FA, antitrombóticos e risco de hemorragia – notas de evidentia #3 | 2019

Por Inês Mendes Correia

Em indivíduos com 50 ou mais anos e diagnosticados com fibrilação auricular, qual o impacto das várias terapêuticas antitrombóticas na ocorrência de hemorragia major?

O que fizeram?

Realizaram um estudo de coortes em doentes dinamarqueses com 50 ou mais anos, com diagnóstico de fibrilhação auricular realizado entre 01 de Janeiro de 1995 e 31 de Dezembro de 2015. Excluíram todos os doentes com diagnóstico em fase de descompensação.
Foram incluídos 272,315 doentes (média de 4 anos de estudo), classificados em 10 categorias de exposição: sem terapêutica anti-trombótica; monoterapia com anti vitamínicos K; monoterapia com anticoagulantes orais diretos (DOAC); monoterapia com aspirina; monoterapia com outro antiagregante; terapêutica dupla com anti vitaminicos K e um agente antiagregante; terapêutica dupla com um DOAC e um antiagregante; terapeutica antiagregante dupla; terapêutica tripla (anti vitaminico K e dois antiagregantes); e terapêutica tripla (DOAC e dois antiagregantes).
Após a obtenção das taxas de incidência de hemorragia major estas foram estratificadas segundo a modalidade de tratamento, idade, pontuação no CHA2DS2-VASc score e co-morbilidades.
O objetivo foi identificar a taxa de incidência de hemorragia major nos vários grupos. Como outcomes secundários foram ainda estudados ocorrência de eventos isquémicos, enfartes do miocárdio e mortalidade por todas as causas.

O que concluem?

Os autores concluem que os doente sob terapêutica tripla tiveram elevada incidência de hemorragia major quando comparados com os que estavam sob monoterapia ou terapêutica dupla.  

Notas: Comparado com a monoterapia com anti vitamínicos K, os hazard ratios ajustados para hemorragia major foram 1.13 (95% CI 1.06-1.19) para terapêutica antiagregante dupla, 1.82 (95% CI 1.76-1.89) para terapêutica dupla com anti vitamínicos K e um agente antiagregante, 1.28 (95% CI 1.13-1.44) para terapêutica dupla com um DOAC e um antiagregante, 3.73 (95% CI 3.23-4.31) para anti vitamínico K e dois antiagregantes e 2.28 (95% CI 1.67-3.12) para DOAC e dois antiagregantes. As análises dos subgrupos demonstraram padrões semelhantes. A taxa de incidência para hemorragia major foi 10.2/100 pessoa-ano nos indivíduos sob terapêutica tripla.
Os autores encontraram elevadas taxas de incidência nos indivíduos com >90 anos sob terapêutica tripla (TI 22.8/100 P-a) ou com um CHA2DS2-VASc score superior a 6 (TI 17.6/100 P-a) ou com história prévia de hemorragia major (TI 17.5/100 P-a).


van Rein Nienke, et al. «Major Bleeding Rates in Atrial Fibrillation Patients on Single, Dual, or Triple Antithrombotic Therapy: Results from a Nationwide Danish Cohort Study». Circulation, vol. 0, n. 0. ahajournals.org (Atypon), doi:10.1161/CIRCULATIONAHA.118.036248. Acedido 11 de Dezembro de 2018. ligação aqui

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