Evidentia da Semana #202019

Destaque

episódio do podcast dedicado à vacina contra a Meningite B e folheto para decisão partilhada

Como esclarecer dúvidas clínicas? Publicação na Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. Entre outras dicas, explicamos a razão de dividir os artigos em recomendaões elaboradas sistematicamente, revisões sistemáticas e estudos primários https://t.co/Wlp2hrWxAt

Curso de Avaliação de Literatura Médica – 4ª edição – 01 a 05 de Julho de 2019 – inscrições abertas – link aqui

E agora a literatura da semana.

Recomendações elaboradas sistematicamente

Hipotiroidismo subclínico (TSH elevada e FT4 normal) em adultos: não tratar!! Recomendação forte. 
https://t.co/lto79udlWw #recomendações

Doença de Chron: diagnóstico e gestão clínica. Sinopse de guideline 
https://t.co/Dh1Lpejc4X #recomendações

Artrite idiopática juvenil: guidelines de 2019 da American College of Rheumatology/Arthritis Foundation Atenção ao baixo nível de evidência de algumas recomendações 
https://t.co/5P6Rc8iCcn #recomendações

OMS sublinha relevância do exercício físico na prevenção da demência. Evidência de qualidade moderada; recomendação forte. 
https://t.co/IZ5jB849bP #recomendações

Revisões sistemáticas

Prescrição potencialmente inadequada em idosos associada a:
+ idas à urgência,
+ hospitalizações;
+ eventos adversos;
+ declínio funcional;
– qualidade de vida
Qualificação da prescrição é muito necessária!
https://t.co/rx59j8mlkR #revisaosistematica

Idosos e Fragilidade – combinação de treino de força e suplementação proteica é eficaz para atrasar ou reverter a fragilidade.
Será? Graves limitações metodológicas. Treino tem efeito na diminuição de risco de quedas. 
https://t.co/MtuUErhIXe #revisãosistemática

57% dos abstracts e 67% do texto principal de artigos de ensaios cardiovasculares reportam resultados primários estatísticamente negativos de uma forma manipulada dando um tom positivo aos mesmos. 
https://t.co/JPUbDxvsMu #revisãosistemática

Estudos primários

Cuidados de saúde explicam 5-15% da variação na morte prematura. Já os determinantes sociais e comportamentais são responsáveis por 16-65% dessa mesma variação. Onde é que estamos a meter os euros? 
https://t.co/DIhrOypkrQ #populacional

Determinantes sociais: é possível em menos de 1 minuto obter informação essencial sobre problemas sociais graves.
Estes autores demonstram isso bem. Se não perguntarmos não saberemos. 
https://t.co/xxVTQYapk1 #observacional

Dabigatrano não foi superior ao AAS na prevenção secundária de AVC. Ensaio clínico 
https://t.co/OtwD8URBAZ #experimental

Comida ultraprocessada levou a maior ingestão de calorias e ganho de peso vs comida não processada num ensaio clínico. Algumas limitações metodológicas mas sublinha o quão suceptíveis somos.  https://t.co/vNisHIQWrW #experimental

O que pensam pessoas com multimorbilidade quando não concordam com a desprescrição de medicamentos.
Maior literacía científica é necessária!
https://t.co/fepFTQ41kV #qualitativo

O uso de tramadol foi associado a um maior risco de uso prolongado de opioides em pacientes com um episódio agudo de dor em comparação com outros opioides de curta duração.
Estudo observacional. Para ter cuidado mas é muito relevante tratar adequadamente a dor.
https://t.co/DGE08uH5JE #observacional

Outros

Estatinas nos idosos: efeitos absolutos. Em >75 anos não são eficazes em prevenção primária. Revisão. 
https://t.co/5DvAbh7J4Y #sinopse

Decisão clínica personalizada requer:
– melhor aquisição, integração e análise de informação de saúde
– novas medições do estado de saúde/doença
– ferramentas comunicacionais para melhor suportar decisões entre doentes e clínicos 
https://t.co/s2fyyhfSvN #opinião

11 domínios dos cuidados primários numa ferramenta: acessibilidade, contexto comunitário, advocacia, abrangência, continuidade, coordenação, contexto familiar, cuidados orientados para objetivos, promoção da saúde, integração e relacão. 
Que venha a validação desta ferramenta.
https://t.co/bqMH4wrDez 

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Evidentia da Semana #192019

Destaque

Muita literatura esta semana. Algumas discussões e recursos na secção final “outros” são imperdíveis! Para digerir com calma.
Mantemos o destaque do Curso de Avaliação de Literatura Médica – 4ª edição – 01 a 05 de Julho de 2019 – inscrições abertas – link aqui

Recomendações

AVC e AIT – guideline da NICE. Atenção porque as recomendações são para o contexto britânico. Atenção: necessário contextualizar para a nossa realidade. Falam de centros de atendimento a AVC e uso de RMN como primeira linha no Dx diferencial.
https://t.co/aAYnG54Yh9 #recomendações

Ovário poliquístico – guideline pra avaliação e gestão clínica 31 recomendações baseadas em evidências, 59 recomendações de consenso clínico e 76 pontos de prática clínica 
https://t.co/fKruA39EU8 #recomendações

Revisões Sistemáticas

Lombalgia e o Dr. Google: websites não comerciais de livre acesso demonstram baixos padrões de credibilidade, fornecem informações imprecisas e não informam adequamente de acordo com os diferentes tipos de LBP. 
https://t.co/JToBpCff25 #revisãosistemática

Estudos primários

Polifarmácia: revisão da medicação atendendo aos objectivos pessoais do doente pode levar a melhor qualidade de vida e decréscimo no número de problemas de saúde. Ensaio DREAMeR 
https://t.co/HS7mLz6eU2 #ensaioclinico

Diabetes: autogestão vs gestão médica na titulação de insulina glargina em diabéticos não controlados. Auto-gestão melhor. 2 notas: 1. envolver a pessoa na gestão dos seus problemas é essencial; 2. nem todos o conseguem https://t.co/urSLOs4GLv #ensaioclinico

Voluntários + equipa de cuidados primários no apoio aos objectivos de saúde e necessidades dos idosos. Ensaio negativo mas.. 1.pouco tempo de seguimento; 2. resultados apontam no bom sentido;3. fantástica ideia! 
https://t.co/fXLgvBvVZl #ensaioclínico

Rastreio do cancro do cólon: AAS (dose única) antes de PSOF não melhora a acuidade diagnóstica do teste. 
Nota: a plausabilidade biológica é o AAS fazer sangrar mais facilmente zonas frágeis (como o tecido neoplásico).
https://t.co/rrZ0eGi6WK #ensaioclínico

Progesterona ineficaz nas ameaças de aborto (hemorragias) no primeiro trimestre da gravidez. Não leva a mais nascimentos. 
https://t.co/2tvlIf8UvX #ensaioclinico

Multimorbilidade: gestão de doenças crónicas através de mensagens electrónicas num portal. Estudo Qualitativo. Os doentes vêm vantagens neste tipo de interacção, sempre que seja depois de uma consulta presencial. Também vêm riscos. https://t.co/Tig48tNVdb #qualitativo Opinião da fantástica @susanmsmith sobre o ensaio TAPESTRY mencionado no útlimo
https://t.co/IYaAEg1ntt #opinião

Demência e as barreiras à decisão clínica: falta de informação sobre eficácia e segurança dos medicamentos; dificuldade em avaliar os efeitos da mesma e a percepção de que interromper os medicamentos é vista como “desistir”. https://t.co/vIVBVDSOCK #qualitativo

Diabetes iSGLT2 e gangrena de fournier (fasceíte necrotizante). Análises de casos reportados à FDA. Cuidado! Importante reconhecer cedo. https://t.co/aAju1L23rt #observacional

Próstata: uso de 5alfa-reductasas pré-diagnóstico associado com atraso no diagnóstico e maior mortalidade em homens que fizeram rastreio com PSA. Uii.. cuidado.  
https://t.co/QC9U1FvDIY #observacional

Sexo: cada vez se faz menos. 🤨
Estudo no Reino Unido. Qual a repercussão destes dados na saúde pública? https://t.co/hYTnWmLlcU #observacional

Probióticos após antibióticos. Evidência que apoia eficácia é fraca e com viéses e a segurança a longo prazo é desconhecida em pessoas doentes. Investigação mais rigorosa a ser feita. https://t.co/aMKlg1jUAA #revisão narrativa

Dieta e mortalidade: os riscos alimentares foram responsáveis por 11 milhões mortes (22% de todas as mortes entre adultos) e 255 milhões DALYs (15% de todos os DALYs entre adultos); Vejam os gráficos no final do post👇 https://t.co/7ncNnqNiSZ #populacional

Outros

NOAC – está entornado o caldo.
Dúvidas lançadas sobre falsificação de dados no ensaio do Apixabano. O silêncio da Pfizer e do NEJM é ensurdecedor. https://t.co/YnRHNqBTQN 
Estas dúvidas não são novas: https://t.co/hwVG8qD2dY #opinião

Currently, there is massive production of unnecessary, misleading, and conflicted systematic reviews and meta‐analyses” Alerta de J. Ioannidis https://t.co/4unOI20DQz #opinião

O que é o viés de publicação? Resposta aqui: https://t.co/VQqU9iqRIu Se quiserem entender isto numa aula com exemplos 👉 CALM (curso de avaliação de literatura médica) 1ª semana de julho na NOVA Medical School Lisboa 
https://t.co/Jq58yVWTQu #educaçãomédica

Diabetes iSGLT2 e GLP-1: resumo de benefícios cardiovasculares e os efeitos adversos. Recordem que: 1. população: DMT2 com elevado risco de evento cardiovascular 2. fármacos novos: meter a lente céptica sff 
https://t.co/ocNUGmVkgs #educaçãomédica

Guia para métodos anticonceptivos (em espanhol) https://t.co/f1LHLhzVLy #educaçãomédica


#orgulhoealegria

Evidentia da semana #182019

Destaque

Curso de Avaliação de Literatura Médica – 4ª edição – 01 a 05 de Julho de 2019 – inscrições abertas – link aqui

Top 20 artigos mais relevantes de 2018 
aafp.org/afp/2019/0501/… 
#educaçãomédica

Sumários

Anemia ferropénica: será que as novas formulações de Fe são melhores que as clássicas (sais)?
(Tools for Practice) gomainpro.ca/wp-content/upl… 
#sumário

Revisões Sistemáticas

Diabetes e insulina: análogos de insulina de curta duração sem benefício quando comparados com insulina humana regularcochranelibrary.com/cdsr/doi/10.10… 
#revisãosistemática

Probióticos para prevenção de diarreia associada a toma de antibióticos. Efeito positivo mas problemas metodológicos relevantes (heterogeneidade por exemplo). cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.10… 
#revisãosistemática

Estudos Primários

Diabetes em adolescentes: 10-17 anos; obesos; a fazer metformina; liraglutido vs placebo. Melhora HbA1c ~1% assim se desvia a atenção do q realmente importa: apoiar estes jovens a alterar radicalmente o seu estilo de vida!
https://t.co/V72ZRDitSg 
#ensaioclinico

Que actividades fazemos na consulta? a fabulosa @LilianaLaranjo and cols. mapearam as actividades realizadas numa consulta de MGF. Resultado: não seguimos modelo clássicos de procura de informação. Muita complexidade! https://t.co/YXnO5zqDNz 
#qualitativo

Refeições personalizadas e adaptadas às condições clínicas dos doentes associaram-se a menos hospitalizações e menor gasto em saúde. Estudo de coorte retrospectivo com muita magia estatística. jamanetwork.com/journals/jamai… 
#observacional

Nascer prematuro associado com maior risco de desenvolvimento de doença renal crónica durante a infância e adulto-jovem. Associação estatística. Não define causalidade. Guidelines devem agora decidir se vigilância ou não. 
bmj.com/content/365/bm… 
#observacional

Sarampo – 1,3% das crianças abaixo dos 2 anos nos EUA não está vacina. Autoridades preocupadas. Casos neste surto superam 700 casos cdc.gov/mmwr/volumes/6… #vacinasfuncionam

Pregabalina para dor neuropática: revisão dos benefícios e riscos evidentlycochrane.net/pregabalin-neu… 
#revisãonarrativa

Outros

Multimorbilidade, doença cardiovascular e polifarmácia: a European Primary Care Cardiovascular Society gostou da apresentação que fiz na conferência que organizaram em Março em Lisboa e convidaram-me a gravá-la em vídeo.
Está disponível no site da EPCCS (registo grátis) https://t.co/lf2QTCcfVt #educaçãomédica

Desprescrição: lista de ferramentas muito úteis (em espanhol). https://t.co/5AnlCvV1HR
#educaçãmédica

Game of Thrones: análise da mortalidade e sobrevivência ao longo da série. Este artigo existe e está publicado! Deliciem-se com as conclusões e curvas de sobrevivência nas imagens. injepijournal.biomedcentral.com/articles/10.11…

Como é que o açúcar afecta o nosso cérebro (em inglês) 
ed.ted.com/lessons/how-su… via @TED_ED 
#educaçãomédica

Evidentia da semana #142019

Destaque

Vacina HPV | Escócia reporta que vacina leva a diminuição da prevalência de lesões cervicais pré-cancerígenas aos 20 anos nas raparigas vacinadas aos 12-13 anos. Parece criar efeito grupo por diminuição também nas não vacinadas. https://t.co/75Le6kca3f 
#populacional #nãotirarconclusõesprecipitadas

Recomendações elaboradas sistematicamente

Prevenção primária de eventos cardiovasculares. Nova guideline da ACC/AHA https://t.co/qQeVhZHqb4 #recomendações

Tuberculose: guidelines da OMS para tratamento de TB resistente https://t.co/HsSKweQIaw
#recomendações

Revisões sistemáticas

Manejo da retenção urinária em doentes com obstrução prostática benigna. Tansulosina e Alfusozina parecem ajudar na desalgaliação. https://t.co/IGvdR8Q0Oc
#revisãosistematica

ITU de repetição nas crianças: antibioterapia de longa duração pide reduzir episódios mas os resultados revelam alguma imprecisão. Nitrofurantoína a mais eficaz mas tb o que teve mais EA. Decisão difícil. https://t.co/1XYf1rXTtA
#revisãosistemática

Açúcares: meta-análise sugere que hidratos de carbono não tem efeito sobre humor/estado de espírito; diminui estado de alerta e aumenta fadiga. Contraria ideias estabelecidas. Para ler com detalhe. https://t.co/WMEgQKMysE
#revisaosistematica

Estudos primários

Diabetes tipo 1 em crianças e adolescentes: bomba de infusão contínua vs injecções diárias. Autores reportam que não há benefício clínico na utilização de bombas nem as mesmas são custo-efectivas. Isto vai merecer análise https://t.co/UUWpw9eeJu
#ensaioclinico

Fibrilhação Auricular: ablação por catéter quando comparada com medicação antiarrítmica não reduz o resultado composto primário de morte, AVC, hemorragia grave ou paragem cardíaca https://t.co/xVSoYoXsbF
#ensaioclinico

Genéricos obtêm resultados clinicamente idênticos a medicamentos de marca. https://t.co/VU7CVr3JHr
#observacional #basesdedados

Dilemas terapêuticos em doentes com multimorbilidade: os médicos por vezes preferem atender os pedidos dos doentes mesmo quando a relação risco-benefício é desfavorável. https://t.co/IngdlPXXlA
#observacional

Qualidade: elementos-chave para sucesso no desenvolvimento de estratégias de melhoria da qualidade em sistemas de saúde. https://t.co/rXH1VKRUqt
#qualidade

Australia – reportam que a incidência da Diabetes tipo 1 diminuiu com a introdução da vacina do rotavirus. Redução de 14% na incidência nas crianças até aos 4 anos. https://t.co/RxirQlfmxp
#populacional #basesdedados
(cuidados com conclusões precipitadas de causalidade)

Outros

Vitamina D não previne fracturas nem quedas https://t.co/9g6ol0ypJ8 #revisãocritica

Significância estatística e o valor de p.
Ioannidis – nem toda a investigação deve usar o p=0.05 como referência. Os valores de p devem ser discutidos e fundamentados nos protocolos dos estudos. https://t.co/yGePapgGCk #metodologia

Leonardo da Vinci e a Anatomia. O Lancet dedica vários artigos a rever esta feliz relação entre um dos maiores génios artisticos de sempre e a anatomia https://t.co/2LqEA1Om6f
#outros

Notas de Evidentia #8 – Setembro II

O burnout dos médicos está associado a maior risco de incidentes na segurança dos doentes e prestação de cuidados de menor qualidade?

 

Panagioti, Maria, et al. «Association Between Physician Burnout and Patient Safety, Professionalism, and Patient Satisfaction: A Systematic Review and Meta-Analysis». JAMA Internal Medicine, Setembro de 2018. Crossref, doi:10.1001/jamainternmed.2018.3713. ligação aqui

O que fizeram?
Revisão sistemática e meta-análise de estudos observacionais quantitativos. Foram feitas análises de sensibilidade e utilizados modelos de efeito-aleatório. Incluíram-se médicos que trabalham em qualquer nível de cuidados de saúde. O principal outcome avaliado consistiu no burnout médico. Também foram estudadas avaliadas a segurança dos doentes, profissionalismo e satisfação dos doentes. O burnout foi avaliado através da escala Maslach Burnout Inventory e semelhantes. A ocorrência de incidentes na segurança dos doentes foi definida como qualquer evento ou condição prejudicial e não intencional consequente da prestação de cuidados. O profissionalismo foi avaliado segundos os princípios de Stern.

O que concluem?
O burnout médico pode prejudicar a prestação de cuidados ao doente, tendo sido associado a maior risco de incidentes na segurança dos doentes, menor qualidade na prestação de cuidados devido baixo profissionalismo e menor satisfação dos doentes. As organizações de saúde devem investir na melhoria do bem-estar médico, particularmente entre médicos em início de carreira. Os métodos de registo da qualidade e segurança da prestação de cuidados requer melhorias para que se possam obter resultados mais concisos sobre o impacto do burnout na prestação de cuidados das organizações de saúde.

Notas: Foram incluídos 47 estudos (população de 42.473 médicos, 59% género masculino, mediana 38 anos de idade (variando de 27 a 53 anos). O burnout médico foi associado a maior risco de incidentes na segurança dos doentes (OR 1.96 IC 95% 1.59-2.40; I2 97.9%), menor qualidade na prestação de cuidados devido baixo profissionalismo (OR 2.31 IC 95% 1.87-2.85; I2 89.5%) e menor satisfação dos doentes (OR 2.28 IC 95% 1.42-3.68; I2 90.5%). De notar uma elevada heterogeneidade metodológica dos estudos e uma qualidade baixa a moderada dos estudos incluídos. Verificou-se maior força de correlação entre burnout e baixo profissionalismo entre médicos internos e em início de carreira (menos de 5 anos após internato) quando comparado com médicos com mais anos de carreira (Cohen Q 7.27; p=0.003). O método de registo de incidentes na segurança dos doentes e profissionalismo (relato médico vs. registos do sistema informático) influenciou significativamente os resultados (Cohen Q 8.14; p=0.007).

Elaborado por: Gisela Costa Neves

 


Será que as intervenções na pressão arterial e no colesterol, nos doentes hipertensos, estão (mesmo) associadas a menos mortes a longo prazo?

Gupta, Ajay, et al. «Long-Term Mortality after Blood Pressure-Lowering and Lipid-Lowering Treatment in Patients with Hypertension in the Anglo-Scandinavian Cardiac Outcomes Trial (ASCOT) Legacy Study: 16-Year Follow-up Results of a Randomised Factorial Trial». The Lancet, Agosto de 2018. Crossref, doi:10.1016/S0140-6736(18)31776-8. ligação aqui

O que fizeram?
O estudo ASCOT foi um ECA multicêntrico que incluiu doentes hipertensos do Reino Unido. Estes foram aleatorizados de 2 formas:
1. Todos receberam tratamento anti-hipertensor: amlodipina ou atenolol.
2. Os doentes com colesterol total ≤ 251mg/dL (≤6.5mmol/L) e sem terapêutica prévia foram aleatorizados para tratamento com atorvastatina ou placebo. Neste artigo reportam o seguimento a 16 anos (mediana 15.7 anos; IQR 9.7 – 16.4 anos) de 8580 participantes do estudo ASCOT original com análise de todas as causas de morte cardiovasculares (Doença coronária ou AVC) vs não-cardiovasculares.

O que concluem?
O tratamento anti-hipertensor com bloqueadores dos canais de cálcio e a redução do colesterol com estatina demonstrou efeitos benéficos na mortalidade a longo prazo (os doentes tratados com amlodipina tiveram menos mortes por AVC e os doentes tratados com atorvastatina tiveram menos mortes por eventos cardiovasculares, mesmo 10 anos após o encerramento do estudo inicial). O estudo apoia a noção de que as intervenções na pressão arterial e colesterol estão associadas a melhores outcomes cardiovasculares a longo prazo.

Notas: Verificaram-se 3282 (38,3%) mortes, incluindo 1640 (38,4%) no grupo do atenolol e 1642 (38,1%) no grupo da amlodipina. Nos doentes selecionados para tratamento da dislipidemia, registarem-se 903 (39,5%) mortes no grupo placebo e 865 (37,3%) no grupo da atorvastatina. No grupo sob estatina registaram-se menos mortes cardiovasculares (HR 0,85; 0,60-0,99; p = 0,0395) em comparação com o placebo. 1210 (36,9%) das mortes foram de causas cardiovasculares. Não se verificou diferença nas causas de mortalidade entre os tratamentos anti-hipertensores (hazard ratio [HR] 0.90, IC95% 0.81-1.11, p = 0,0766). Contudo, houve menos mortes por AVC (HR ajustado 0.71, 0.53-0.97, p = 0.0305) no grupo da amlodipina. Dos participantes que não foram selecionados para tratamento da dislipidemia e que estavam medicados com amlodipina verificaram-se menos mortes cardiovasculares (HR ajustado 0.99, 0.67-0.93, p = 0,0046).

Elaborado por: Sofia Gonçalves Ribeiro


A toma diária de 100 mg de aspirina reduz o risco cardiovascular e de hemorragia major, nos idosos com ≥ 70 anos, não institucionalizados e sem doença cardiovascular, demência ou incapacidade física?

McNeil, John J., et al. «Effect of Aspirin on Cardiovascular Events and Bleeding in the Healthy Elderly». New England Journal of Medicine, vol. 0, n. 0, Setembro de 2018, p. null. Taylor and Francis+NEJM, doi:10.1056/NEJMoa1805819 ligação aqui

O que fizeram?
Realizaram um ensaio clínico aleatorizado, duplo-cego, na Austrália e Estados Unidos da América, com homens e mulheres  com ≥ 70 anos (ou ≥ 65 anos na raça negra e hispânicos nos Estados Unidos), não institucionalizados, sem doença cardiovascular, demência ou incapacidade física, entre 2010 e 2014 (média de 4.7 anos de estudo).

Foram incluidos 19114 idosos, distribuídos em dois grupos de estudo: grupo de tratamento com aspirina 100 mg (n= 9525) e grupo de tratamento com placebo (n=9589).
O objetivo foi identificar o número de eventos cardiovasculares e hemorragia major em ambos os grupos.

O que concluem?
Concluem que o uso de aspirina em baixa dose (100 mg) na prevenção primaria em idosos resultou em maior risco de hemorragia major e não diminuiu significativamente o risco cardiovascular quando comparado com placebo.

Notas: A taxa de doença cardiovascular foi 10.7/1000 pessoas/ano no grupo de tratamento e 11.3/1000 no grupo placebo (RR 0.95, IC 95% [0.83-1.08]). A taxa de hemorragia major foi 8.6/1000 pessoas/ano e 6.2/1000, respetivamente (RR 1.38 IC 95% [1.18-1.62]).

Elaborado por: Cátia Sapateiro


 

Qual é a associação entre o isolamento social nos idosos e a experiência como utentes dos cuidados primários de saúde?

Aoki, Takuya, et al. «Social Isolation and Patient Experience in Older Adults». The Annals of Family Medicine, vol. 16, n. 5, Janeiro de 2018, pp. 393–98. http://www.annfammed.org, doi:10.1370/afm.2257. ligação aqui

O que fizeram?
Estudo cross-sectional, em clínicas japonesas de cuidados primários participantes no projecto PROGRESS, entre Outubro de 2015 e Fevereiro de 2016. Os autores avaliaram o isolamento social com a escala abreviada Lubben Social Network Scale e a experiência do utente com a versão japonesa do Primary Care Assessment Tool (JPCAT).

Foram analisados dados de 465 idosos. O outcome primário era o valor total do JPCAT, numa escala de 0-100, onde 100 era a melhor experiência possível. Como outcomes secundários usaram as 5 dimensões estudadas com o JPCAT (primeiro contacto, longitudinalidade, abrangência, coordenação e orientação para a comunidade).

O que concluem?
Os autores concluem que o isolamento social está associado a uma pior experiência como utente dos cuidados primários de saúde, especialmente  na dimensão de abrangência de cuidados.

Notas: A proporção de utentes isolados foi de 27,3% e o JPCAT médio de 65.7 em 100.
O isolamento social está negativamente associado ao valor de JPCAT, mesmo após ajuste para as variáveis (idade, sexo, rendimento anual, nivel de estudos), -3.67 com IC 95%[-7;-0.38]. Dentro das 5 dimensões estudadas, a abrangência foi a mais associada ao isolamento com -7.58 IC95% [-14.28;-0.88], seguida pela dimensão longitudinalidade -5.33 IC 95% [-8.79;-1.87]. Apesar do pequeno tamanho da amostra e de poder existir alguma subestimação dos valores de isolamento social, o estudo pretende alertar os profissionais para esta temática, e incentivar os mesmos a desenhar intervenções que melhorem a experiência nos cuidados primários destes utentes.

Elaborado por: Maria José Correia


Qual a eficácia de intervenções multi-dirigidas em idosos com multimorbilidade, quando comparadas com intervenções dirigidas a uma única patologia?

Kastner, Monika, et al. «Effectiveness of Interventions for Managing Multiple High-Burden Chronic Diseases in Older Adults: A Systematic Review and Meta-Analysis». Canadian Medical Association Journal, vol. 190, n. 34, Agosto de 2018, pp. E1004–12. Crossref, doi:10.1503/cmaj.171391 ligação aqui

O que fizeram?
Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos controlados e aleatorizados e estudos quasi-experimentais, em qualquer língua, no período de 1990 a Dezembro de 2017. População: Idosos (adultos com idade igual ou superior 65A) com multimorbilidade (2 ou mais doenças crónicas). Intervenção: intervenções direccionadas a multimorbilidade. Controlo: intervenções usuais direccionadas a uma única patologia. Outcome primário: qualquer outcome relevante para o doente (ex. controlo glicémico como parte de cuidados a diabéticos). Outcomes secundários: qualidade de vida, limitação funcional (cognitiva, física, social, psicológica), adesão ao tratamento, prejuízo, satisfação, utilização de serviços de saúde (ex: internamentos ou admissões hospitalares) e custos.

O que concluem?
Idosos diabéticos, com depressão ou doença cardiovascular (DM2+depressão ou DM2+DCV), ou a co-existência de DPOC e insuficiência cardíaca (DPOC+IC), beneficiam de estratégias multi-dirigidas, com ou sem educação para redução de HbA1c. Contretamente verificou-se: redução de sintomas depressivos, melhoria de limitação funcional e aumento da utilização dos serviços de saúde mental.

Notas: Foram incluídos 25 ensaios, dos quais 6 em clusters (n=12.579, idade média 67,3). Foram considerado estudos com indivíduos com idades inferiores a 65 anos, desde que a média de idades do respectivo estudo fosse igual ou superior a 65 anos. Em doentes com depressão + DPOC ou DM2 + doença cardiovascular, estratégias direccionadas a multimorbilidade melhoraram significativamente sintomas depressivos (diferença  de média standardizada -0.41; IC 95% -0.59 a -0.22; I2 0%) e reduziram valores HbA1c (diferença de média -0.51; IC 95% -0.90 a -0.11; I2 0%), mas não reduziram a mortalidade (RR 0.79; IC 95% 0.53 a 1.17; I2 0%). Relativamente aos outcomes temporários, estratégias direccionadas a multimorbilidade: melhoraram limitação funcional em doentes com artrite + depressão (diferença entre grupos -0.82; IC 95% -1.17 a -0.47) ou com DM2 + depressão (diferença entre grupos 3.21; IC 95% 1.78 a 4.63); melhoraram função cognitiva em doentes com DM2 + depressão (diferença entre grupos 2.44; IC 95% 0.79 a 4.09) ou doentes com DPOC + IC (p 0.006); levaram ao aumento da utilização de serviços de saúde mental em doentes com DM2 + depressão ou DM2 + DCV (RR 2.57; IC 95% 1.90 a 3.49; I2 0%).

Elaborado por: Gisela Costa Neves

 

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