Existe associação entre o consumo de bebidas açucaradas e o risco de cancro em adultos? – Notas de evidentia #242019

Por Catarina Neves dos Santos

PERGUNTA CLÍNICA

Existe associação entre o consumo de bebidas açucaradas, sejam elas 100% sumo de fruta, bebidas com adição de açúcar ou bebidas com adição de edulcorantes, e o risco de cancro em adultos sem antecedentes de neoplasia?

A RETER

Verificou-se associação entre o consumo de bebidas açucaradas e o risco global de cancro e, em específico, de cancro da mama. No entanto, esta associação não significa causalidade e o aumento do risco de cancro foi bastante pequeno, pelo que os resultados têm pouco significado clínico e não devem alterar a nossa prática clínica habitual.

QUAL A RELEVÂNCIA DA PERGUNTA?

O consumo de bebidas açucaradas tem aumentado nas últimas décadas. Sabe-se que o seu consumo está associado a um maior risco de obesidade, diabetes tipo II, hipertensão e mortalidade cardiometabólica, e que a obesidade é um factor de risco para vários tipos de cancro. No entanto, existe pouca evidência acerca do papel do consumo de diferentes tipos de bebidas açucaradas no risco de cancro.

QUEM FINANCIOU?

Ministère de la Santé, Santé Publique France, Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale (INSERM), Institut National de la Recherche Agronomique (INRA), Conservatoire National des Arts et Métiers (CNAM) e Université Paris 13. Um dos autores foi financiado pelo French National Cancer Institute e Fondation de France.

QUE TIPO DE PERGUNTA FAZ ESTE ESTUDO?

Malefício.

CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS

Foram tidas em conta outras variáveis determinantes para o malefício que está a ser estudado, tendo a análise dos resultados sido ajustada para essas variáveis. O malefício precedeu o risco estudado e foi medido de igual forma nos grupos controlo e de exposição. Existe um gradiente de dose-resposta entre o malefício e o risco encontrado. Contudo, é difícil encontrar no artigo informação acerca do follow-up dos doentes.

QUAIS SÃO OS RESULTADOS?

Cancro: HR= 1,18 IC95% [1,10 – 1,27]; p<0,001

Cancro da mama: HR= 1,22 IC95% [1,07 – 1,39]; p=0,004

100% sumo de fruta: HR= 1,12 IC95% [1,03 – 1,23]; p=0,007

Resultados precisos e estatisticamente significativos, mas clinicamente pouco relevantes por se tratarem de aumentos de risco bastante pequenos.

COMO POSSO APLICAR OS RESULTADOS AOS MEUS DOENTES?

A selecção de participantes por internet levou a uma maior prevalência de mulheres, com idades mais jovens e nível socioprofissional e educacional superior, pelo que a amostra não é representativa da população geral.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Chazelas, Eloi, et al. «Sugary Drink Consumption and Risk of Cancer: Results from NutriNet-Santé Prospective Cohort». BMJ, Julho de 2019, p. l2408. DOI.org (Crossref), doi:10.1136/bmj.l2408

https://www.bmj.com/content/366/bmj.l2408.long

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Evidentia da semana #392019

Destaque

Evidentia Médica em destaque no Congresso Nacional de MGF da APMGF. Obrigado a todos desse lado pelo apoio e reconhecimento.

Entretanto no podcast terminámos a saga Choosing Wisely com o quarto e último episódio dedicado ao programa. A não perder.

Recomendações elaboradas sistematicamente

Guideline CHEST para prevenção de AVC em doentes com FA. São “só” 60 recomendações. Resumo para breve.
https://t.co/qc1YbdSva2 #recomendações #grade

Revisões sistemáticas

Relação do peso e utilização de antidepressivos* ⬆5% | antipsicóticos ⬆7%
*buproprion dimuiu peso 
https://t.co/7VsZRskcZx #revisãosistemática

Estudos primários

Suplementar grávidas com ácidos gordos poli-insaturados n-3? NÃO 
https://t.co/zjJs59VaQ9 #experimental

5 días de nitrofurantoína provavelmente mais eficazes que dose única de fosfomicina em infecções urinárias. #artigorecuperado 
https://t.co/ZhvnGYN8zp #experimental

Programa de acompanhamento por sms + chamadas telefónicas de aconselhamento ajuda a perder peso. Autores defendem que pode ter interesse para populações difíceis de alcançar. 
https://t.co/wbLe2puBa2 #experimental

Mais indícios que terapia hormonal de substituição está associada a neoplasia da mamahttps://t.co/4jhNyB2cy4 #observacional
– Editorial a propósito: https://t.co/JClF0wtAiJ #opinião

Anafilaxia: adrenalina salva vidas (já sabíamos), anti-histamínicos podem ajudar (tb sabíamos); corticoesteroides parecem não ajudar e podem fazer mal (tb já sabíamos mas teimamos em não mudar) https://t.co/stNSQGxoX1 #observacional

Prevalência de medicação potencialmente inapropriada em idosos nos cuidados primários. Aplicaram os critérios de Beers em +700 pessoas. Assustadores 68,6% de prevalência. Estudo português! https://t.co/sQ8A5BrkVD #observacional

Vigilância mais intensiva em doentes que removeram adenomas na colonoscopia de rastreio sugerida como custo-efectiva. Adenomas de baixo grau > 5 anos; Adenomas de alto grau > 3 anos. Pressupostos difíceis de avaliar. 
https://t.co/Dva3aCodiX #modelagem

Melhorar a prática clínica numa instituição através da implementação de práticas baseadas na evidência. O caso da Kaiser. 
https://t.co/dW6gMP7lvi #qualidade

O declínio da empatia. Quem cuida do médico? Testemunho poderoso. 
https://t.co/06V8vJtDtj #opinião

Viver com a sombra do cancro nos genes capturado num testemunho desenhado. Poderoso. 
https://t.co/KGcW7u921a #opinião

Outros

Atrofia vulvovaginal: revisão clínica. Muito prevalente e pode ser extremamente incapacitante. Considerar riscos por favor, individualizar e partilhar decisões. 
https://t.co/X6PlJVuZGF #educação

Intolerância à lactose: revisão clínica 
https://t.co/UwyoA12c81 #educação

Promover actividade física na consulta. Dicas. 
https://t.co/zdiI9TUPLN #educação

Online, a informação médica não tem qualquer crivo e os primeiros resultados que aparecem podem ser de fontes nada credíveis. A BBC fez o teste no youtube onde promessas de curas de cancro aparecem muito facilmente https://t.co/PbcBlO5PtH #literacía

Investigação qualitativa. Porque o que importa é a pergunta de investigação. E algumas perguntas não podem ser respondidas com ensaios clínicos. p.ex: “porquê?” 
https://t.co/uTQJzW1GjY #metodos

Evidentia da semana #382019

Destaque

Será o Dabigatrano superior a AAS na prevenção secundária de AVC? – Leia as Notas de Evidentia desta semana

A DGS lança mais um documento a promover a literacía em saúde e um editorial do Lancet discute a (i)moralidade das tabaqueiras na promoção dos seus produtos.

Revisões sistemáticas

Antipsicóticos: comparação de eficácia e tolerabilidade. Rev. Sistemática e NMA. Considerável variabilidade de efeitos considerando patologia de base e todos com efeitos adversos consideráveis. 
https://t.co/4wd4lPsZ6s #revisãosistemática

Estudos primários

Asma leve a moderada: budesonida-formoterol usado em SOS foi mais eficaz na prevenção de exacerbações graves que manutenção de budesonida + terbutalina SOS. 
https://t.co/gfRNmEqZe8 #experimental

CPAP em idosos com SAOS. Ao contrário dos autores os benefícios de fazer CPAP não me parecem tão claros. 
https://t.co/cmrizHesHT #experimental

2 anos de restrição calórica moderada reduziram vários fatores de risco cardiometabólico em adultos jovens e não obesos.
Querem um exemplo de estudo com variáveis sub-rogadas? 
https://t.co/UdXA8hE4Il #experimental

Tentativa de personalizar relação risco-beneficio de tratamento com aspirina em prevenção primária 
https://t.co/XuKJf6H5Sq #experimental

Será que na recuperação de um AVC em fase subaguda o exercício físico aeróbico é melhor que sessões de relaxamento? Não! E até pode ter mais efeitos adversos. 
https://t.co/a7dmoi5mkg #experimental

Como comunicar que vamos parar de fazer rastreios oncológicos? Perspectivas de doentes e médicos. Muito interessante! 
https://t.co/U4FiXBm1Hb #qualitativo

Inteligência artificial para diagnosticar Fibrilhação Auricular. O futuro chegou. 
https://t.co/sGOYomp4I3 #diagnóstico

Sobreviventes de cancro provavelmente têm risco cardiovascular aumentado quando comparados com população geral. https://t.co/QIq9PxNZCq #observacional

Prevalência do uso de cigarros electrónicos nos EUA. Faixa etária dos 18-24 é de longe a que mais usa. 
https://t.co/LLBKQGhI18 #observacional

Estaremos a ficar cansados de tanta hipertensão que deixamos de nos preocupar tanto com esses doentes? Por outro lado… isso é bom ou mau? 
https://t.co/9dlx9OcfKa #observacional

Pneumonia: tratamento com antibióticos de duração excessiva leva a mais efeitos adversos. 
https://t.co/kSUkKsJHzY #observacional

Assegurar consulta com médico de família na alta hospitalar assegura continuidade e (provavelmente) evita o re-internamento. 
https://t.co/kHUc7pWQoM #observacional

Metformina mais segura que sulfunilureias em diabéticos com redução da função renal (TFG<60 e creat elevada). Cuidado com deixar de oferecer met a diabéticos por esta questão 
https://t.co/nhPel4o9v6 #observacional

Sobreutilização de cuidados médicos: top 10 dos estudos sobre o assunto em 2018 
https://t.co/SAA9lkokGH #revisãonãosistemática

Outros

Literacía em saúde, 2 documentos muito importantes da @DGSaude (parabéns!!) Plano 2019-2021 – https://t.co/05Ertr8zv7 Manual de Boas Práticas Literacia em Saúde – Capacitação dos Profissionais de Saúde – https://t.co/R4cpK0I7ZF #literaciasaude

Oncologia: aprovações da EMA de novos fármacos de 2014-2016 baseadas em ensaios clínicos com elevado risco de viés em quase 50% dos casos https://t.co/xsxEk9rfRA #metodologia

Como ajudar os doentes oncológicos a valorizarem informação online. O @JAMAOnc dá umas dicas 
https://t.co/osbm6zJ0hn #literaciasaude

Cigarros electrónicos, Philip Morris, (i)moralidade, marketing e dinheiro, muito dinheiro. Editorial do Lancet https://t.co/7OMmtbB3tA #opiniao

Será o Dabigatrano superior a AAS na prevenção secundária de AVC? – Notas de Evidentia #232019

Por Lélio Amado

PERGUNTA CLÍNICA

Será que o Dabigatrano é mais eficaz que o Ácido Acetilsalicílico (AAS) na prevenção secundária do AVC isquémico recorrente de origem embólica indeterminada?

A RETER

Apesar de se tratar de um ensaio financiado pelo laboratório que comercializa o Dabigatrano, parece ter sido desenvolvido de forma transparente, mais ainda considerando que os resultados publicados indicaram que o Dabigatrano não é superior ao AAS para a situação em estudo. Parece que o velhinho AAS continua a ser melhor opção na prevenção secundária do AVC isquémico embólico de origem indeterminada. Ainda assim, um ensaio com maior tempo de follow-up ajudaria a trazer mais confiança relativamente a estes resultados.

QUAL A RELEVÂNCIA DESSA PERGUNTA?

A pergunta é relevante porque, caso se verifique que outro fármaco tem maior eficácia e segurança que o AAS na prevenção do AVC isquémico recorrente de origem embólica indeterminada, implicaria alterar a prática clínica.

QUEM FINANCIOU?

Boehringer Ingelheim

QUE TIPO DE PERGUNTA FAZ ESTE ESTUDO?

Tratamento

CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS

A metodologia parece ter sido aplicada com rigor, já que se tratou de um ensaio multicêntrico, aleatorizado e duplamente cego. Também os avaliadores dos resultados desconheciam que doentes pertenciam ao braço de estudo e ao braço de controlo. O ensaio incluiu um número elevado de doentes com seguimento durante um período de cerca de 19 meses (mediana) e com poucas perdas de seguimento em relação ao número total de doentes.

QUAIS SÃO OS RESULTADOS?

Hazard Ratio (HR)=0,85 (0,69-1,03) para AVC recorrente

HR= 0,84 (0,68-1,03) para AVC isquémico

HR= 1,19 (0,85-1,66) para hemorragia major

Em doentes com antecedentes de AVC isquémico de origem embólica indeterminada, o Dabigatrano não mostrou ser superior ao AAS na prevenção do AVC recorrente. A incidência de hemorragias major não foi superior no grupo de doentes com Dabigatrano em relação ao grupo com AAS, ainda que tenham ocorrido mais eventos hemorrágicos não major no grupo de doentes com Dabigatrano.

Como posso aplicar os resultados aos meus doentes?

Os doentes participantes no ensaio são muito semelhantes aos que encontramos na prática clínica. A intervenção aplicada é perfeitamente reprodutível e os resultados finais primários e secundários são relevantes.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Diener, Hans-Christoph, et al. «Dabigatran for Prevention of Stroke after Embolic Stroke of Undetermined Source». New England Journal of Medicine, vol. 380, n. 20, Maio de 2019, pp. 1906–17. DOI.org (Crossref), doi:10.1056/NEJMoa1813959.

https://t.co/OtwD8URBAZ

Evidentia da semana #372019

Destaque

De volta numa semana em que abundam as guidelines e alguns estudos muito pertinentes para a nossa prática.

Destaco ainda as nossas recentes Notas de Evidentia com análise da nossa cada vez mais sólida rede de colaboradores. Recordo que todos eles são ex-alunos dos Cursos de Avaliação da Literatura Médica – CALM que ficaram “contagiados” com o bichinho da leitura crítica. Obrigado a todos eles!

Vamos ter novo episódio do podcast na próxima semana, não percam.

Para os mais novos na página, fica aqui o artigo publicado este ano na RPMGF que fundamenta a organização dos estudos nesta rúbrica.

Recomendações elaboradas sistematicamente

Asma: actualização da guidelines da SIGN/BTS 
https://t.co/2rue7NZXQD #recomendações

Doença de Parkinson: actualização de guideline canadiana 
https://t.co/VH6QnJ0uwk #recomendações

Medicação para redução de risco de cancro da mama: USPSTF recomenda em mulheres de elevado risco de Ca mama e baixo risco de efeitos adversos (B) e não recomenda em mulheres com baixo risco de Ca mama (D) 
https://t.co/HjYgxAmoap #recomendações

Hipertensão: actualização da guideline NICE 
https://t.co/3Tl468n08a #recomendações

Hipertensão na grávida: sumário da guideline da NICE 
https://t.co/YrnPqsjJT4 #recomendações

Revisões sistemáticas

Antipsicóticos para prevenção de delírio em doentes hospitalizados? Menos sff 
https://t.co/e27BuvSVv0 #revisãosistemática

Gestão da depressão no idoso: revisão sistemática de estudos qualitativos 
https://t.co/wRgeKxHjuM #revisãosistemática

Estudos Primários

Vitamina D em altas doses em adultos saudáveis não melhora a saúde do osso e pode até diminuir a densidade do mesmo. Caso ainda alguém tivesse dúvida da inutilidade. 
https://t.co/3qd4ICbq0N #experimental

Cancro da mama: avaliação da sobrevida livre de recorrência a longo prazo associada à terapia com tamoxifeno em mulheres na pós-menopausa com história de cancro de mama luminal A ou luminal B 
https://t.co/RY0p5f2D5c #experimental

Nova classe de antidepressivos. Estudo financiado pela indústria revela efeito a 15 dias. Amostra pequena. A ter debaixo de olho. 
https://t.co/IqvnRmQHYe #experimental

Exame objectivo em cuidados primários: importante para diagnóstico e para relação médico-doente 
https://t.co/voSM6d42Xa #qualitativo

Microplásticos detectados em fezes humanas. Estudo muito pequeno, exploratório, que mais que nada parece-me que abre uma linha de investigação sobre esta nova realidade e os seus efeitos na saúde. Para estar atentos. 
https://t.co/MLWwAGXjf4 #observacional

Maior ingestão de proteínas provenientes de plantas associada a maior longevidade. Coorte de 18 anos de seguimento de +70000 japoneses 
https://t.co/RY0p5fkdWK #observacional

Enfartes e AVC em pessoas com diferentes dietas: carne vs peixe vs vegetariano. 18 anos de follow up 
Nota: observacional, desenho que não permite estabelecer causalidade
https://t.co/z8m6ZK01g6 #observacional

Vaping: NEJM reporta casos de doença pulmonar severa (já tinha dado conta que o CDC estava a investigar) https://t.co/zc20OMrHg3 
imagens aqui – https://t.co/JYGhMha2Al #observacional

Erradicar H.Pilory + suplementar com vitaminas e alho por 7,3 anos associado a menor incidência de morte por neoplasia gástrica.
Cá para mim podia meter “erradicar H.Pilory + observar a relva crescer” q o resultado era o mesmo 
https://t.co/CXWNMpr8wK #observacional

Diabetes: reportam estabilidade ou tendência de decréscimo da incidência da diabetes em muitos países desenvolvidos. …será? efeitos da prevenção?
https://t.co/dIRkp1c1Fp #observacional

Depressão: meio rural ajuda a recuperar (vs urbano) mas demasiada ruralidade (maior distância ao centro clínico) agrava. O efeito do isolamento… 
https://t.co/EBCoSEdZBC #observacional

Adolescentes e depressão: quanto mais tempo nas redes sociais maior o risco. 
https://t.co/3dpsbjqGNF #observacional

ECG de 1 derivação em smartphone em cuidados primários. Estudo pequeno. Mas é uma realidade com a qual vamos ter de lidar. Vai-nos cair em cima 
https://t.co/Ev7A8jyPE7 #diagnóstico

Por que é que os programas de e-health falham? Porque são avaliados com a lente científica e não com a social. Debate relevante 
https://t.co/sFTIlX9bog #opinião

iSGLT2 e prevenção de eventos renais em diabéticos – sinopse da evidência 
https://t.co/I8Y8wKnVRs #sinopseEBM

Gravidez: recomendar vigilância dos movimentos fetais no terceiro trimestre pode não ser útil e até induzir malefício. 
https://t.co/8oqIssiDGR #sinopseEBM

Exames de rotina = cuidados de saúde de baixo valor. Não são efectivos 
https://t.co/8kSdU49ZuS #sinopseMBE

Empatia em tempos de história clínica electrónica 
https://t.co/p7VBhTq9zE #opinião

Reduzir a sobreutilização de cuidados médicos – sobrediagnóstico e sobretratamento – passa por reconhecer que as boas intenções podem (não intencionalmente) fazer mal às pessoas 
https://t.co/FuLQHOqigg #opinião

Desenhar cuidados de saúde para as pessoas que realmente necessitam deles. A omnipresença da multimorbilidade pela visão de um investigador crucial na matéria 
https://t.co/L51fvaRdqv #opinião

Redefinindo insuficiência cardíaca com fracção de ejecção reduzida. Isso e a fragilidade dos limites diagnósticos em medicina. 
https://t.co/E79xJtmvHk #opinião

Outros

Candida auris – revisão clínica 
https://t.co/Cs1rUaeT9j #educação

Nódulos da tiróide: revisão clínica 
https://t.co/cNlN8oPYAX #revisãodetema


todos estes artigos são publicados ao longo da semana na conta twitter @davsrodrigues

Declaração de Copenhaga para Actividade Física e Envelhecimento – Notas de Evidentia #222019

Por Sofia Gonçalves Ribeiro

PERGUNTA CLÍNICA

Qual o efeito da actividade física nos idosos, no que diz respeito à capacidade funcional e cognitiva, saúde mental, alteração de comportamentos e inclusão social?

A RETER

Consenso de peritos elaborado por 26 investigadores, de várias áreas, baseado em evidencia científica, sobre efeito da actividade física nos idosos. Este consenso reforça os vários benefícios da actividade física, contudo realça a necessidade de mais estudos sobre os tipos de exercícios e a duração/frequência da sua prática.

QUAL A RELEVÂNCIA DESSA PERGUNTA?

O aumento da prevalência da população idosa tem desencadeado várias preocupações, nomeadamente em encontrar práticas que promovam um envelhecimento activo e saudável.  A actividade física tem demonstrado múltiplos benefícios, sendo que este artigo pretende resumir o estado da arte sobre os efeitos da actividade física nos idosos.

QUEM FINANCIOU?

Os autores não declararam nenhum financiamento.

QUE TIPO DE PERGUNTA FAZ ESTE ESTUDO?

Consenso de peritos.

CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS

De 19-22/novembro/2018, 26 investigadores representando nove países e várias áreas académicas reuniram-se na Dinamarca, com o objectivo de elaborar um consenso baseado em evidência cientifica sobre actividade física e idosos. As declarações apresentadas são baseadas em associações longitudinais obtidas de estudos observacionais e estudos controlados e aleatorizados, bem como em estudos sociais quantitativos e qualitativos em idosos saudáveis da comunidade, abarcando diferentes metodologias e matérias (epidemiologia, medicina, fisiologia, neurociência, psicologia, sociologia). Os autores não apresentam as referências bibliográficas, pelo que não temos acesso aos estudos em que se basearam para chegarem às suas conclusões. Contudo, referem ter tido em conta os pontos fortes e limitações de cada metodologia dos estudos analisados. Não é indicado o nível de evidência ou força de recomendação.

QUAIS SÃO OS RESULTADOS (DECLARAÇÕES)?

Os autores dividiram as suas declarações em 4 temas: 1. Capacidade funcional e saúde; 2. Função cognitiva e saúde mental; 3. Modificação de comportamentos, motivação e hábitos; 4. Perspectiva social.

Declarações mais relevantes:

  • Idosos fisicamente activos, em comparação com idosos inactivos, mostram benefícios em termos de função física e cognitiva, mobilidade, dor músculo-esquelética, risco de quedas, fracturas, depressão, qualidade de vida e compreensão da incapacidade.
  • A inactividade física em idosos está associada a uma maior probabilidade de doença e aumento do risco de mortalidade prematura por todas as causas. As condições e doenças incluem disfunção metabólica, doenças cardiovasculares, alguns tipos de neoplasias e sarcopénia.
  • Os benefícios da actividade física (por exemplo, melhor função física e mortalidade prematura reduzida) podem ocorrem mesmo quando realizada em menor volume e intensidade do que as guidelines frequentemente recomendam (150 min de actividade física de intensidade moderada a vigorosa por semana).
  • São necessários mais estudos para determinar que tipo de exercício, (por exemplo, resistência, equilíbrio, flexibilidade, exercício aeróbico ou uma combinação de modalidades) e qual é a duração e intensidade do exercício necessário para optimizar os seus benefícios.
  • Estudos observacionais proporcionam evidência consistente de que o declínio cognitivo associado ao envelhecimento (também observado, por exemplo, na doença de Alzheimer e na doença de Parkinson) pode ser atrasado nos idosos activos.
  • Estudos controlados e aleatorizados que habitualmente incluem 3 horas de actividade física por semana em períodos que variam entre alguns meses a 1 ano, mostram uma melhoria na estrutura e função do cérebro e da capacidade cognitiva, perceptual e motora.
  • Auto-eficácia, motivação, depressão e saúde auto-referida estão associados a actividade física nos idosos.
  • A prática de exercício é influenciado por factores interpessoais, ambientais e políticos.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Bangsbo, Jens, et al. «CopenhagenConsensusStatement 2019: PhysicalActivityandAgeing». BritishJournalof Sports Medicine, Fevereiro de 2019, p. bjsports-2018-100451. DOI.org (Crossref), doi:10.1136/bjsports-2018-100451.

https://t.co/cHGQEgYRqf

Lombalgia e o Dr. Google: qual a credibilidade das recomendações em websites gratuitos? – NOTAS DE EVIDENTIA #212019

Por Maria José Correia

Pergunta Clínica

Qual a credibilidade, exatidão e abrangência das recomendações sobre lombalgia aguda, persistente ou com características radiculares em website gratuitos, sem fins comerciais, vistos como fiáveis pela população?

A Reter

Este estudo tinha como objetivo avaliar a credibilidade, a exatidão e a abrangência das recomendações sobre o tratamento das dores de costas em páginas web de instituições governamentais e/ou sem âmbito comercial, tidas como fiáveis pelos utentes. Segundo os autores, a informação presente é de baixa qualidade, pelas numerosas inexatidões e por não abordar a maioria das recomendações da NICE (2016) ou AFP (2017) sobre o tratamento da lombalgia. Se a população recorre habitualmente à internet como fonte de informação sobre problemas de saúde, deveria estar disponível informação atualizada, fiável e de fácil compreensão de maneira a contribuir para a literacia em saúde dos nossos utentes. Seria interessante replicar este estudo em contexto nacional para ver se os resultados seriam semelhantes.

Qual a relevância dessa pergunta?

De acordo com alguns estudos, a maior parte das pessoas recorre à internet para obter informações sobre problemas de saúde antes de recorrer ao seu médico assistente. Quando utilizada corretamente, a informação permite diminuir o número de visitas a uma instituição de saúde. No entanto, se a informação disponibilizada for de baixa qualidade, haverá uma maior procura por cuidados de saúde que poderia ser dispensada, associada a maior ansiedade por parte das pessoas.

Quem financiou?

Bolsas de investigação financiadas pela National Health Medical Research Council Early Career Fellowship

Que tipo de perguntas faz este estudo?

Revisão sistemática

Considerações metodológicas

Apesar de se descrever como uma revisão sistemática, o artigo tem como objetivo caracterizar as páginas web de forma detalhada e sistemática. Não existem estudos semelhantes sobre esta temática que visem apenas páginas web sem fins comerciais. Os dados foram retirados de páginas web de instituições governamentais, hospitais, ordens profissionais e universidades, assim como de organizações sem fins lucrativos de 6 países anglófonos. Em todas tinha que constar informação sobre o tratamento da lombalgia aguda, persistente com ou sem irradiação. As palavras chave relacionadas com lombalgia foram codificadas com recurso a Google Adwords, individualmente para cada país e, posteriormente, colocadas no motor de busca Google. Um investigador avaliou as primeiras 50 entradas de cada palavra chave e forneceu os urls aos restantes investigadores para avaliação. Apesar de Google Adwords não ser considerado um mecanismo válido para investigação, neste caso foi a solução encontrada para adaptar as palavras-chave à população do país. A escolha das 50 entradas da pesquisa do Google é representativo do que um utilizador médio faria. Os investigadores compararam a informação das páginas com as recomendações da NICE (2016) e ACP (2017) para o tratamento da lombalgia aguda, persistente e com irradiação. A informação das páginas foi classificada segundo:

  1. Credibilidade – usando os critérios JAMA benchmark,
  2. Exactidão – proporção de recomendações que seguiam as guidelines,
  3. Abrangência – proporção de medidas recomendadas sobre o total de recomendações das guidelines.

Quais são os Resultados?

Globalmente, as recomendações encontradas sobre lombalgia não são abrangentes e são na maioria dos casos pouco fiáveis, estando desatualizadas em 68% dos casos. As páginas web incluídas neste estudo pertenciam sobretudo a hospitais ou agências governamentais (68%) e a maioria delas não disponibilizava referências (73,4%), autores (77.25%) ou declaração de conflito de interesses (93.7%). As recomendações sobre lombalgia aguda são as mais exatas (50,4%) e abrangentes (28.6%), de acordo com as guidelines da NICE e AFP, quando comparadas com as recomendações sobre lombalgia persistente (exactidão 38.3%, abrangência 18%) ou lombalgia irradiada (exatidão 38.7%, abrangência 16.4%).

Globalmente, as recomendações encontradas nas páginas web não permitem que se faça uma verificação de fontes/autores, o que as torna menos credíveis. A informação constante nas páginas é de baixa qualidade, sendo pouco exactas e abrangentes para todos os tipos de lombalgia.

Como posso aplicar os resultados aos meus doentes?

Este estudo serve para nos colocar de sobreaviso relativamente à informação sobre saúde que existe disponível online. A maioria das páginas de internet apresenta informação de baixa de qualidade, pelo que é importante alertar os utentes para o tipo de informação que procuram na internet, para a fiabilidade dos dados e para os riscos versus benefícios de aceder a esta informação antes de contactar um médico. Por outro lado, deixa-nos também em sobreaviso para a necessidade de indicar/criar páginas web com informação fiável e clara sobre os problemas de saúde mais frequentes para os utentes, contribuindo para o aumento da literacia em saúde, baseado na melhor evidência científica disponível.

Referência Bibliográfica

Ferreira, Giovanni, et al. «Credibility, Accuracy, and Comprehensiveness of Internet-Based Information About Low Back Pain: A Systematic Review». Journal of Medical Internet Research, vol. 21, n. 5, 2019, p. e13357. http://www.jmir.org, doi:10.2196/13357

https://www.jmir.org/2019/5/e13357/

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