Evidentia da semana #152019

Destaque

Rastreio do cancro da mama: recomendações do American College of Physicians. Muita discussão riscos/benefícios e avisam que “Na maioria das mulheres de risco normal entre 40 a 49 anos os riscos são maiores que os benefícios.”
https://t.co/1zENhkddFt
#recomendações

Revisões sistemáticas

Vacina rotavirus: continua a não fazer sentido em países de baixa mortalidade pelo virus
https://t.co/vJqzRUmi7I 
#revisaosistematica

Estudos primários

Exercício físico em lares de idosos: programas de exercício individualizado e progressivo parecem ser eficazes na prevenção de quedas e na redução da fragilidade e mortalidade. 
https://t.co/yU1hUVBXSs 
#ensaioclinico

Exames de rotina. Perspectivas de pessoas saudáveis que os pedem na consulta https://t.co/2Uz6N1TiBX 
#qualitativo

Diabetes: diagnóstico após os 80 não confere maior risco de mortalidade. No sentido inverso, quanto mais jovem no diagnóstico mais anos de vida perdidos. 
https://t.co/mFBjpzGOFD 
#observacional
#coorte

Suplementos nutricionais não oferecem qualquer benefício na mortalidade. 
https://t.co/yHOLrqKazf 
#coorte
#observacional

Depressão: como tratar. Boa revisão no BMJ https://t.co/a8bk1gEGRj 
#revisãoclássica
#evidentiamedica

PS: cuidado com o primeiro artigo desta série pois o rastreio da depressão não tem suporte na literatura médica. 
https://t.co/nkOOxsmVuY

Presença de espaços verdes durante a infância associou-se a ↓ incidência de doença mental em adulto. Controlaram: urbanização, factores socioeconómicos, historia parental de doença mental e idade dos pais. 
https://t.co/ppBVhhv8IS
#observacional
#valeoquevale

Ansiedade associada (de forma bastante robusta) a doença cardiovascular. Estudo observacional atenção. 
https://t.co/qYBqM8WbSg
#observacional

Qualidade: intervenção de melhoria da qualidade para optimizar terapêutica cardiovascular. Ensaio clínico com outcomes não clínicos. Porque não replicar isto nas nossas unidades? 
https://t.co/nGxjLSwa2F
#qualidade
#ensaioclinico

Outros

Definir doenças: proposta para uma nova estratégia centrada nas pessoas e liderada pelos cuidados primários
https://t.co/GUOLxT0ma9 
#outros

Alerta nerd: revisão de análises custo-efectividade 
https://t.co/rbpx6VZkNm
#metodologia

Obesidade: sugestão de abordagem prática a partir de recomendações de guidelines 
https://t.co/vUDuGRQYWQ
#opinião

Desprescrição de fármacos: essencial e necessária. Muita da educação médica é dedicada a recomendações de iniciar fármacos. Precisamos de mais (in)formação sobre quando parar medicamentos. 
https://t.co/tLm2ZsJApe
#opinião
#educaçãomédica

Evidentia da semana #102019

Recomendações elaboradas sistematicamente

Diarreia infecciosa: JAMA resume guideline da IDSA https://t.co/ZxEJsm1Lmv #guideline

Revisões sistemáticas

Paracetamol na osteoartrose do joelho e anca: melhoria mínima na dor e funcionalidade. Autores recomendam rever guidelines. https://t.co/WWYqQoj3s6 #revisaosistematica

Prematuros: vale a pena suplementar com iodo? Não. Não se associou com qualquer benefício para estas crianças. https://t.co/TG0vuQlNSv #revisaosistematica

Yoga para incontinência urinária nas mulheres. Tentaram fazer uma revisão sistemática mas não há dados de qualidade. Boa linha de investigação! https://t.co/xA3z8eXjx7 #revisaosistematica

Lavar os dentes com pasta fluorada previne cáries quando comparada com pasta não fluorada. Qual a dose adequada não é claro. Nota pessoal: perante isto mantenho a recomendação da cabeça do dedo mindinho da criança. https://t.co/U6d1ymdJjm #revisaosistematica

Quais as melhores recomendações para tratamento de dor musculo-esquelética? 11 recomendações provenientes de guidelines de elevada qualidade. https://t.co/3OmxKwoqHW #revisaosistematica https://t.co/3CJHRflR74

Diabetes: eficácia e segurança dos novos iSGLT2 em doentes com diabetes e doença renal. Revisão sistemática que tranquiliza https://t.co/mgLOQt4EEX #revisaosistematica

Cardiovascular: iPCSK9 e MACE (major adverse cardiovascular events). Atenção que reportam riscos relativos que são sempre mais impressionantes que os absolutos. https://t.co/Y3dxwLXLmI #revisaosistematica

Inibidores da bomba de protões associados a maior risco de fractuca do colo do fémur. Recomenda-se avaliação frequente da necessidade do seu uso crónico. https://t.co/DP8Je0zRou #observacional #metaanalise

Estudos primários

Vacina sarampo, rubéola, parotidite: – não aumenta o risco de autismo – não desencadeia autismo em crianças suscetíveis e – não se verifica agrupamento de casos de autismo após a vacinação https://t.co/KSiKDkOGDT #coorte

Epidemiologia das doenças crónicas – EpiChron Cohort Study. Uso inadequado dos serviços de saúde e resultados de saúde em doentes com multimorbilidade. 41% pessoas com 45-64 anos e 77% das pessoas >65 anos têm multimorbilidade. https://t.co/8eNvnFbLyS #coorte

Queratose actínica: ensaio clínico que testa 4 estratégias diferentes. Fluoracilo tópico 5% foi a mais eficaz https://t.co/xTgCboJCd2 #eca

Depressão que não responde a tratamento com uma das abordagens clássicas (terapia cognitivo comportamental ou medicação antidepressiva) – o que fazer? Adicionar a outra abordagem. https://t.co/2JVCPWqCCH #eca

Programa de perda de peso pode levar a remissão mantida da diabetes 2 anos depois. https://t.co/cWZN9tskqf #eca

Estatinas nos doentes de elevado risco cardiovascular. Relação inversa entre adesão à terapia e mortalidade. https://t.co/GmmtYkJPG6 #coorte

AAS e cancro da próstata: apesar dos benefícios teórico não parece reduzir o risco de morte por cancro da próstata. Permanecem dúvidas com uso a longo prazo (análise secundária com uso >7,5 anos deu benefício). https://t.co/nBRKge9esh #coorte

Terapia Hormonal de Substituição de longa data associada a maior risco de doença de Alzheimer. https://t.co/6kM5Fv1gKw #coorte

Opinião, Regulação e Apoio à Decisão

Prediabetes: revista science diz que criámos milhões de doentes com um diagnóstico dúbio. Os riscos do excesso de prevenção. https://t.co/SR3s2fzHLu #opinião #overdiagnosis

Depressão: FDA aprova fármaco intranasal para tratamento adjuvante da depressão https://t.co/RrhUbCpihy #regulação

A importância das sínteses de evidência qualitativa. Porque nem tudo é quantificável, muitas vezes importa perceber o porquê ou qual a experiência. https://t.co/0t17EI23TR #opinião

Artrose do joelho, o que fazer? O JAMA explica. https://t.co/Ct4mxfond9 #apoioàdecisão

Evidentia da semana #062019

A depressiva evidência dos antidepressivos nos idosos.
Tools for practice https://t.co/Os2Jk8DpJy #revisao


Rastreio do cancro do pâncreas continua a não fazer sentido https://t.co/wSBKgyn1DI #guidelines


Cirurgia às amígdalas em crianças:
-menos que 7 episódios no último ano
-menos que 5/ano nos últimos 2 anos
-menos que 3/ano nos últimos 3 anos
recomenda-se observação atenta. Não operar logo. (Colégio Americano de Otorrino) https://t.co/VKpyNwx9Yi #guidelines


Contracepção de emergência: eficácia de diferentes regimes. Revisão Sistemática Cochrane https://t.co/JBjQhKn51M 
Não esquecer programa nacional de saúde reprodutiva
 https://t.co/pyYc79gwKl #cochrane


Ansiedade generalizada: meta-análise em rede para avaliar eficácia dos tratamentos. duloxetina, pregabalina, venlafaxina e escitalopram parecem ser escolhas razoáveis. https://t.co/2Mj5sCklcv #nma


Cigarros electrónicos mais eficazes que terapêutica de substituição da nicotina na cessação tabágica.
Ensaio clinico – https://t.co/ltLfXRwwbP 
Editorial – https://t.co/ztiXjfKjNm #eca


Pneumonia adquirida na comunidade: novo antibiótico (omadacyclina) demonstra ser não-inferior a moxifloxacina. 
https://t.co/7ASTkqgbQL 
vídeo https://t.co/XdVQopk817 #eca


Não fumar, não ser obeso, não ter hipertensão associados a vida mais longa e mais saudável. https://t.co/3bhRUYqVFA #coorte


Cancro do colo do útero: teste DNA em população de alto risco diminui incidência de lesões de alto grau e permite alargar os prazos de rastreio. https://t.co/Q5OfR9b7PW #coorte


Antídoto para os NOAC – estudo de um único braço (muito limitado). ECA a caminho. Resultados parecem promissores. https://t.co/FeboLI0PIW #observacional


Atenção aos falsos positivos do PSOF em pessoas a fazer NOAC https://t.co/XXKaslwfTc #cross-sectional


Lancet dedica edição a diferenças de género na ciência, medicina e saúde global. Estudo: mulheres têm avaliações de aplicações a fundos e bolsas menos favoráveis que homens. https://t.co/K51VKybZrr editorial – https://t.co/SEQXPJhtY7 #genderequity


Prevenção de AVC em quem tem doença arterial periférica. Podemos e devemos optimizar tratamentos que já demonstraram ser benéficos. https://t.co/h0iPuxbxqn #qualidade


Sobrediagnóstico: 5 príncipios para identificar potenciais práticas que promovem o sobrediagnóstico. Exempo usado: troponina de elevada sensibilidade no enfarte agudo do miocárdio https://t.co/xF8qRGRiAq #opinião


Número Necessário a Tratar (NNT) – entendendo o conceito. https://t.co/e0AD3bGpnB #alerta_nerd #epidemio

Notas de Evidentia #9 – Outubro

Terapêutica antiplaquetária dupla durante 6 meses versus 12 meses em doentes com EAM com supra ST e stent revestido: quanto tempo fazer?

Kedhi, Elvin, et al. «Six Months versus 12 Months Dual Antiplatelet Therapy after Drug-Eluting Stent Implantation in ST-Elevation Myocardial Infarction (DAPT-STEMI): Randomised, Multicentre, Non-Inferiority Trial». BMJ, Outubro de 2018, p. k3793. Crossref, doi:10.1136/bmj.k3793. ligação aqui

O que fizeram?

ECA no qual incluíram 870 doentes com EAM com elevação do segmento ST, com idades entre 18 e 85 anos, tratados com intervenção coronária percutânea e stent de 2ª geração revestido por zotarolimus que ao fim de 6 meses não tinham tido nenhum evento. Os doentes foram aleatorizados em dois grupos: um braço suspendeu inibidor P2Y12 (prasugrel, ticagrelor ou clopidogrel) aos 6 meses pós EAM e manteve apenas terapêutica antiplaquetária com AAS (75-100mg/dia); o outro braço manteve terapêutica plaquetária dupla (AAS +inibidor P2Y12) até aos 12 meses pós EAM passando então a monoterapia antiplaquetária com AAS . O end point primário foi composto por mortalidade por todas as causas, qualquer enfarte do miocárdio, qualquer revascularização, AVC, ou hemorragia segundo os critérios TIMI (Thrombolysis in Myocardial Infarction) aos 18 meses após aleatorização.

O que concluem?

Terapêutica antiplaquetária dupla com duração de 6 meses não foi inferior a terapêutica antiplaquetária dupla com duração de 12 meses em doentes com EAM com elevação do segmento ST livres de eventos aos 6 meses após intervenção coronária percutânea com stent de 2ª geração revestido por zotarolimus.

Notas: O endpoint primário (composto por mortalidade, enfarte do miocárdio, revascularização, AVC ou hemorragia) ocorreu em 4,8% no grupo apenas com AAS a partir dos 6 meses pós EAM e em 6,6% no grupo que manteve terapêutica antiplaquetária dupla até aos 12 meses pós EAM (HR 0,73; 95% IC, 0,41 a 1,27; P=0,26). Foi encontrada uma relação de não inferioridade (P=0,004 para não inferioridade), dado que o valor de 1,27 para o intervalo de confiança de 95% foi inferior ao limite para não inferioridade (1,66).
Ao excluir doentes com eventos nos primeiros 6 meses pós EAM o estudo seleccionou doentes de baixo risco não se podendo extrapolar os resultados para doentes de maior risco. Para além disto, não foram avaliados os end points tendo em conta os diferentes inibidores P2Y12
.

Elaborado por: Marina Teixeira


Fisioterapia versus meniscectomia parcial artroscópica em lesões meniscais.

van de Graaf, Victor A., et al. «Effect of Early Surgery vs Physical Therapy on Knee Function Among Patients With Nonobstructive Meniscal Tears: The ESCAPE Randomized Clinical Trial». JAMA, vol. 320, n.13, Outubro de 2018, p. 1328. Crossref, doi:10.001/jama.2018.13308. ligação aqui

O que fizeram?

Ensaio clínico, controlado, aleatorizado, multicêntrico. Estudo de não inferioridade. Análise por intenção-de-tratar.
Participaram no estudo 321 indivíduos, recrutados de 9 hospitais holandeses, com idades compreendidas entre os 45 e os 70 anos, e lesões meniscais não obstrutivas (sem distinção entre degenerativas ou traumáticas) confirmadas por ressonância magnética. Foram excluídos indivíduos com cirurgias prévias, instabilidade da articulação do joelho por rupturas ligamentares, osteoartrose grave e IMC > 35. 159 participantes foram aleatorizados para o grupo-controlo (meniscectomia) e 162 para o grupo-intervenção (fisioterapia). O protocolo de fisioterapia consistiu em 16 sessões durante 8 semanas, com exercícios focados na coordenação e melhoria da cinética articular. O outcome primário pretendido foi a melhoria da limitação funcional do joelho relatada pelo indivíduo. Follow-up de 24 meses.

O que concluem?

Em indivíduos com lesões meniscais não obstrutivas, a fisioterapia não foi inferior a meniscectomia parcial artroscópica na melhoria da limitação funcional do joelho, relatada pelo indivíduo, num período de follow-up de 24 meses. A fisioterapia pode ser uma alternativa a cirurgia em indivíduos com lesões meniscais não obstrutivas.

Notas: A melhoria da limitação funcional relatada pelo indivíduo foi avaliada segundo o International Knee Documentation Committee Subjective Knee Form (0 a 100). A margem de não inferioridade foi definida como a diferença entre grupos de 8 pontos. Contudo, foi baseada em estimativas de diferenças potencialmente relevantes, e não na diferença clínica máxima aceitável; idade média de 58 anos; 50% género feminino; no grupo-intervenção (fisioterapia), 47 indivíduos (29%) foram submetidos a meniscectomia durante o follow-up. No grupo-controlo (meniscectomia), 8 indivíduos (5%) não foram submetidos a meniscectomia; A limitação funcional do joelho obteve no grupo-controlo uma melhoria de 26,2 pontos (44.8 – 71.5) e no grupo-intervenção de 20,4 pontos (46,5 – 67.7). A diferença entre grupos foi de 3,6 pontos (IC 97,5% -∞ – 6,5; p de não inferioridade 0.001).

Elaborado por: Gisela Costa Neves


Será que a suplementação com vitamina D tem efeito no risco de fracturas, quedas e densidade óssea?

J Bolland, Mark, et al. “Effects of vitamin D supplementation on musculoskeletal health: a systematic review, meta-analysis, and trial sequential analysis”. The Lancet Diabetes&Endocrinology, Outubro 2018. ligação aqui

O que fizeram?

Revisão sistemática, meta-análise (modelo de efeitos aleatórios) e análise sequencial de ensaios. Os autores compararam os efeitos do tratamento com vitamina D vs grupo controlo/placebo/doses inferiores de vitamina D (adultos com idade >18 anos) na redução do risco de fractura, risco de queda e alteração da densidade óssea. As variáveis avaliadas foram o número total de fracturas, fracturas da anca, quedas e diferença na densidade mineral óssea.

O que concluem?

De acordo com os resultados aqui encontrados a suplementação com vitamina D não previne fracturas, quedas ou uma alteração clinicamente significativa da densidade mineral óssea. Não houve também diferenças quando utilizadas doses diferentes de vitamina D.  

Notas: Esta revisão foi conduzida segundo as guidelines PRISMA.  Os autores procuraram múltiplas bases de dados por revisões sistemáticas e ensaios clínicos aleatorizados.

Foram incluídos 81 ensaios clínicos aleatorizados (população de 53 537 participantes). Os riscos relativos (RR) encontrados da análise de grupo foram os seguintes (IC 95%):
– Total de fracturas: RR 1.0 [0.93-1.07], 35 ECA, n=44 790;
– Fractura da anca: RR 1.11 [0.97-1.26], 20 ECA, n=36655;
– Quedas: RR 0.97 [0.93-1.02] , 37 ECA, n=34144;

Dos resultados da análise sequencial verifica-se que não existe beneficio clínico, por não existir um redução do risco relativo de 5% no total de fracturas, 7.5% nas quedas e não aumenta a densidade mineral óssea de 0.5-1%.

Limitações: Inclusão de estudos com limitações metodológicas; Algumas meta-análises apresentavam heterogeneidade moderada (diferenças de resultados positivos em ensaios mais pequenos e mais curtos e resultados negativos em ensaios maiores e com maior duração) – esta heterogeneidade foi incorporada na análise sequencial.

Estes resultados são consistentes com a maioria das revisões sistemáticas sobre suplementação com vitamina D e saúde musculoesquelética, nomeadamente Cochrane e US Preventive Taskforce (recomenda contra a suplementação com vitamina D para prevenção de quedas ou fracturas em adultos não institucionalizados).

Elaborado por: Catarina Mestrinho


Será que o uso de inibidores da enzima de conversão da angiotensina (iECA) está associado a um aumento de risco de cancro do pulmão?

Hicks, Blánaid M., et al. «Angiotensin Converting Enzyme Inhibitors and Risk of Lung Cancer: Population Based Cohort Study». BMJ, Outubro de 2018, p. k4209. Crossref, doi:10.1136/bmj.k4209. ligação aqui

O que fizeram?

Os autores consultaram os registos da base de dados da UK Clinical Practice Research Datalink (CPRD) e propuseram-se a investigar a associação entre o uso de iECA vs. antagonistas dos receptores da angiotensina (ARA) e o risco de cancro do pulmão, através de um estudo de coorte. A população do estudo incluiu 992 061 pessoas, com inicio de tratamento entre 1995 e 2015 e com follow-up até ao final de 2016.

O que concluem?

O uso dos iECA foi associado a um aumento do risco de cancro do pulmão. A associação foi mais expressiva entre os doentes que usavam iECA há mais de 5 anos.

Notas: Os grupos exposição e controlo apresentaram algumas discrepâncias entre si, uma vez que o grupo da exposição continha mais indivíduos do sexo masculino, fumadores e ex-fumadores, maior consumo de álcool, IMC mais elevado e maior uso de estatinas do que o grupo controlo. Ainda assim, os autores ajustaram a análise para a exposição ao Tabaco e a interação deste factor no resultado não foi significativa (p=0.4), embora não tenha sido quantificada a carga tabágica.
A coorte foi acompanhada em média durante 6.4 anos e foram registados 7952 eventos de cancro do pulmão. No geral, o uso de IECAs foi associado a um aumento de risco de cancro do pulmão (incidence rate 1.6 vs. 1.2 por 1000 pessoas-ano; Hazard ratio (HR) 1.14, IC 95% 1.01-1.29), quando comparado com o uso de ARA II. Os hazard ratios aumentaram conforme a duração do tratamento, com uma associação evidente após 5 anos de uso (HR 1.22, IC 1.06-1.40) e um pico após mais de 10 anos de tratamento (HR 1.31, IC 1.08-1.59).
No geral, estes dados mostram-nos um NNH=5952. Portanto, em cada 5952 indivíduos tratados com iECA, poderá ocorrer 1 caso de cancro do pulmão.
O estudo apresenta algumas limitações relativamente a eventuais factores de confundimento que não foram considerados na análise além da carga tabágica, tais como o status socioeconómico, dieta, exposição a asbestos ou história familiar de cancro do pulmão.
Finalmente, é ainda referido como possível factor de confundimento a tosse persistente, efeito secundário comum nos iECA, que pode ter motivado a realização de mais exames complementares de diagnóstico, contribuindo para um viés de deteção.

Elaborado por: Clara Jasmins


Qual a associação entre contraceptivos orais combinados e risco de cancro do ovário?

Iversen, Lisa, et al. «Association between Contemporary Hormonal Contraception and Ovarian Cancer in Women of Reproductive Age in Denmark: Prospective, Nationwide Cohort Study». BMJ, vol. 362, Setembro de 2018, p. k3609. http://www.bmj.com, doi:10.1136/bmj.k3609. ligação aqui

O que fizeram?

Coorte prospectivo, a nível nacional (Dinamarca). Foram incluídas 1 879 227 mulheres em idade fértil (15 a 49 anos), categorizadas como “nunca utilizadoras” (sem registos da toma de COC), “utilizadoras recentes” (a fazer ou até 1 ano após suspensão de COC) e “utilizadoras no passado” (após 1 ano de suspensão de COC). Os contraceptivos estudados incluíram diferentes tipos de progestativos em combinados e todos os tipos de progestativos em monoterapia). O estudo decorreu durante 19 anos (1995-2014).

O que concluem?

O uso de contraceptivos orais combinados está associado a redução do risco de cancro do ovário em mulheres em idade fértil – efeito relacionado com a duração da utilização, que diminui após suspensão de COC. Os dados sugerem não existir efeito protector de progestativos isoladamente.

Notas: Foram excluídas mulheres que tivessem imigrado após 1995, com história de cancro (excepto cancros dermatológicos que não melanoma), trombose venosa ou que tivessem tido tratamento para infertilidade antes da admissão ao estudo. Foram calculadas taxas de incidência de cancro do ovário padronizadas por 100 000 pessoas-ano, utilizando a distribuição de idades deste coorte como padrão. Foram analisadas separadamente as mulheres seguidas até à sua primeira troca de contraceptivo e mulheres com registos completos de contraceptivos utilizados. Em 21,4 milhões pessoas-ano, registaram-se 1249 casos de cancro de ovário. Entre as utilizadoras, registaram-se 478 casos em 13 344 531 pessoas-ano. Entre as nunca utilizadoras, registaram-se 771 casos em 8 150 250 pessoas-ano; Comparativamente com as nunca utilizadoras, verificou-se redução do risco de cancro do ovário entre as utilizadoras recentes (RR 0.58 IC 95% 0.49 – 0.68) e as utilizadoras no passado (RR 0.77 IC 95% 0.66 – 0.91). Verificou-se redução do RR com aumento da duração de utilização de COC, de 0.82 (0.59 a 1.12) com menos de 1 ano de utilização para 0.26 (0.16 a 0.43) com mais de 10 anos de utilização, p 0.001. Obteve-se pouca evidência de diferenças major nas estimativas de risco segundo o tipo específico de cancro do ovário ou tipo de progestativo incluído no COC. A utilização de progestativos isoladamente não foi associada a risco de cancro de ovário. Baseado no RR das nunca utilizadoras vs. utilizadoras recentes; (RR 0.66), estimou-se que a utilização de COC preveniu 21% dos cancros de ovário da população em estudo.

Elaborado por: Gisela Costa Neves


Em mulheres com incontinência urinária de esforço, quais as taxas de remoção de rede sling transuretral ou reintervenção a longo prazo?

Gurol-Urganci, Ipek, et al. «Long-Term Rate of Mesh Sling Removal Following Midurethral Mesh Sling Insertion Among Women With Stress Urinary Incontinence». JAMA, vol. 320, n. 16, Outubro de 2018, pp. 1659–69. jamanetwork.com, doi:10.1001/jama.2018.14997 ligação aqui

O que fizeram?

Num estudo coorte retrospectivo foram avaliar a taxa de remoção da rede ou reintervenção numa população de 95057 mulheres com incontinência urinária de esforço operadas pela primeira vez com rede sling (retropúbica ou transobturadora), em hospitais públicos de Inglaterra, durante um período de 9 anos

O que concluem?

A taxa de remoção de redes sling transuretrais aos 9 anos foi de 3.3% (IC 95% 3.2-3.4%). A taxa de reintervenção para incontinência de esforço aos 9 anos foi de 4.5% (IC 95% 4.3-4.7%) e a taxa de re-intervenção para qualquer procedimento (incluindo remoção da rede) foi de 6.9% (IC 95% 6.7-7.1%) aos 9 anos.

Notas: Não especificam a gravidade dos sintomas de incontinência antes da cirurgia, nem especificam os motivos pelos quais foram removidas as redes.

Elaborado por: Sara Reina


Intervenção SMArT Work: que eficácia na redução de períodos de tempo sentado no trabalho e efeitos para a saúde ocupacional?

Edwardson, Charlotte L., et al. «Effectiveness of the Stand More AT (SMArT) Work Intervention: Cluster Randomised Controlled Trial». BMJ, Outubro de 2018, p. k3870. Crossref, doi:10.1136/bmj.k3870. ligação aqui

O que fizeram?

Ensaio clínico aleatorizado e controlado, cluster, 2 braços.
População: trabalhadores de escritório. Grupo-intervenção: 19 clusters (77 participantes). Grupo-controlo: 18 clusters (69 participantes).
O grupo-controlo efectuou a prática habitual no local de trabalho. A intervenção SMArT Work foi desenhada para reduzir o período de tempo sentado. Foram avaliadas alterações ocupacionais, diárias e em períodos de tempo sentado prolongado, períodos de tempo em ortostatismo e actividade física, e alterações físicas e psicológicas relacionadas com a saúde no trabalho.
Outcome primário: período de tempo sentado (medido através de um acelerómetro na coxa). Outcomes secundários: tempo diário sentado, tempo sentado prolongado (maior que 30 minutos), período de tempo em ortostatismo, actividade física, patologia musculo-esquelética, problemas de saúde relacionados com o trabalho reportados pelos participantes (performance, satisfação no trabalho, motivação, fadiga, presença aquando de doença e absentismo por doença), função cognitiva e alterações psicológicas reportadas pelos participantes (estado de humor, qualidade de vida).
Follow-up avaliado a curto, médio e longo prazo (respectivamente 3, 6 e 12 meses).

O que concluem?

A intervenção SMArT Work foi eficaz na redução de períodos de tempo sentado a curto, médio e longo prazo. Foram observadas alterações positivas na saúde psicológica e ocupacional.

Notas: O grupo-intervenção recebeu um local de trabalho adaptável, um seminário breve com informação em suporte escrito, instruções para o local de trabalho de objectivos de tempo sentado e em ortostatismo, feedback acerca da actividade física e sedentária nos 3 momentos de follow-up, cartazes, guia de plano e objectivos globais, ferramentas de auto-monitorização e sessões de treino (no primeiro mês e posteriormente a cada 3 meses).
Observou-se uma diferença significativa favorecendo o grupo-intervenção na redução do período de tempo sentado aos 12 meses (-83,28 min/dia de trabalho, IC 95% -116,57 a -49.98 p=0.001). Observaram-se também diferenças aos 3 (-50.62 min/dia de trabalho, IC 95% -78.71 a -22.54 p<0.001) e 6 meses (-64.40 min/dia de trabalho, IC 95% -97.31 a -31.50 p<0.001) e na redução de período de tempo sentado diário aos 6 (-59.32 min/dia de trabalho, IC 95% -88.40 a -30.25 p<0.001) e 12 meses (-82.39 min/dia de trabalho, IC 95% -114.54 a -50.26 p=0.001). De referir diferenças favorecendo o grupo-intervenção no período de tempo sentado prolongado, período de tempo em ortostatismo, performance, motivação, fadiga, presença aquando de doença, ansiedade diária e qualidade de vida. Não houve diferenças no absentismo por doença.
Limitações: 27% de perdas aos 12 meses follow-up; possível viés de comportamento dos participantes e subjectividade dos outcomes reportados pelos participantes.

Elaborado por: Gisela Costa Neves


Em adultos com depressão resistente: será eficaz adicionar mirtazapina a SSRI ou SNRI?

Kessler, David S., et al. «Mirtazapine Added to SSRIs or SNRIs for Treatment Resistant Depression in Primary Care: Phase III Randomised Placebo Controlled Trial (MIR)». BMJ, Outubro de 2018, p. k4218. Crossref, doi:10.1136/bmj.k4218. ligação aqui

O que fizeram?

Foi feito um estudo multicêntrico, aleatorizado, de fase III, em que foram incluídos 480 adultos, com pelo menos 18 anos, que tinham um Inventário de Depressão de Beck II de pelo menos 14, que preenchiam os critérios da CID-10 para depressão, e que estavam a ser tratados com SSRI ou SNRI há pelo menos 6 semanas mas que ainda estavam deprimidos. Os participantes foram aleatorizados em dois grupos: um ao qual foi dado mirtazapina , outro ao qual foi dado placebo. Ambos os grupos mantiveram o tratamento inicial com SSRI ou SNRI.
Foi efectuado um follow up às 12, 24 e 52 semanas após aleatorização.

O que concluem?

Este estudo não encontrou evidência de um beneficio clínico significativo da adição de mirtazapina ao tratamento com SSRI ou SNRI quando comparado com placebo em doentes com depressão resistente tratados em contexto de cuidados de saúde primários.

Notas: As pontuações no Inventário de Depressão de Beck II às 12 semanas foram inferiores no grupo da mirtazapina após ajustamento para pontuações basais e minimização ou estratificação de variáveis, no entanto o intervalo de confiança incluiu o zero (pontuação média (DP) às 12 semanas: 18,0 (12,3) no grupo com mirtazapina, 19,7 (12,4) no grupo placebo; diferença ajustada entre médias -1,83 (95% IC -3,92 a 0,27); P= 0,09). Os efeitos secundários foram mais comuns no grupo da mirtazapina e foram associados à suspensão do fármaco pelos participantes.

Elaborado por: Marina Teixeira

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