Atividade física e mortalidade: qual a relação?– NOTAS DE EVIDENTIA #272019

Por Bruno Maurício

PERGUNTA CLÍNICA

Qual a associação entre diferentes níveis de intensidade de actividade física e mortalidade?

A RETER

Revisão sistemática a partir de 8 estudos observacionais. A nível metodológico não se encontraram limitações metodológicas de maior, à excepção de alguma heterogeneidade identificada entre alguns estudos e assumida pelos autores. Verificou-se que a atividade física, vulgo exercício físico regular adequado a cada às limitações de cada pessoa está associado a uma diminuição da mortalidade, pelo que este é mais um argumento para se recomendar a atividade física à globalidade dos nossos utentes.

QUAL A RELEVÂNCIA DESSA PERGUNTA?

O sedentarismo está associado a muitas doenças crónicas e a mortalidade prematura, sendo este um problema crescente nas sociedade modernas atuais, contudo a evidência atualmente disponível é baseada em estudos de auto-relato, susceptíveis ao erro. Ainda assim, a magnitude da associação está subestimada e o gradiente dose-resposta, particularmente para a atividade de fraca intensidade não é ainda claro.

QUEM FINANCIOU?

Os autores declaram ausência de conflitos éticos ou financeiros

QUE TIPO DE PERGUNTA FAZ ESTE ESTUDO?

Revisão Sistemática

CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS

Os autores fizeram uma pesquisa extensa em várias bases de dados, inclusivé tentaram pesquisar outros estudos em literatura cinzenta. A análise de viés dos estudos primários foi realizada e a maioria dos mesmos reportou qualidade moderada a elevada, ainda que se tratem de estudos observacionais. Contudo, alguns estudos primários eram heterogéneos o que pode condicionar os resultados, embora isso seja referido pelos autores, revelando-se, apesar de tudo, como um ponto positivo.

QUAIS SÃO OS RESULTADOS?

Foram analisados oito estudos (n = 36383; idade média de 62,6 anos; 72,8% mulheres), com acompanhamento médio de 5,8 anos e 2149 (5,9%) óbitos.

Os resultados foram apresentados sob a forma de Hazard Ratio dividido por quartis, sendo o 1º quartil o de menor atividade física e o 4º o de maior atividade. O primeiro quartil serviu de comparador para os restantes.

HR (2Q) 0.54 (IC 95% 0.48 to 0.61), HR (3Q) 0.41 (IC 95% 0.32 to 0.51), HR (4Q) 0.34 (IC 95% 0.29 to 0.41)

Em resumo, qualquer atividade física, independentemente da intensidade, foi associada a menor risco de mortalidade, com uma resposta não linear à dose.

A meta-análise realizada analisou apenas o efeito dentro de subgrupos pelo que o nível de heterogeneidade variou entre as várias subanálises.

Como posso aplicar os resultados aos meus doentes?

Os doentes da nossa prática clínica são semelhantes aos incluídos nos estudos analisados e o outcome primário é muito relevante. A atividade física foi quantificada através de acelerómetros, tornando este dado mais objetivo, ainda que não seja um dispositivo de livre acesso a todos os nossos utentes (eventualmente aqueles que utilizam smartphones tenham um fácil acesso a uma medição semelhante, mediante aplicações integradas nos mesmos).

A revisão sistemática mostra que existe uma associação entre o exercício físico e a redução da mortalidade, embora a relação não seja linear relativamente à dose do exercício. Ainda assim, não sendo um efeito dependente da dose de exercício, estes resultados dão-nos mais um bom argumento para recomendar o exercício físico aos utentes, com possível benefício na redução da mortalidade.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Ekelund, Ulf, et al. «Dose-Response Associations between Accelerometry Measured Physical Activity and Sedentary Time and All Cause Mortality: Systematic Review and Harmonised Meta-Analysis». BMJ, Agosto de 2019, p. l4570. DOI.org (Crossref), doi:10.1136/bmj.l4570

https://www.bmj.com/content/366/bmj.l4570

 

 

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2 comentários “Atividade física e mortalidade: qual a relação?– NOTAS DE EVIDENTIA #272019

  1. Estou então certo e nas idades do estudo.

    Enviado do meu iPhone
    Luiz Miguel Santiago
    MD, PhD
    Professor Associado, com Agregação, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
    Clínica Universitária de MGF da FMUC
    USF Topázio

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