Dapagliflozina e eventos cardiovasculares – notas de evidentia #1 | 2019

Por Mónica Fonseca

Qual a segurança e eficácia da Dapagliflozina  na redução de eventos cardiovasculares major em doentes com Diabetes Tipo 2?

O que fizeram?

O estudo DECLARE-TIMI 58 foi realizado para avaliar a segurança do ponto de vista cardiovascular da dapagliflozina em doentes com diabetes tipo 2 com doença aterosclerótica estabelecida ou fatores de risco para a sua existência. Para isso foi realizado um ensaio clínico aleatorizado, duplamente cego, multinacional (33 países, incluindo a Europa). Os doentes elegíveis para o estudo cumpriram os seguintes critérios de elegibilidade: DM2, ≥ 40 anos de idade, hemoglobina glicada ≥6,5% e <12,0%, TFG ≥ 60 ml/min/1.73 m2. Foram aleatoriamente designados numa proporção de 1: 1 para receber 10 mg de dapagliflozina/dia ou placebo. Com a utilização de dapagliflozina não se verificou uma redução de eventos cardiovasculares major (8,8% no grupo dapagliflozina e 9,4% no grupo placebo; HR: 0,93; IC95%, 0,84 a 1,03), mas sim um número inferior de morte cardiovascular ou hospitalização por insuficiência cardíaca (4,9% vs 5,8%; HR: 0,83; 95% CI, 0,73 a 0,95), refletindo uma menor taxa de hospitalização por insuficiência cardíaca (HR: 0,73; IC 95%, 0,61 a 0,88). Não existiu diferença significativa entre os grupos no que diz respeito à morte por causa cardiovascular (HR: 0,98; IC 95%, 0,82 a 1,17).

O que concluem?

Em doentes com diabetes tipo 2 que apresentavam doença ateroesclerótica ou fatores de risco cardiovascular, o tratamento com dapagliflozina demonstrou não inferioridade quanto a eventos cardiovasculares major relativamente ao placebo. Todavia, verificou-se a existência de de uma menor taxa de morte cardiovascular ou hospitalização por insuficiência cardíaca.

Notas: O estudo foi originalmente projetado com o objetivo primário de avaliação da segurança quanto a eventos cardiovasculares major. No entanto, após o conhecimento dos resultados do estudo EMPA-REG OUTCOME, o comité executivo experimental alterou o protocolo para incluir dois resultados de eficácia: eventos cardiovasculares major e de morte cardiovascular /hospitalização por insuficiência cardíaca. O ensaio incluiu 17160 pacientes, seguidos por uma média de 4,2 anos, sendo que 10186 não apresentavam doença aterosclerótica estabelecida. Ocorreu um evento renal (redução da TFG> 40%) em 4,3% no grupo dapagliflozina e em 5,6% no grupo grupo placebo (HR:0,76; IC 95% 0,67 a 0,87) e morte por qualquer causa ocorreram em 6,2% e 6,6%, respetivamente (HR:0,93; IC 95% 0,82 a 1,04). A cetoacidose diabética foi mais comum com dapagliflozina do que com placebo (0,3% vs. 0,1%, P = 0,02), assim como a taxa de infeções genitais (0,9% vs. 0,1%, P <0,001). As taxas de amputação, fratura, depleção de volume e hipersensibilidade foram equilibradas entre os grupos.


Wiviott SD, Raz I, Bonaca MP, Mosenzon O, Kato ET, Cahn A, Silverman MG, Zelniker TA, Kuder JF, Murphy SA, Bhatt DL, Leiter LA, McGuire DK, Wilding JPH, Ruff CT, Gause-Nilsson IAM, Fredriksson M, Johansson PA, Langkilde AM, Sabatine MS; DECLARE–TIMI 58 Investigators. Dapagliflozin and Cardiovascular Outcomes in Type 2 Diabetes. N Engl J Med. 2018 Nov 10. DOI: 10.1056/NEJMoa1812389.  ligação aqui

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