Intervenções para reduzir o risco cardiovascular – Notas de Evidentia #122019

por Joana Pinto Pereira

Qual a pergunta?

Que intervenções podem reduzir o risco cardiovascular?

O que fizeram?

Revisão sistemática de guidelines prévias, metanálises, bases de dados nacionais (EUA), ensaios clínicos, estudos de coortes e observacionais publicadas entre 2010-2018, referentes a 9 tópicos relacionados com Risco Cardiovascular (RCV): cálculo de RCV, dieta, atividade física, obesidade e perda ponderal, DM tipo 2, colesterol, hipertensão, cessação tabágica e uso de Aspirina. Revisão feita por um comitée incluindo várias especialidades médicas, enfermeiros, investigadores em saúde e representantes legais (5 revisores oficiais da ACC e AHA + 23 revisores individuais)

O que recomendam?

A prevenção cardiovascular (CV) deve ser feita de forma individualizada, envolvendo o doente e a família, e tendo em conta determinantes sociais que afetam a saúde.

A multidisciplinaridade na abordagem da doença CV é fundamental sobretudo em meios desfavorecidos e a medida preventiva mais importante é a promoção de estilos de vida saudáveis. O RCV pode ser calculado por diversas ferramentas (recomendam o ASCVD Risk Estimator mas na Europa temos o SCORE), devendo ser feito sistematicamente entre 40-75 anos e a cada 4-6 anos dos 20 aos 39 anos.

Deve promover-se uma dieta mediterrânea privilegiando o consumo de vegetais, fruta, cereais, peixe e gorduras insaturadas, e reduzindo o sal, carnes vermelhas, gorduras trans, hidratos e bebidas açucaradas.

Todos os indivíduos devem manter atividade física regular com o objetivo mínimo de 150min/semana de exercício aeróbio moderado ou 75min/semana de exercício intenso, iniciando gradualmente até atingir os objetivos. Atividade inferior parece ter também benefício, assim como exercícios de resistência (ainda que não reduzam RCV).

O IMC deve ser calculado sistematicamente e os indivíduos com obesidade/excesso de peso devem ser aconselhados para a perda ponderal, delineando-se um plano dietético com modificação de hábitos e restrição calórica. Nestes indivíduos é especialmente importante a avaliação do perímetro abdominal, concomitantemente.

Perdas de 5-10% do peso mostraram melhorar a TA, DM, o controlo glicémico e perfil lipídico. Intervenção farmacológica e cirúrgica podem ser equacionadas individualmente.

Indivíduos com DM 2 devem manter bom controlo glicémico e exercício regular (mesmos alvos da restante população).

O tratamento com estatinas depende do risco: risco intermedio pode ponderar-se estatina de potência intermedia para diminuir o LDL ≥30%*; se risco elevado, recomendam diminuir LDL ≥50%*; se LDL ≥190mg/dL recomendam usar a dose máxima tolerada de estatina.

Diabéticos (40-75anos), independentemente do RCV devem fazer estatina com potência moderada, a não ser que estejam presentes múltiplos fatores de risco CV, devendo aqui optar-se por estatina de elevada potencia, para objetivo de redução de LDL ≥50%*.

Em qualquer idade, na hipercolesterolemia familiar deve fazer estatina desde o diagnóstico ou se doença CV prematura na família e LDL ≥160mmHg. Após os 75 anos a decisão deve ser ponderada caso a caso.

A primeira intervenção para controlo tensional é a mudança dos estilos de vida (perda ponderal, dieta, reduzir consumo de sal e álcool, atividade física e suplementação com potássio). Se RCV moderado e TAs média ≥130mmHg ou TAd média ≥80mmHg deve-se iniciar antihipertensor em prevenção primária. Com ou sem HTA confirmada, DM ou doença renal crónica, o alvo de TA é 130/80mmHg*. Se o RCV for inferior a moderado, o alvo é 140/90mmHg*. Se HTA já conhecida o alvo deve ser 130/80mmHg*.

A avaliação e aconselhamento para a cessação tabágica deve fazer-se sistematicamente, assim como para a evicção de consumo passivo. Devem existir nos serviços, equipas especializadas em cessação tabágica. Os melhores resultados foram conseguidos com uma intervenção combinada de alteração comportamental + farmacológica.

O uso de AAS (75-100mg id PO) em prevenção primária deve ser considerado nos indivíduos com elevado RCV e baixo risco hemorrágico, se risco hemorrágico presente ou idade acima dos 70 anos, não está preconizado o uso de AAS.

*NOTA: alertamos para o facto da definição destes valores alvo de tratamento serem definidos por consenso de peritos.
Há evidência que, nos idosos, apontar para valores de TA muito baixos pode ser prejudicial.

Referência

https://doi.org/10.1016/j.jacc.2019.03.010

Arnett, Donna K., et al. «2019 ACC/AHA Guideline on the Primary Prevention of Cardiovascular Disease». Journal of the American College of Cardiology, Março de 2019. Crossref, doi:10.1016/j.jacc.2019.03.010.

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Episódio#22 – Vacina contra a meningite B

RCM – link aqui

Recomendação inicial do Committee for Medicinal Products for Human Use (CHMP) – Agência Europeia do Medicamento – link aqui

Artigo do Lancet (dados do Reino Unido 2016) – link aqui

Evidentia da semana #182019

Destaque

Curso de Avaliação de Literatura Médica – 4ª edição – 01 a 05 de Julho de 2019 – inscrições abertas – link aqui

Top 20 artigos mais relevantes de 2018 
aafp.org/afp/2019/0501/… 
#educaçãomédica

Sumários

Anemia ferropénica: será que as novas formulações de Fe são melhores que as clássicas (sais)?
(Tools for Practice) gomainpro.ca/wp-content/upl… 
#sumário

Revisões Sistemáticas

Diabetes e insulina: análogos de insulina de curta duração sem benefício quando comparados com insulina humana regularcochranelibrary.com/cdsr/doi/10.10… 
#revisãosistemática

Probióticos para prevenção de diarreia associada a toma de antibióticos. Efeito positivo mas problemas metodológicos relevantes (heterogeneidade por exemplo). cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.10… 
#revisãosistemática

Estudos Primários

Diabetes em adolescentes: 10-17 anos; obesos; a fazer metformina; liraglutido vs placebo. Melhora HbA1c ~1% assim se desvia a atenção do q realmente importa: apoiar estes jovens a alterar radicalmente o seu estilo de vida!
https://t.co/V72ZRDitSg 
#ensaioclinico

Que actividades fazemos na consulta? a fabulosa @LilianaLaranjo and cols. mapearam as actividades realizadas numa consulta de MGF. Resultado: não seguimos modelo clássicos de procura de informação. Muita complexidade! https://t.co/YXnO5zqDNz 
#qualitativo

Refeições personalizadas e adaptadas às condições clínicas dos doentes associaram-se a menos hospitalizações e menor gasto em saúde. Estudo de coorte retrospectivo com muita magia estatística. jamanetwork.com/journals/jamai… 
#observacional

Nascer prematuro associado com maior risco de desenvolvimento de doença renal crónica durante a infância e adulto-jovem. Associação estatística. Não define causalidade. Guidelines devem agora decidir se vigilância ou não. 
bmj.com/content/365/bm… 
#observacional

Sarampo – 1,3% das crianças abaixo dos 2 anos nos EUA não está vacina. Autoridades preocupadas. Casos neste surto superam 700 casos cdc.gov/mmwr/volumes/6… #vacinasfuncionam

Pregabalina para dor neuropática: revisão dos benefícios e riscos evidentlycochrane.net/pregabalin-neu… 
#revisãonarrativa

Outros

Multimorbilidade, doença cardiovascular e polifarmácia: a European Primary Care Cardiovascular Society gostou da apresentação que fiz na conferência que organizaram em Março em Lisboa e convidaram-me a gravá-la em vídeo.
Está disponível no site da EPCCS (registo grátis) https://t.co/lf2QTCcfVt #educaçãomédica

Desprescrição: lista de ferramentas muito úteis (em espanhol). https://t.co/5AnlCvV1HR
#educaçãmédica

Game of Thrones: análise da mortalidade e sobrevivência ao longo da série. Este artigo existe e está publicado! Deliciem-se com as conclusões e curvas de sobrevivência nas imagens. injepijournal.biomedcentral.com/articles/10.11…

Como é que o açúcar afecta o nosso cérebro (em inglês) 
ed.ted.com/lessons/how-su… via @TED_ED 
#educaçãomédica

Evidentia da semana #172019

Destaque

Curso de Avaliação de Literatura Médica – 4ª edição – 01 a 05 de Julho de 2019 – inscrições abertas – link aqui

Recomendações

Diabetes: recomendações alimentares para pessoas em risco
(vamos evitar o rótulo pré-diabetes)
O que sobressai é a recomendação de intervenções intensivas no estilo de vida devem ser prioridade para serviços de saúde
https://t.co/okAJBI0zyO #recomendações

Rastreio bacteriúria assintomática em mulheres adultas:
grávidas SIM; resto NÃO
https://t.co/SLmWPJeQGq #recomendações

Crianças e Grávidas: USPSTF conclui que não tem evidência para recomendar a favor ou contra o rastreio de níveis elevados de chumbo. USPSTF – https://t.co/4hrjwrL0pU #recomendações
Editorial JAMA – https://t.co/wwwQDhRNg6 

Declaração de Copenhaga para Actividade Física e envelhecimento. 30 recomendações organizadas em 4 temas: capacidade funcional; cognição e saúde mental; alteração de comportamentos; perspectiva social 
https://t.co/cHGQEgYRqf #recomendações

Revisões Sistemáticas

Inequidade nos cuidados de saúde: baixo nível socioeconómico associado a mais morte em hospital (vs em casa); a mais episódios de urgência no último ano de vida; a menos acesso a cuidados paliativos; 
https://t.co/Gw28dz4dCv #revisãosistemática

DPOC: acrescentar LAMA a terapia dupla com ICS/LABA acrescentou benefício clínico (FEV1, exacerbações, efeitos adversos CV).
https://t.co/nFH75c8R17 #revisãosistemática

Infecções urinárias de repetição nas crianças: tratamento de longa duração (2 meses a 2 anos) com antibióticos oferece pequeno benefício que contrasta com potencial risco de efeitos adversos.
Decisão difícil que deve mesmo ser individualizada (risco individual).
https://t.co/1XYf1rGi50 #revisãosistemática

Estatinas em prevenção primária – revisão de revisões sistemáticas
Lá está: decisão individualizada. Depende do risco cardiovascular basal 
https://t.co/TuykA7wH6P #revisãosistemática

Alergia ao amendoim: os regimes de imunoterapia oral disponíveis aumentam o risco de reacção alérgica e anafilaxia. Atenção!
Precisamos urgentemente de novas opções e de ensaios bem feitos. 
https://t.co/Ml0dSvkaWs #revisãosistemática #metaanálise

Estudos Primários

Hidroxicloroquina com bons resultados na proteinuria da Nefropatia IgA. Estudo pequeno que deve dar lugar a um estudo maior mas é promissor (importante pela falta de tratamentos para evitar transplantes em jovens) 
https://t.co/rX19IAJMSB #ensaioclinico

Devemos adicionar relaxantes musculares a anti-inflamatórios na lombalgia? não vale a pena. 
https://t.co/jAQnyQeI1v #ensaioclinico
A minha pergunta é: e os anti-inflamatórios valem a pena? Já sabiamos q são pouco mais que placebo https://t.co/ONGKuhAmyZ

Semaglutido na diabetes: mais um ensaio com resultados glicémicos e não resultados clinicamente relevantes… insuficiente para entrar no arsenal 
https://t.co/6JGXNPpWAC #ensaioclinico #queremosoutcomesclinicos

Metformina associada a redução de peso e manutenção dessa redução a longo prazo. As restantes conclusões dos autores parecem-me roçar a especulação. 
https://t.co/56VMF09Csj #análiseposthoc

Saltar pequeno almoço: estudo associa maior mortalidade nas pessoas que não tomam nunca pequeno-almoço. Atenção: estudo observacional 
https://t.co/K6BDydvNae #observacional

Morte súbita nos bébes – estudo confirma: devem dormir de costas, cama individual (não partilhada) e sem roupa de cama macia (cobertores, almofadas, travesseiros, etc..) na sua área de sono 
https://t.co/POrMvPcd5b #observacional

Tabaco e gravidez: deixar de fumar associado a redução do risco de parto prematuro, mesmo para grandes fumadoras – e quanto mais no início da gravidez melhor. 
https://t.co/wajs10dS5D #observacional

Cada vez passamos mais tempo sentados. Crianças e adolescentes ocupam cada vez mais do seu tempo de lazer sentados a olhar para ecrãs. 
https://t.co/fqCtrR0qSY #observacional #boraláparaforajogaràbola

Outros

Videos explicativos para inaladores – em inglês 
https://t.co/Dmu46QW8e4 #útil #educaçãomédica

Sarampo: 681 casos nos EUA – o maior número desde há 19 anos.
Vale a pena este editorial no Lancet – https://t.co/QxGEW37toi 
números no CDC https://t.co/taPvFWlCoP #VacinasFuncionam

Tempo de abandonar rastreios oncológicos? “O rastreio continua a ser promovido como um fundamental no controlo do cancro, apesar da evidência cada vez maior de que são criados mais danos do que benefícios” https://t.co/kf5ia0UpKW #opiniao

MGF no Sociedade Civil da RTP2 – Parabéns Alexandra pelo testemunho e pelas palavras que muito dignificam a MGF (como habitual aliás). Tb muito bem o Dr. Carlos Nunes e o Dr. Henrique Botelho. Obrigado aos três pela fantástica representação da MGF
https://www.rtp.pt/play/p5300/e402900/sociedade-civil

Evidentia da semana #162019

Destaque

Podcast – episódio #21 – Ecografia mamária no rastreio do cancro da mama? Análise de um artigo recentemente publicado no JAMA Internal Medicine que procura responder a essa pergunta. Aproveitamos para explicamos o que é um estudo de coorte e como sempre: humor altamente discutível.

Recomendações elaboradas sistematicamente

Estenose Aórtica: tratamento com TAVR – resumo da guideline da AHA/AAC 
https://t.co/FhYHFgpmPk 
#recomendações

Revisões sistemáticas

Exercício Físico: Treino MOD (moderado contínuo) e HIIT (elevada intensidade com intervalos) ambos diminuem % gordura corporal. HITT reduz mais massa gorda corporal.
Qualquer um é melhor que não fazer exercício 
https://t.co/yj0BwInbLE 
#revisãosistemática

Continuidade de cuidados (médico de família) associada a diminuição das hospitalizações evitáveis. 
https://t.co/lzlkYHCNNq 
#revisãosistemática

Cessação tabágica: terapia combinada (patch + alguma forma de nicotina rápida) consegue resultados superiores a terapia simples. 
https://t.co/ySsNrHOXYf 
#revisãosistematica

Dieta e Diabetes: dieta mediterrânica e vegetariana podem conseguir maior controlo glicémico que dietas baixas em gorduras. 
https://t.co/spRZt4jzd4 
#revisãosistemática

Sotagliflozina em diabetes tipo 1. Ao contrário dos autores vejo muito pouca redução de outcomes glicémicos e elevados riscos de eventos adversos. Isto precisa de mais dados antes de entrar na prática
https://t.co/aHBCzaMPc1 
#revisãosistematica
#metanálise

ESTUDOS PRIMÁRIOS

Diabetes: canagliflozina, um inibidor SGLT2, reduz riscos de resultados renais e cardiovasculares em DM tipo 2. Grande buzz por finalmente ver resultados positivos nestes doentes. Maaas…cuidado… ensaio interrompido 
https://t.co/dyk74Am0c5 
#ensaioclinico

Diabetes gestacional associada a maior risco de, nos filhos, ocorrer diabetes na infância e adolescência
https://t.co/zxyqW8k6Rv 
#observacional
#necessariamaisprova

Apps de vibração no smartphone podem substituir diapasão na avaliação de perda auditiva. 
https://t.co/81IERsNfTq 
#diagnostico

Estilo de vida activo associado a menor risco de diabetes, dça coronária e AVC mas não demências. 
https://t.co/AxF1INQrqU 
#observacional

Bebidas energéticas: resumo das características das 5 marcas mais consumidas no UK (Lucozade, Red Bull, Monster, Rockstar e Relentless): pH extremamente ácido e quantidades exageradas de açucar. Há opções bem mais saudáveis 
https://t.co/XiLE8rzQYS 
#observacional

Pediatria: quanto maior a exposição a ecrãs maior o risco das crianças desenvolverem problemas comportamentais. 
https://t.co/0ChmPaRRHN 
#observacional
#interpretarcomcuidado

Pediatria: crianças com estilo de vida de acordo com as recomendações médicas (dieta, actividade física, sono, tempo de ecrã) consultam menos por problemas de saúde mental. 
https://t.co/8FDl4Nj4Qx 
#observacional

Episódio#21 – Ecografia mamária no rastreio do cancro da mama?

Neste episódio abordamos uma questão que frequentemente encontramos na consulta quando falamos de rastreio do cancro da mama: será que a ecografia tem lugar no rastreio do cancro da mama?

Para isso analisamos um estudo de coorte que procura responder justamente esta questão que foi recentemente publicado no JAMA Internal Medicine

Aproveitamos para explicar o que é um estudo de coorte (logo no início do episódio) e deixamos aqui um resumo dos resultados:

  • Por cada 1000 mulheres rastreadas com mamografia + ecografia mamária, 57 tiveram recomendação para fazer biópsia, sendo que 5 tinham mesmo cancro da mama e 52 um falso positivo, 39 mulheres receberam recomendação para repetir exames de imagem mais cedo e 2 tiveram diagnóstico de cancro da mama no espaço de 1 ano depois do rastreio ter sido negativo.
  • A ecografia foi mais vezes feita em mulheres com:
    • mamas densas (74,3% vs 35,9%)
    • <50 anos (49,7% vs 31,7%)
    • história familiar de cancro da mama (42,9% vs 15,0%)
    • estimativa de risco de cancro da mama alto ou muito alto (21,4 vs 6,6%)
  • A maior parte das ecografias foi feito em mulheres de risco médio ou baixo
  • O número de exames com BI-RADS 0 foi significativamente menor (0,3 vs 17,2% – NNT 6)
  • Recomendação para fazer biópsia aumentou para o dobro (57,4 vs 27,7 por 1000 rastreios – NNH 34)
  • Necessidade de seguimento em intervalo mais curto foi também significativamente maior (3,9 vs 1,1%, RR 3,1 – NNH 36)
  • Resultados falsos positivos que conduziram a biópsia foram significativamente mais altos (52 vs 22 por 1000 rastreios – NNH 33)
  • Valor preditivo positivo da recomendação para fazer biópsia desceu para menos de metade (9,5 vs 21,4%).
  • Não foram observados aumento de sensibilidade ou diminuição de falsos negativos estatisticamente significativos.
  • Taxa de detecção de cancros foi idêntica (5,4 vs 5,5 por cada 1000 rastreios)
  • Taxa de cancros intervalares foi também idêntica 1,5 vs 1,9 por 1000 rastreios

Referência bibliográfica do estudo analisado: Lee, Janie M., et al. “Performance of Screening Ultrasonography as an Adjunct to Screening Mammography in Women Across the Spectrum of Breast Cancer Risk.” JAMA Internal Medicine, Mar. 2019. jamanetwork.com, doi:10.1001/jamainternmed.2018.8372.

Evidentia da semana #152019

Destaque

Rastreio do cancro da mama: recomendações do American College of Physicians. Muita discussão riscos/benefícios e avisam que “Na maioria das mulheres de risco normal entre 40 a 49 anos os riscos são maiores que os benefícios.”
https://t.co/1zENhkddFt
#recomendações

Revisões sistemáticas

Vacina rotavirus: continua a não fazer sentido em países de baixa mortalidade pelo virus
https://t.co/vJqzRUmi7I 
#revisaosistematica

Estudos primários

Exercício físico em lares de idosos: programas de exercício individualizado e progressivo parecem ser eficazes na prevenção de quedas e na redução da fragilidade e mortalidade. 
https://t.co/yU1hUVBXSs 
#ensaioclinico

Exames de rotina. Perspectivas de pessoas saudáveis que os pedem na consulta https://t.co/2Uz6N1TiBX 
#qualitativo

Diabetes: diagnóstico após os 80 não confere maior risco de mortalidade. No sentido inverso, quanto mais jovem no diagnóstico mais anos de vida perdidos. 
https://t.co/mFBjpzGOFD 
#observacional
#coorte

Suplementos nutricionais não oferecem qualquer benefício na mortalidade. 
https://t.co/yHOLrqKazf 
#coorte
#observacional

Depressão: como tratar. Boa revisão no BMJ https://t.co/a8bk1gEGRj 
#revisãoclássica
#evidentiamedica

PS: cuidado com o primeiro artigo desta série pois o rastreio da depressão não tem suporte na literatura médica. 
https://t.co/nkOOxsmVuY

Presença de espaços verdes durante a infância associou-se a ↓ incidência de doença mental em adulto. Controlaram: urbanização, factores socioeconómicos, historia parental de doença mental e idade dos pais. 
https://t.co/ppBVhhv8IS
#observacional
#valeoquevale

Ansiedade associada (de forma bastante robusta) a doença cardiovascular. Estudo observacional atenção. 
https://t.co/qYBqM8WbSg
#observacional

Qualidade: intervenção de melhoria da qualidade para optimizar terapêutica cardiovascular. Ensaio clínico com outcomes não clínicos. Porque não replicar isto nas nossas unidades? 
https://t.co/nGxjLSwa2F
#qualidade
#ensaioclinico

Outros

Definir doenças: proposta para uma nova estratégia centrada nas pessoas e liderada pelos cuidados primários
https://t.co/GUOLxT0ma9 
#outros

Alerta nerd: revisão de análises custo-efectividade 
https://t.co/rbpx6VZkNm
#metodologia

Obesidade: sugestão de abordagem prática a partir de recomendações de guidelines 
https://t.co/vUDuGRQYWQ
#opinião

Desprescrição de fármacos: essencial e necessária. Muita da educação médica é dedicada a recomendações de iniciar fármacos. Precisamos de mais (in)formação sobre quando parar medicamentos. 
https://t.co/tLm2ZsJApe
#opinião
#educaçãomédica

Duração de antibioterapia em cuidados primários – Notas de Evidentia #11 | 2019

por Gisela Costa Neves

Qual a pergunta?

Estão a ser cumpridas as recomendações relativas à duração de antibioterapia para tratamento de infecções comuns em consultas dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) em Inglaterra?

O que fizeram?

Estudo observacional (cross-sectional).
Foram consultados os registos de 931 015 consultas nos CSP em Inglaterra em que houvesse prescrição de antibioterapia para uma das seguintes indicações: sinusite aguda, sintomatologia aguda de garganta irritada, bronquite e tosse aguda, otite média aguda, cistite aguda, prostatite aguda, pielonefrite, celulite, impétigo, escarlatina e gastroenterite.

Avaliaram a % de prescrições de antibióticos com duração de tratamento superior às recomendadas por guidelines e o número total de dias de antibioterapia além da duração recomendada para cada uma das indicações acima.

O que concluem?

Para a maioria das infecções tratadas nos CSP, verificou-se uma % substancial de prescrições de antibióticos com duração de tratamento superior à recomendada em normas de orientação clínica.

Cumprir a duração de antibioterapia recomendada é uma estratégia para reduzir a exposição a antibióticos. Sugerem que devem ser investigados os motivos que condicionam pouca adesão a seguir as durações de tratamento recomendadas.

Notas

Os motivos mais comuns para prescrição de antibioterapia foram: bronquite e tosse aguda (n=386 972; 41,6% das consultas), sintomatologia aguda de garganta irritada (n=239 231; 25,7% das consultas), otite média aguda (83 054; 8,9%) e sinusite aguda (76 683; 8,2%).

Mais de 2/3 dos antibióticos foram prescritos para tratamento de infecções agudas do aparelho respiratório superior, sendo que 80% destes excederam a duração de tratamento recomendada. Excepções: sinusite aguda (apenas 9.6% das prescrições excederam a duração do tratamento em 7 dias, IC 95% 9.4% – 9.9%) e sintomatologia de garganta seca (2,1% excederam a duração de 10 dias, IC 95% 2.0% – 2,1%, sendo que guidelines mais recentes recomendam apenas 5 dias). No que toca ao tratamento da cistite aguda, mais de 54.6% (54.1% – 55%) das prescrições excederam a duração recomendada, nas mulheres. A % de prescrições de antibióticos com duração de tratamento superior às recomendadas foi menor em infecções não respiratórias.

Para um total de 931 015 consultas incluídas no estudo, o total de dias de antibioterapia além do recomendado foi de cerca de 1,3 milhões de dias. De notar que não foram avaliadas outras condições dos doentes que pudessem justificar uma duração de tratamento superior à recomendada.

Referência bibliográfica

Pouwels, Koen B., et al. «Duration of Antibiotic Treatment for Common Infections in English Primary Care: Cross Sectional Analysis and Comparison with Guidelines». BMJ, Fevereiro de 2019, p.I440. Crossref, doi:10.1136/bmj.I440ano

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