Evidentia da semana #242019

Destaque

Terapêutica farmacológica de longo prazo para a prevenção de fracturas osteoporóticas, descontinuações e intervalos
Excelente análise por Paulo Costa. Definitivamente a não perder!

Recomendações elaboradas sistematicamente

HIV: profilaxia pre-exposição (PrEP)
A USPSTF recomenda profilaxia em grupos de elevado risco.
– evidência difícil.
– problemas na definição de elevado risco.
– problemas na adesão ao tratamento.
– ganhos em saúde? 
https://t.co/twg2DgjuiS #recomendações

Revisões sistemáticas

Hipertensão de bata branca associada a maior morbi-mortalidade. Revisão sistemática com áreas cinzentas. Não altera que para diagnóstico e gestão da hipertensão o melhor são valores ambulatórios (MAPA ou AMPA). 
https://t.co/rJhBc6FfdR #revisãosistemática

Asma infantil persistente: sugestão que fluticasona e dispositivos easyhaler geram menor supressão de crescimento. Nada claro. O que sim é claro é que os benefícios dos corticoides superam o risco de afectar o crescimento. 
https://t.co/kxQyvHkNqR #revisãosistemática

Aí está o estudo esperado por meia humanidade: consumo de chocolate associado com resultados favoráveis em saúde.
alerta 1: prova científica fraca.
alerta 2: não se metam a comer chocolate como se não houvesse amanhã 
https://t.co/RXys7SzEtV #revisãosistemática

Estudos Primários

Vitamina D NÃO previne diabetes. Ainda não foi desta que encontraram utilidade para a suplementação com vitamina D. Um dia destes qualquer espancamento estatístico dá qualquer coisa… 
https://t.co/ksUNr7HVTg #experimental

Diabetes: semaglutido oral na calha. Já só falta demonstrar utilidade clínica em outcomes “duros”. Neste ensaio consegue diminuir A1c ainda que à custa de muitos mais eventos gastrointestinais. Para estar atento. 
https://t.co/FY9hnMSgKq #experimental

Semaglutido (GLP-1) – perfil de segurança cardiovascular não inferior a placebo 
https://t.co/dMVYfIk44X #experimental

Partos vaginais instrumentalizados devem receber profilaxia antibiótica para prevenção de infecções. Amoxi-clav e.v. toma única. Sugerem alterar guidelines. 
https://t.co/iVr40hzX2I #experimental

O que é que importa para os doentes com multimorbilidade quando contactam os cuidados primários de saúde? Acesso, disponibilidade e personalização dos cuidados. 
https://t.co/U2D0mFukIv #qualitativo

Polifarmácia em pessoas com multimorbilidade: padrões mais frequentes. https://t.co/ZmFL7HabWM #observacional

Saúde auto-referida de mulheres que interromperam e não interromperam a gravidez após procurarem serviços de aborto. Sem diferença entre os grupos. Resultados aos 5 anos interessantes… !! Coorte = não causalidade. 
https://t.co/EdlEY2DFEa #observacional

Obesidade: filhos de grávidas obesas têm 264% mais possibilidades de serem obesos. Essencialmente reflete a natureza social e complexa do problema. Tb q a prevenção da obesidade infantil deve começar na pré-concepção 
https://t.co/BfQ1A18x4U #observacional

Mesmo pre-escolares têm benefícios clínicos com maior actividade físicahttps://t.co/IlTVA06VfX #observacional

Os doentes não percebem a linguagem que usamos nos consentimento informados em oncologia.
Consentimento? Informado? Urgente simplificar a linguagem médica. 
https://t.co/tMCwR44fu0 #observacional

Aumento de consumo de carnes vermelhas associada a aumento da mortalidade global. Particularmente carnes processadas (bacon, chouriços, salsichas). 
https://t.co/oDJLglsBpj #observacional

Estudo sugere associação entre gabapentinoides e risco aumentado de comportamento suicida, overdoses não intencionais, lesões na cabeça / corpo, e incidentes e ofensas no trânsito. 
https://t.co/HUeuIpagFr #observacional

Redes sociais e machine learning para diagnóstico de doença.
Testam modelos.
Ex: na detectação de depressão com análise de conteúdos online.
Nota que vem à mente: elevado risco de disease mongering. 
https://t.co/cvZE7NXWzy #bigbrotheriswatching #observacional

Outros

Mapa de politicas para redução do uso de antibióticos. 
https://t.co/DhyZxXJXXY #saudepublica

Situs Inversus Totalis
Fantástico. 
https://t.co/wIOEgK8005 #educação

Osteoporose post-menopausa: revisão das opções de tratamento. Tratamento farmacológico porque para mim falta o exercício físico como a recomendação essencial. 
https://t.co/Pt7P016Y27 #revisãoclássica

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Evidentia da semana #232019

Destaque

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Sumários de apoio à decisão clínica

Antiagregação simples ou dupla após acidente isquémico transitório ou acidente vascular cerebral isquémico menor?
Dupla durante 10 a 21 dias e depois suspender. https://t.co/pjs6t0zn9S #sumárioEBM

Fluoxetina apos AVC: não melhora os resultados funcionais. Embora aparente benefício na ocorrência de depressão (NNT 27), existe potencial aumento de fraturas ósseas entre o grupo tratado (NNH 68). 
https://t.co/zd9gc2HXHe #sumárioEBM

Açúcares acrescentados à alimentação (seja por fabricantes, cozinheiros ou consumidores). Todos maus por igual.
Esqueçam mitos tipo o moreno é “menos mau que o branco” e etc.. 
https://t.co/oJKC9t54oW #sumárioEBM

Recomendações elaboradas sistematicamente

Desporto para crianças: relatório da Academia Americana de Pediatria sobre o assunto. Recomendações para escolas, organizações comunitárias, pais e treinadores. 
https://t.co/rMBG8f6Nff #recomendações

Diabetes e doença renal crónica: actualização de recomendações da ADA 
https://t.co/bxCLjZvX2x #recomendações

Revisões Sistemáticas

Tratar adultos saudáveis com >60 anos com hipertensão moderada a grave reduz a mortalidade por todas as causas e morbi-mortalidade cardiovascular. Tiazida como primeira linha. 
https://t.co/NSbqopWUeq #revisãosistemática

Alergia ao Amendoim: imunoterapia oral aumenta consideravelmente reacções alérgicas e anafiláticas apesar de dessensibilizarem. Não serve! Novas soluções urgem. 
https://t.co/Ml0dSvkaWs #revisãosistemática

Estudos primários

Quedas nos idosos: programa de exercício físico em casa com treino de equilíbrio reduziu significativamente quedas subsequentes em comparação com cuidados normais (1,4 vs 2,1 quedas por pessoa-ano). 
https://t.co/u8dZhRJa03 #experimental

Cancro de pâncreas: aqui está o ensaio que tanto está a dar que falar. Em pessoas com mutação BRCA o olaparib leva a maior sobrevida livre de progressão. Entre outros, o problema está na variável resultado. Para ler com calma.
Ver na secção final “Outros” duas notas relacionadas com este assunto.
https://t.co/b6heTa0lLf #experimental

Protectores solares: muitos dos componentes são absorvidos para o plasma em concentrações acima do recomendado. Significado clínico incerto. Atenção: isto não significa que não nos devemos proteger do sol. SIM DEVEMOS. 
https://t.co/6q6dpj2yxh #experimental
https://t.co/RiykvOsuuq – editorial sobre este assunto

Diabetes: aos 15 anos de follow up do VADT: controlo intensivo de glucose não está associado a menor taxa de eventos cardiovasculares que o tratamento habitual. Contraria DCCT e UKPDS e concorda com ACCORD e ADVANCE 
https://t.co/IxhIdfIWLg #observacional

10000 passos por dia? estudo revela que em mulheres mais velhas nem é preciso tanto. Menor mortalidade a partir dos 5000 com média nos 7500.
“Andoori” 
https://t.co/XqTpxC0awO #observacional

IBPs (omeprazol p.e.) não são inócuos. Estudo encontra associação entre uso destes fármacos e maior mortalidade. É preciso precaução na leitura destes resultados mas devido à escala em que são usados torna-se relevante. 
https://t.co/oVmrF2ZIjA #observacional

Estudo observacional correlaciona maior uso de antibióticos nas crianças com maior o risco de desenvolverem asma.
Estudo é observacional, não estabelece nunca causalidade.
No entanto, usar antibióticos com critério é um bom princípio! 
https://t.co/C7etPm5QVB #observacional

Interessante a forma como o Twitter é usado para investigação clínica. Já conhecia os estudos de vigilância epidemiológica da gripe nos EUA, agora um exemplo de exploração de fenómenos de exclusão social. 
https://t.co/OEiy0OjHOJ #observacional

Ainda dentro da susceptibilidade às novas tecnologias: este estudo levanta a suspeita (e nada mais) de um aumento da taxa de suicídios em jovens após a estreia de uma série da Netflix em 2017.
Brave New World 
https://t.co/8q1HWkrMLl #observacional

Multimorbilidade: definir objectivos em saúde com os doentes é essencial. Sem esses objectivos não há decisão partilhada e não podemos responder às verdadeiras necessidades dos doentes 
https://t.co/485fJ2TVRU #qualitativo

Multimorbilidade: 41% destas pessoas reportam saúde global “regular” ou “má” em comparação com 13,5% na população geral. Resultados semelhantes para a saúde mental e física auto-referidas Grupo de risco! 
https://t.co/3P3d8k0Lej #observacional

Insuficiência Cardíaca: calculadora de risco a 10 anos https://t.co/2aUejRu6y9 #diagnóstico

Passado, presente e futuro do financiamento global da saúde. Mais um estudo importante da rede Global Burden of Disease financiado pela Bill & Melinda Gates Foundation 
https://t.co/mDIRfQJRsK #relatório

Vacina contra o Dengue aprovada pela FDA. indicada apenas para crianças e adolescentes de 9 a 16 anos que vivem em áreas endémicas e que tiveram uma infecção prévia confirmada por laboratório. 
https://t.co/Y8ek8f5RrA #vacinas

Hemorragias uterinas anormais em idade reprodutiva. Revisão clínica 
https://t.co/hRiBu1OYXq #revisãodetema

Outros

Manual do Cuidador Informal Desenvolvido há já algum tempo por internas de Medicina Geral e Familiar da USF Anta. 
https://t.co/lNcZmhhVpK #recursos

Oncologia parte I: interessa 1. que as pessoas vivam mais (sobrevida global); 2.vivam melhor (qualidade dessa sobrevida). O resto é surrogate. Ora tentem lá explicar a relevância de sobrevida livre de progressão aos doentes.
#metodologia https://t.co/RJmYtGZQB9

Oncologia parte II: novos tratamentos são frequentemente aprovados com evidência de um único estudo. Existem preocupações sobre a credibilidade dessa evidência. John Ioannidis em acção 
https://t.co/Mpd16oWKE6 #metodologia

O que é ser generalista?
O sketch é sobre design mas perfeitamente aplicável à medicina! by @evalottchen

Evidentia da semana #082019

Revisões sistemáticas

Asma pediatríca: ensinamentos de auto-gestão dos sintomas de asma entregues nas escolas reduz contactos urgentes com sistema de saúde. https://t.co/ooqDC20mNU #revisaosistematica

Telemedicina na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica: reduz idas à urgência e hospitalizações bem como melhora a saúde mental e qualidade de vida. https://t.co/7rhI7HFbho #revisãosistematica

Reabilitação cardíaca com exercício físico em doentes com desfibrilhador. Revisão sistemática indica potencial benefício mas há uma enorme falta de evidência de qualiade. Boa linha de investigação para alguém agarrar! https://t.co/usQQRx4xJs #revisãosistemática

Sal iodada continua a ser a melhor forma de suplementar iodo se necessário. Outras formas de fortificação iodada de alimentos não demonstrou efeito. https://t.co/e7jyc3DVAz #revisãosistemática

Doença de Crohn: antibióticos não parecem oferecer benefício clinicamente relevante na indução de remissão. https://t.co/OSS96LLQ9u #revisãosistematica

Asma: nova classe farmacológica (anti-interleucina 5) reportada como segura e eficaz nesta meta-análise em rede. Reslizumab o mais eficaz. https://t.co/GFqIKiWpt8 #revisãonma

Estudos primários

Asma pediátrica: educar os pais reduz idas à urgência. A mensagem é clara, o problema é replicar esta intervenção. Recursos educacionais muito necessários. https://t.co/xmJMhMR2Kf #eca

Exercício aeróbico melhora capacidade cognitiva (função executiva, outras dimensões não) em adultos. https://t.co/4zp8uDUsQH #eca

Osteoartrose do joelho: cirurgia de substituição parcial vs total do joelho? parcial tem menos tempo internado, complicações, mortalidade, infecções, tempo até recuperação funcional https://t.co/ooiGNAgJsu #eca

Induzir o parto às 41 semanas ou esperar até as 42? menos eventos adversos perinatais com a indução às 41s, mas ambas as estratégias têm baixo risco de efeitos adversos sérios. https://t.co/PtFtAC0Qhc relacionado: Cochrane https://t.co/Q9gpWEDeJ8 #eca

Actividade física: cumprir as recomendações de prática aeróbica e força muscular associadas a menor prevalência de depressão https://t.co/TGDmwHViZX via @MarcMedMD #populacional

Prevenção de AVC: nova ferramenta de cálculo de risco baseada em critérios de idade, biomarcadores e historia clínica (ABC-stroke) https://t.co/ou22yZlOrS #diagnóstico

Presença de médicos de família numa determinada área geográfica associado com menor mortalidade nessa região Contexto do estudo: EUA https://t.co/bI2NiW2eAt comentário interessante: https://t.co/EjW2N8LiJ7 #populacional

Crianças passam horas em frente a ecrãs. Este estudo reporta uma média de 3h diárias para crianças dos 0-2 anos. Cuidado!! Este tempo mais que duplicou na última década. https://t.co/O0TaTA12ep #populacional

Apneia Obstrutiva do Sono: novo fármaco reduz sonolêcia diurna excessiva. Atenção a efeitos adversos e pouco tempo de follow up do estudo (6 semanas). https://t.co/n2r0lGL4WZ #eca

Ter família e ser cientista: o nascimento do primeiro filho significa o abandono de trabalhos a tempo inteiro em áreas científicas para 43% das mulheres. Apenas 23% dos homens o fazem. Já é hora de alterar esta realidade! https://t.co/QNaVebk5jJ #genderequity  https://t.co/ytouo1lMUl

Notas de Evidentia #2 – Maio 2018

Está a administração de metilfenidato associada a efeitos negativos em crianças e adolescentes com Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA)?

Storebø O, Pedersen N, Ramstad E, Kielsholm M, Nielsen S, Krogh HB, Moreira-Maia CR, Magnusson FL, Holmskov M, Gerner T, Skoog M, Rosendal S, Groth C, Gillies D, Buch Rasmussen K, Gauci D, Zwi M, Kirubakaran R, Håkonsen SJ, Aagaard L, Simonsen E, Gluud C. Methylphenidate for attention deficit hyperactivity disorder (ADHD) in children and adolescents – assessment of adverse events in non-randomised studies. Cochrane Database of Systematic Reviews 2018, Issue 5. Art. No.: CD012069. DOI: 10.1002/14651858.CD012069.pub2- ligação aqui

O que fizeram: revisão sistemática de estudos não aleatorizados. Pesquisaram artigos até janeiro de 2016 e encontraram 260 estudos com diferentes desenhos.

Concluem que: os autores defendem que os resultados sugerem que o metilfenidato pode estar associado a vários eventos adversos sérios, bem como a um grande número de eventos adversos não graves em crianças e adolescentes, que muitas vezes levam à retirada do metilfenidato. A confiança na evidência é muito baixa e, portanto, não é possível estimar com precisão o risco real de eventos adversos. Pode ser maior do que o relatado.

Notas: o metilfenidato aumentou o risco relativo (RR) de eventos adversos graves (RR 1,36, intervalo de confiança de 95% (IC) 1,17-1,77; 2 estudos, 72.005 participantes); qualquer transtorno psicótico (RR 1,36, IC 95% 1,17-1,77; 1 estudo, 71.771 participantes); e arritmia (RR 1,61, IC 95% 1,48-1,74; 1 estudo, 1224 participantes) em comparação com nenhuma intervenção.

 

Qual a eficácia e segurança do rivaroxabano vs aspirina na prevenção secundária de AVC?

Hart, Robert G., et al. «Rivaroxaban for Stroke Prevention after Embolic Stroke of Undetermined Source». New England Journal of Medicine, Maio de 2018. Crossref, doi:10.1056/NEJMoa1802686. –  ligação aqui

O que fizeram: ECA, fase 3 em 459 centros em 31 países no qual comparam eficácia e segurança do rivaroxabano (dose diária de 15 mg) com aspirina (dose diária de 100 mg) para prevenção de AVC recorrente em pacientes com AVC isquémico recente, que se presume ser de embolia cerebral, mas sem estenose arterial, lacuna, ou uma fonte cardioembólica identificada. A variável resultado primária de eficácia foi a primeira recorrência de AVC isquémico ou hemorrágico ou embolia sistémica; a variável primária de segurança foi a taxa de hemorragias major

Concluem que: o estudo foi interrompido prematuramente por maus resultados associados ao rivaroxabano. Não superior à aspirina e mais eventos hemorrágicos major.

Notas: 7213 participantes foram inscritos em 459 locais de estudo; 3609 pacientes foram aleatoriamente designados para receber rivaroxabano e 3604 para receber aspirina. Os pacientes foram acompanhados por uma média de 11 meses, quando o estudo foi finalizado precocemente devido à falta de benefício com relação ao risco de acidente vascular cerebral e devido a hemorragia associado ao rivaroxabano. A variável resultado primária de eficácia ocorreu em 172 pacientes no grupo rivaroxabano (taxa anual, 5,1%) e em 160 no grupo aspirina (taxa anual, 4,8%) (hazard ratio, 1,07; intervalo de confiança [IC] 95%, 0,87 a 1,33). P = 0,52). Acidente vascular cerebral isquémico recorrente ocorreu em 158 pacientes no grupo rivaroxabano (taxa anual 4,7%) e em 156 no grupo aspirina (taxa anual, 4,7%). Hemorragia major ocorreu em 62 pacientes no grupo rivaroxabano (taxa anual 1,8%) e em 23 no grupo aspirina (taxa anual 0,7%) (razão de risco, 2,72; IC 95%, 1,68 a 4,39; P <0,001).

 

Qual o papel da terapia com antagonistas da aldosterona em pessoas com enfarte do miocárdio com supra-ST sem insuficiência cardíaca ou fração de ejeção do ventrículo esquerdo acima de 40%?

Dahal K, Hendrani A, Sharma SP, et al. Aldosterone Antagonist Therapy and Mortality in Patients With ST-Segment Elevation Myocardial Infarction Without Heart FailureA Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Intern Med. Published online May 21, 2018. doi:10.1001/jamainternmed.2018.0850 ligação aqui

O que fizeram: Revisão sistemática e meta-análise de 10 ensaios clínicos aleatorizados com 4147 pacientes

Concluem que: o tratamento com antagonistas da aldosterona está associado a redução significativa da mortalidade e aumento significativo da fração de ejeção do ventrículo esquerdo.

Notas: 10 ensaios clínicos randomizados com um total de 4147 pacientes foram incluídos na meta-análise. Nos pacientes que apresentaram EAMCSST sem insuficiência cardíaca, o tratamento com antagonistas da aldosterona comparado ao controlo foi associado a
menor risco de mortalidade (2,4% vs 3,9%; OR 0,62; IC95%, 0,42-0,91; P=.01)
riscos semelhantes de enfarte do miocárdio (1,6% vs 1,5%; OR, 1,03; IC 95%, 0,57-1,86; P = 0,91), nova insuficiência cardíaca congestiva (4,3% vs 5,4%; OR, 0,82; 95% IC, 0,56-1,20; P = 0,31) e arritmia ventricular (4,1% vs 5,1%; OR, 0,76; IC 95%, 0,45-1,31; P = 0,33). Da mesma forma, o tratamento com antagonistas da aldosterona em comparação com o controlo foi associado a um pequeno aumento significativo na FEVE (diferença média, 1,58%; IC95%, 0,18% -2,97%; P = 0,03), um pequeno aumento no nível sérico de potássio ( diferença média, 0,07 mEq / L, IC 95%, 0,01-0,13 mEq / L, P = 0,02), e nenhuma alteração no nível de creatinina sérica (diferença média padronizada, 1,4; IC 95%, -0,43 a 3,24; .13).

 

Deve o PSA ser usado para rastreio do cancro da próstata?

US Preventive Services Task Force. Screening for Prostate CancerUS Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2018;319(18):1901–1913. doi:10.1001/jama.2018.3710 – ligação aqui

O que fizeram: Actualização das recomendações de 2012 da USPSTF para rastreio de cancro da próstata com PSA.

Concluem que: para homens com idades entre 55 e 69 anos, a decisão de se submeter a rastreio de cancro de próstata periódico baseado em PSA deve ser individual e deve incluir a discussão dos possíveis benefícios e danos do rastreio com seu médico.
O rastreio oferece um pequeno potencial benefício de reduzir a possibilidade de morte por cancro da próstata nalguns homens. No entanto, muitos experimentarão potenciais danos do rastreio, incluindo resultados falso-positivos que requerem testes adicionais e possível biópsia da próstata; sobrediagnóstico e sobretratamento; e complicações do tratamento, como incontinência e disfunção erétil.
Ao determinar se o rastreio é apropriado em casos individuais, os pacientes e médicos devem considerar o equilíbrio de benefícios e danos com base na história familiar, raça / etnia, condições médicas comórbidas, valores pessoais sobre os benefícios e danos do rastreio e tratamento específico e outras necessidades de saúde. Os médicos não devem rastrear os homens que não expressam uma preferência pelo rastreio. (Recomendação C) A USPSTF recomenda contra o rastreio baseado em PSA para cancro de próstata em homens com 70 anos ou mais. (Recomendação D)

Notas: Análise da prova científica – aqui ; Editorial no JAMA – aqui

 

Existe associação entre força de preensão com  incidência específica de doença e mortalidade?
e
Será que a força de preensão aumenta a capacidade preditiva de uma ferramenta de cálculo de risco usada no consultório?

Associations of grip strength with cardiovascular, respiratory, and cancer outcomes and all cause mortality: prospective cohort study of half a million UK Biobank participants. BMJ 2018; 361 doi: https://doi.org/10.1136/bmj.k1651 – ligação aqui

O que fizeram: estudo populacional prospectivo. Base de dados: UK Biobank; 502293 participantes (54% mulheres) com idades entre 40 e 69 anos; principais variáveis avaliadas: mortalidade por qualquer causa, assim como incidência e mortalidade por doença cardiovascular, doença respiratória, doença pulmonar obstrutiva crónica e cancro (todos os cancro, colo-retal, pulmão, mama e próstata).

Concluem que: maior força de preensão está associada a uma série de resultados em saúde relevantes (ver notas). A predição da ferramenta de cálculo de risco feita em consultório foi melhorada.

Notas: Dos participantes incluídos nas análises, 13 322 (2,7%) morreram ao longo de uma média de 7,1 (intervalo de 5,3-9,9) anos de follow-up. Em mulheres e homens, respectivamente, as razões de risco por 5 kg de força de preensão foram maiores (todas com p <0,05) para todas as causas de mortalidade;  mortalidade específica de doença cardiovascular, todas as doenças respiratórias, doença pulmonar obstrutiva crónica, todos os cancros, cancro colorretal, cancro de pulmão e cancro da mama, mas não cancro de próstata. Várias dessas relações apresentaram taxas de risco mais altas na faixa etária mais jovem. A fraqueza muscular (definida como força de preensão <26 kg para homens e <16 kg para mulheres) foi associada a um maior risco para todos os resultados, exceto cancro de cólon em mulheres e cancro de próstata e cancro de pulmão em homens e mulheres.

 

Norma de orientação clínica para desprescrição de benzodiazepinas

Deprescribing benzodiazepine receptor agonists. Kevin Pottie, Wade Thompson, Simon Davies, Jean Grenier, Cheryl A. Sadowski, Vivian Welch, Anne Holbrook, Cynthia Boyd, Robert Swenson, Andy Ma, Barbara Farrell. Canadian Family Physician May 2018, 64 (5) 339-351; ligação aqui

O que fizeram: – Norma de Orientação Clínica

Concluem que: As benzodiazepinas estão associadas a danos e os efeitos terapêuticos podem ser de curto prazo. Descontinuar progressivamente BZD melhora as taxas de cessação em comparação com os cuidados habituais sem danos graves. Se as pessoas entenderem o racional da desprescrição (potencial para causar danos), estiverem envolvidas no desenho do plano e receberem aconselhamento comportamental os resultados são mais satisfatórios. Esta norma fornece recomendações para tomar decisões sobre quando e como reduzir e parar BZD. As recomendações destinam-se a ajudar, não ditar, a tomada de decisões colaborativas com os pacientes.

Notas: Usada a metodologia GRADE

 

Será que para controlo da asma ligeira o recurso em SOS a formoterol-budesonido é não-inferior ao budesonido em esquema de manutenção?

Bateman, Eric D., et al. «As-Needed Budesonide–Formoterol versus Maintenance Budesonide in Mild Asthma». New England Journal of Medicine, vol. 378, n. 20, Maio de 2018, pp. 1877–87. Taylor and Francis+NEJM, doi:10.1056/NEJMoa1715275. ligação aqui

O que fizeram: ECA multicêntrico, duplo-cego, de 52 semanas envolvendo pacientes com 12 anos de idade ou mais que apresentavam asma ligeira e eram elegíveis para o tratamento com glucocorticóides inalatórios regulares.

Concluem que: em pacientes com asma ligeira, o budesonida-formoterol em esquema de resgate (SOS), foi não-inferior a budesonida duas vezes ao dia. Taxas de exacerbações graves da asma durante 52 semanas de tratamento sem diferença estatisticamente significativa. Esquema de manutenção com budesonida bi-diária foi superior no controlo dos sintomas.

Notas: 4215 pacientes aleatorizados,
4176 (2089 no grupo budesonida-formoterol e 2087 no grupo de manutenção com budesonida) foram incluídos na análise.
O budesonida-formoterol em SOS cumpriu critério de não inferioridade em relação à terapia de manutenção com budesonida para exacerbações graves; a taxa anual de exacerbações graves foi de 0,11 (IC 95%, 0,10 a 0,13) e 0,12 (IC 95%, 0,10 a 0,14); rate ratio 0,97; limite superior unilateral de confiança 95% 1,16 (limite de não inferioridade definido para 1.20).
A dose mediana diária de glicocorticoide inalado foi menor no grupo budesonida-formoterol (66 µg) do que no grupo manutenção com budesonida (267 µg).
O tempo até a primeira exacerbação foi semelhante nos dois grupos (hazard ratio, 0,96; IC95%, 0,78 a 1,17).
A mudança no escore do ACQ-5 mostrou uma diferença de 0,11 unidades (IC95%, 0,07 a 0,15) a favor da terapia de manutenção com budesonida.

 

Será que em doentes com DPOC a terapia tripla (glucocorticoide inalado, LAMA e LABA) vs terapia dupla (glucocorticoide inalado – LABA ou LAMA – LABA) leva a uma menor taxa anual de exacerbações moderadas ou severas?

Lipson, David A., et al. «Once-Daily Single-Inhaler Triple versus Dual Therapy in Patients with COPD». New England Journal of Medicine, vol. 378, n. 18, Maio de 2018, pp. 1671–80. Taylor and Francis+NEJM, doi:10.1056/NEJMoa1713901. ligação aqui

O que fizeram: ECA de 10.355 pacientes com DPOC, 52 semanas de uma combinação diária de fuorato de fluticasona (um glicocorticoide inalatório) na dose de 100 μg, umeclidínio (um LAMA) na dose de 62,5 μg e vilanterol (um LABA) numa dose de 25 μg (terapêutica tripla) com fuorato de fluticasona – vilanterol (doses de 100 μg e 25 μg, respetivamente) e umeclidínio –vilanterol (com doses de 62,5 μg e 25 μg, respetivamente).

Concluem que: a terapia tripla com fuorato de fluticasona, umeclidínio e vilanterol resultou numa taxa anual mais baixa de exacerbações moderadas ou severas da DPOC do que o fuorato de fluticasona –vilanterol ou umeclidínio – vilanterol. A terapia tripla também resultou numa taxa mais baixa de hospitalização devido à DPOC do que o umeclidínio-vilanterol.

Notas: A taxa de exacerbações moderadas ou graves no grupo de terapia tripla foi de 0,91 por ano, em comparação com 1,07 por ano no grupo fuorato de fluticasona-vilanterol (rate ratio com terapia tripla, 0,85; intervalo de confiança de 95% [IC], 0,80 a 0.90; diferença de 15%; P <0.001) e 1.21 por ano no grupo de umeclidínio-vilanterol (rate ratio com terapia tripla, 0.75; 95% CI, 0.70 a 0.81; diferença de 25%; P <0.001). A taxa anual de exacerbações graves resultando em hospitalização no grupo de terapia tripla foi de 0,13, em comparação com 0,19 no grupo de umeclidínio-vilanterol (razão de taxa, 0,66; 95% CI, 0,56 a 0,78; 34% de diferença; P <0,001) . Houve uma maior incidência de pneumonia nos grupos de glucocorticóides inalatórios do que no grupo de umeclidínio-vilanterol, e o risco de pneumonia foi significativamente maior com a terapia tripla do que com o umeclidínio-vilanterol (hazard ratio, 1,53, IC 95%, 1,22 a 1,92, P <0,001).

 

Avaliação endometrial em hemorragias vaginais pós-menopausa

American College of Obstetricians and Gynecologists. ACOG Committee Opinion No. 734: The role of transvaginal ultrasonography in evaluating the endometrium of women with postmenopausal bleeding. Obstet Gynecol 2018 May; 131:e124. – ligação aqui

O que fizeram: Norma de orientação clínica

Concluem que: a ecografia endovaginal é apropriada para avaliação inicial da hemorragia na pós-menopausa. Se o endométrio apresentar uma espessura ≤ 4 mm, avaliações adicionais poderão não ser necessárias. Se o hemorragia persistir ou recorrer, está indicada biópsia endometrial.

 

 

 

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