demência e independentes nas atividades de vida diária (AVDs), qual o impacto da fragilidade física e défice cognitivo no tempo até ocorrer dependência nas AVDs e morte?

O que fizeram?

Estudo de coortes prospectivo. Foram incluídos 7338 indivíduos institucionalizados, com 65 ou mais anos, sem demência e independentes nas AVDs (tempo de estudo: 8 anos).
Estes indivíduos foram primariamente avaliados quanto à fragilidade física e défice cognitivo por critérios já validados. Foram então distribuídos em 4 grupos: sem défices (n=5192); apenas fragilidade física (n=676); apenas défice cognitivo (n=1073); com os 2 défices (n=397).
Foram executados modelos de risco, associando a fragilidade física e o défice cognitivo com os outcomes após ajuste para as variáveis sociodemográficas, comorbilidades, depressão e tabagismo.
O objectivo foi estimar o efeito combinado da fragilidade física e do défice cognitivo no risco de dependência nas AVDs e morte durante 8 anos.

O que concluem?

Concluem que a fragilidade física e défice cognitivo são preditores independentes de dependência nas AVDs e morte.

Notas: A prevalência de fragilidade física foi de 15%, défice cognitivo 19% e ambos os défices 5%. A adição da avaliação cognitiva aos modelos que já incluíam fragilidade física aumentou a precisão na identificação dos indivíduos com maior risco de dependência nas AVDs (Harrell’s concor- dance [C], 0.74 vs 0.71; P < .001) e morte (Harrell’s C, 0.70 vs 0.67; P < .001).


Referência: Aliberti, Márlon J. R., et al. «Assessing Risk for Adverse Outcomes in Older Adults: The Need to Include Both Physical Frailty and Cognition». Journal of the American Geriatrics Society, vol. 0, n. 0, Novembro de 2018. onlinelibrary.wiley.com (Atypon), doi:10.1111/jgs.15683 ligação aqui

FA, antitrombóticos e risco de hemorragia – notas de evidentia #3 | 2019

Por Inês Mendes Correia

Em indivíduos com 50 ou mais anos e diagnosticados com fibrilação auricular, qual o impacto das várias terapêuticas antitrombóticas na ocorrência de hemorragia major?

O que fizeram?

Realizaram um estudo de coortes em doentes dinamarqueses com 50 ou mais anos, com diagnóstico de fibrilhação auricular realizado entre 01 de Janeiro de 1995 e 31 de Dezembro de 2015. Excluíram todos os doentes com diagnóstico em fase de descompensação.
Foram incluídos 272,315 doentes (média de 4 anos de estudo), classificados em 10 categorias de exposição: sem terapêutica anti-trombótica; monoterapia com anti vitamínicos K; monoterapia com anticoagulantes orais diretos (DOAC); monoterapia com aspirina; monoterapia com outro antiagregante; terapêutica dupla com anti vitaminicos K e um agente antiagregante; terapêutica dupla com um DOAC e um antiagregante; terapeutica antiagregante dupla; terapêutica tripla (anti vitaminico K e dois antiagregantes); e terapêutica tripla (DOAC e dois antiagregantes).
Após a obtenção das taxas de incidência de hemorragia major estas foram estratificadas segundo a modalidade de tratamento, idade, pontuação no CHA2DS2-VASc score e co-morbilidades.
O objetivo foi identificar a taxa de incidência de hemorragia major nos vários grupos. Como outcomes secundários foram ainda estudados ocorrência de eventos isquémicos, enfartes do miocárdio e mortalidade por todas as causas.

O que concluem?

Os autores concluem que os doente sob terapêutica tripla tiveram elevada incidência de hemorragia major quando comparados com os que estavam sob monoterapia ou terapêutica dupla.  

Notas: Comparado com a monoterapia com anti vitamínicos K, os hazard ratios ajustados para hemorragia major foram 1.13 (95% CI 1.06-1.19) para terapêutica antiagregante dupla, 1.82 (95% CI 1.76-1.89) para terapêutica dupla com anti vitamínicos K e um agente antiagregante, 1.28 (95% CI 1.13-1.44) para terapêutica dupla com um DOAC e um antiagregante, 3.73 (95% CI 3.23-4.31) para anti vitamínico K e dois antiagregantes e 2.28 (95% CI 1.67-3.12) para DOAC e dois antiagregantes. As análises dos subgrupos demonstraram padrões semelhantes. A taxa de incidência para hemorragia major foi 10.2/100 pessoa-ano nos indivíduos sob terapêutica tripla.
Os autores encontraram elevadas taxas de incidência nos indivíduos com >90 anos sob terapêutica tripla (TI 22.8/100 P-a) ou com um CHA2DS2-VASc score superior a 6 (TI 17.6/100 P-a) ou com história prévia de hemorragia major (TI 17.5/100 P-a).


van Rein Nienke, et al. «Major Bleeding Rates in Atrial Fibrillation Patients on Single, Dual, or Triple Antithrombotic Therapy: Results from a Nationwide Danish Cohort Study». Circulation, vol. 0, n. 0. ahajournals.org (Atypon), doi:10.1161/CIRCULATIONAHA.118.036248. Acedido 11 de Dezembro de 2018. ligação aqui

Episódio#18 – TOP20 POEM dos últimos 20 anos – parte III

Parte III da lista dos 20 artigos que mais impacto na prática clínica tiveram nos últimos 20 anos. Desta feita convidamos um professor e a Ana Rita para nos ajudar.

Diabetes, estatinas, anticoagulantes, PSA e antibióticos.

Alguns dos artigos mencionados já foram analisado em episódios anteriores. Nomeadamente:

Episódio#3 – o PSA e o cancro da próstata – mais uma moeda mais uma voltinha

Episódio #8 – Diabetes, doce problema – parte IV – ACCORD, ADVANCE, VADT

Episódio#11 – Anticoagulantes, prevenindo o nó cerebral

Episódio#12 – interromper antiagregantes ou anticoagulantes

TOP 20 baseado neste artigo aqui

Episódio#17 – Especial de Natal 2018

Neste especial de Natal 2018 revemos alguns artigos carregados de humor
– será que suplementação oral com enzimas digestivas diminui a flatulência?
– os médicos têm demasiado tempo livre, como aproveitar em prol dos doentes esse tempo (fins de semanas, tempo em família, etc..)?
– ensaio clínico que testa a eficácia de paraquedas na prevenção da morte quando saltamos de um avião.

Bem, definitivamente a não perder!
Boas Festas!

Artigo 1: enzimas para controlo de flatulência https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/7964541

Artigo 2: médicos têm muito tempo livre https://www.bmj.com/content/363/bmj.k4983

Artigo 3: paraquedas https://www.bmj.com/content/363/bmj.k5094

Ep#16 – TOP20 POEM dos últimos 20 anos – parte II

Continuamos a série de episódios dedicados aos TOP 20 POEM que mais impacto tiveram na prática clínica dos últimos 20 anos.
Artigo: http://www.annfammed.org/content/16/5/436.short?rss=1

Uma vez mais contamos com a fantástica colaboração da Clara Jasmins neste episódio.

Segunda parte dos top 20 POEM dos últimos 20 anos:
– auto-exploração mamária
– sobrediagnóstico
– vacina hpv
– antibióticos em otite média
– auto-vigilância da glicemia em diabetes

O que acham? Deixem comentários, participem.

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