Como comunicar que vamos parar de fazer rastreios oncológicos? – Notas de Evidentia #312019

Por Catarina Viegas Dias

PERGUNTA CLÍNICA

P: Médicos de Cuidados de Saúde Primários e idosos (>65 anos) a residir na comunidade O: áreas de concordância e diferenças entre as perspectivas sobre a suspensão dos rastreios oncológicos.

A RETER

Tanto os médicos como os idosos consideram importante abordar a suspensão dos rastreios oncológicos. Alguns idosos preferem não abordar a expectativa de vida nesta conversa, pelo que a discussão deve focar-se na relação risco/benefício e na mudança de prioridades em saúde.

QUAL A RELEVÂNCIA DESSA PERGUNTA?

Várias guidelines de sociedades médicas recomendam contra o rastreio oncológico por rotina em idosos com expectativa de vida limitada. No entanto, actualmente existem poucas orientações para guiar os clínicos sobre como abordar com os doentes a suspensão dos rastreios oncológicos.

QUEM FINANCIOU?

National Institute on Aging; Atlantic Philanthropies; National Cancer Institute; American Geriatrics Society; Daniel and Jeannette Hendin Schapiro Geriatric Medical Center, John A. Hartford Foundation; American Cancer Society; National Center for Advancing Translational Sciences; Alliance for Academic Internal Medicine; Maryland Cigarette Restitution Fund.

QUE TIPO DE PERGUNTA FAZ ESTE ESTUDO?

Qualitativos

CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS

Em geral os métodos foram adequados. As limitações incluem: A selecção da amostra está bem descrita, mas o estudo dos médicos recrutou apenas em um centro clínico, o que diminui a representatividade. No estudo dos doentes, estes estavam ligados a programas clínicos do mesmo centro académico. O desenho do estudo não permitiu voltar atrás para realizar entrevistas iterativas aos médicos sobre tópicos relevantes que surgiram nas entrevistas aos idosos. Os investigadores não explicam as suas crenças e atitudes sobre o que estão a investigar.

QUAIS SÃO OS RESULTADOS?

a – Ambos os grupos consideraram importante a discussão de risco/benefício dos rastreios oncológicos e o envolvimento dos doentes na decisão, assim como enquadraram a suspensão dos rastreios como uma mudança nas prioridades em saúde.

b – Os médicos preocupavam-se com a reacção dos doentes à suspensão dos rastreios, enquanto os doentes não relatavam reacções negativas (no contexto de uma relação de confiança).

c – Os médicos raramente discutiam expectativa de vida neste contexto, enquanto os idosos se dividiam sobre se a expectativa de vida deveria ser abordada ou não.

Os resultados respondem à pergunta de investigação e são coerentes com as citações. No entanto, o facto de alguns idosos terem sido entrevistados em contexto clínico pode ter influenciado as respostas às perguntas relacionadas com as reacções negativas à suspensão dos rastreios. As entrevistas foram analisadas por dois investigadores de forma independente, mas não foram utilizados outros métodos para aumentar a credibilidade dos resultados.

COMO POSSO APLICAR OS RESULTADOS AOS MEUS DOENTES?

Os resultados deste estudo dizem respeito a uma população de um só centro clínico americano, e que mantinham relações de confiança com o seu médico. No contexto português existem muitos utentes sem médico de família atribuído, a quem estes resultados podem não se aplicar. Além disso existem vários estudos portugueses que sugerem que os utentes portugueses tendem a sobrestimar a importância de medidas preventivas, pelo que as suas opiniões podem ser diferentes.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Schoenborn et al., ‘Communicating About Stopping Cancer Screening’. Gerontologist, 2019, Vol. 59, No. S1, S67–S76

https://t.co/U4FiXBm1Hb

 

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1 comentário “Como comunicar que vamos parar de fazer rastreios oncológicos? – Notas de Evidentia #312019

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