Evidentia da semana #182019

Destaque

Curso de Avaliação de Literatura Médica – 4ª edição – 01 a 05 de Julho de 2019 – inscrições abertas – link aqui

Top 20 artigos mais relevantes de 2018 
aafp.org/afp/2019/0501/… 
#educaçãomédica

Sumários

Anemia ferropénica: será que as novas formulações de Fe são melhores que as clássicas (sais)?
(Tools for Practice) gomainpro.ca/wp-content/upl… 
#sumário

Revisões Sistemáticas

Diabetes e insulina: análogos de insulina de curta duração sem benefício quando comparados com insulina humana regularcochranelibrary.com/cdsr/doi/10.10… 
#revisãosistemática

Probióticos para prevenção de diarreia associada a toma de antibióticos. Efeito positivo mas problemas metodológicos relevantes (heterogeneidade por exemplo). cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.10… 
#revisãosistemática

Estudos Primários

Diabetes em adolescentes: 10-17 anos; obesos; a fazer metformina; liraglutido vs placebo. Melhora HbA1c ~1% assim se desvia a atenção do q realmente importa: apoiar estes jovens a alterar radicalmente o seu estilo de vida!
https://t.co/V72ZRDitSg 
#ensaioclinico

Que actividades fazemos na consulta? a fabulosa @LilianaLaranjo and cols. mapearam as actividades realizadas numa consulta de MGF. Resultado: não seguimos modelo clássicos de procura de informação. Muita complexidade! https://t.co/YXnO5zqDNz 
#qualitativo

Refeições personalizadas e adaptadas às condições clínicas dos doentes associaram-se a menos hospitalizações e menor gasto em saúde. Estudo de coorte retrospectivo com muita magia estatística. jamanetwork.com/journals/jamai… 
#observacional

Nascer prematuro associado com maior risco de desenvolvimento de doença renal crónica durante a infância e adulto-jovem. Associação estatística. Não define causalidade. Guidelines devem agora decidir se vigilância ou não. 
bmj.com/content/365/bm… 
#observacional

Sarampo – 1,3% das crianças abaixo dos 2 anos nos EUA não está vacina. Autoridades preocupadas. Casos neste surto superam 700 casos cdc.gov/mmwr/volumes/6… #vacinasfuncionam

Pregabalina para dor neuropática: revisão dos benefícios e riscos evidentlycochrane.net/pregabalin-neu… 
#revisãonarrativa

Outros

Multimorbilidade, doença cardiovascular e polifarmácia: a European Primary Care Cardiovascular Society gostou da apresentação que fiz na conferência que organizaram em Março em Lisboa e convidaram-me a gravá-la em vídeo.
Está disponível no site da EPCCS (registo grátis) https://t.co/lf2QTCcfVt #educaçãomédica

Desprescrição: lista de ferramentas muito úteis (em espanhol). https://t.co/5AnlCvV1HR
#educaçãmédica

Game of Thrones: análise da mortalidade e sobrevivência ao longo da série. Este artigo existe e está publicado! Deliciem-se com as conclusões e curvas de sobrevivência nas imagens. injepijournal.biomedcentral.com/articles/10.11…

Como é que o açúcar afecta o nosso cérebro (em inglês) 
ed.ted.com/lessons/how-su… via @TED_ED 
#educaçãomédica

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Evidentia da semana #172019

Destaque

Curso de Avaliação de Literatura Médica – 4ª edição – 01 a 05 de Julho de 2019 – inscrições abertas – link aqui

Recomendações

Diabetes: recomendações alimentares para pessoas em risco
(vamos evitar o rótulo pré-diabetes)
O que sobressai é a recomendação de intervenções intensivas no estilo de vida devem ser prioridade para serviços de saúde
https://t.co/okAJBI0zyO #recomendações

Rastreio bacteriúria assintomática em mulheres adultas:
grávidas SIM; resto NÃO
https://t.co/SLmWPJeQGq #recomendações

Crianças e Grávidas: USPSTF conclui que não tem evidência para recomendar a favor ou contra o rastreio de níveis elevados de chumbo. USPSTF – https://t.co/4hrjwrL0pU #recomendações
Editorial JAMA – https://t.co/wwwQDhRNg6 

Declaração de Copenhaga para Actividade Física e envelhecimento. 30 recomendações organizadas em 4 temas: capacidade funcional; cognição e saúde mental; alteração de comportamentos; perspectiva social 
https://t.co/cHGQEgYRqf #recomendações

Revisões Sistemáticas

Inequidade nos cuidados de saúde: baixo nível socioeconómico associado a mais morte em hospital (vs em casa); a mais episódios de urgência no último ano de vida; a menos acesso a cuidados paliativos; 
https://t.co/Gw28dz4dCv #revisãosistemática

DPOC: acrescentar LAMA a terapia dupla com ICS/LABA acrescentou benefício clínico (FEV1, exacerbações, efeitos adversos CV).
https://t.co/nFH75c8R17 #revisãosistemática

Infecções urinárias de repetição nas crianças: tratamento de longa duração (2 meses a 2 anos) com antibióticos oferece pequeno benefício que contrasta com potencial risco de efeitos adversos.
Decisão difícil que deve mesmo ser individualizada (risco individual).
https://t.co/1XYf1rGi50 #revisãosistemática

Estatinas em prevenção primária – revisão de revisões sistemáticas
Lá está: decisão individualizada. Depende do risco cardiovascular basal 
https://t.co/TuykA7wH6P #revisãosistemática

Alergia ao amendoim: os regimes de imunoterapia oral disponíveis aumentam o risco de reacção alérgica e anafilaxia. Atenção!
Precisamos urgentemente de novas opções e de ensaios bem feitos. 
https://t.co/Ml0dSvkaWs #revisãosistemática #metaanálise

Estudos Primários

Hidroxicloroquina com bons resultados na proteinuria da Nefropatia IgA. Estudo pequeno que deve dar lugar a um estudo maior mas é promissor (importante pela falta de tratamentos para evitar transplantes em jovens) 
https://t.co/rX19IAJMSB #ensaioclinico

Devemos adicionar relaxantes musculares a anti-inflamatórios na lombalgia? não vale a pena. 
https://t.co/jAQnyQeI1v #ensaioclinico
A minha pergunta é: e os anti-inflamatórios valem a pena? Já sabiamos q são pouco mais que placebo https://t.co/ONGKuhAmyZ

Semaglutido na diabetes: mais um ensaio com resultados glicémicos e não resultados clinicamente relevantes… insuficiente para entrar no arsenal 
https://t.co/6JGXNPpWAC #ensaioclinico #queremosoutcomesclinicos

Metformina associada a redução de peso e manutenção dessa redução a longo prazo. As restantes conclusões dos autores parecem-me roçar a especulação. 
https://t.co/56VMF09Csj #análiseposthoc

Saltar pequeno almoço: estudo associa maior mortalidade nas pessoas que não tomam nunca pequeno-almoço. Atenção: estudo observacional 
https://t.co/K6BDydvNae #observacional

Morte súbita nos bébes – estudo confirma: devem dormir de costas, cama individual (não partilhada) e sem roupa de cama macia (cobertores, almofadas, travesseiros, etc..) na sua área de sono 
https://t.co/POrMvPcd5b #observacional

Tabaco e gravidez: deixar de fumar associado a redução do risco de parto prematuro, mesmo para grandes fumadoras – e quanto mais no início da gravidez melhor. 
https://t.co/wajs10dS5D #observacional

Cada vez passamos mais tempo sentados. Crianças e adolescentes ocupam cada vez mais do seu tempo de lazer sentados a olhar para ecrãs. 
https://t.co/fqCtrR0qSY #observacional #boraláparaforajogaràbola

Outros

Videos explicativos para inaladores – em inglês 
https://t.co/Dmu46QW8e4 #útil #educaçãomédica

Sarampo: 681 casos nos EUA – o maior número desde há 19 anos.
Vale a pena este editorial no Lancet – https://t.co/QxGEW37toi 
números no CDC https://t.co/taPvFWlCoP #VacinasFuncionam

Tempo de abandonar rastreios oncológicos? “O rastreio continua a ser promovido como um fundamental no controlo do cancro, apesar da evidência cada vez maior de que são criados mais danos do que benefícios” https://t.co/kf5ia0UpKW #opiniao

MGF no Sociedade Civil da RTP2 – Parabéns Alexandra pelo testemunho e pelas palavras que muito dignificam a MGF (como habitual aliás). Tb muito bem o Dr. Carlos Nunes e o Dr. Henrique Botelho. Obrigado aos três pela fantástica representação da MGF
https://www.rtp.pt/play/p5300/e402900/sociedade-civil

Evidentia da semana #162019

Destaque

Podcast – episódio #21 – Ecografia mamária no rastreio do cancro da mama? Análise de um artigo recentemente publicado no JAMA Internal Medicine que procura responder a essa pergunta. Aproveitamos para explicamos o que é um estudo de coorte e como sempre: humor altamente discutível.

Recomendações elaboradas sistematicamente

Estenose Aórtica: tratamento com TAVR – resumo da guideline da AHA/AAC 
https://t.co/FhYHFgpmPk 
#recomendações

Revisões sistemáticas

Exercício Físico: Treino MOD (moderado contínuo) e HIIT (elevada intensidade com intervalos) ambos diminuem % gordura corporal. HITT reduz mais massa gorda corporal.
Qualquer um é melhor que não fazer exercício 
https://t.co/yj0BwInbLE 
#revisãosistemática

Continuidade de cuidados (médico de família) associada a diminuição das hospitalizações evitáveis. 
https://t.co/lzlkYHCNNq 
#revisãosistemática

Cessação tabágica: terapia combinada (patch + alguma forma de nicotina rápida) consegue resultados superiores a terapia simples. 
https://t.co/ySsNrHOXYf 
#revisãosistematica

Dieta e Diabetes: dieta mediterrânica e vegetariana podem conseguir maior controlo glicémico que dietas baixas em gorduras. 
https://t.co/spRZt4jzd4 
#revisãosistemática

Sotagliflozina em diabetes tipo 1. Ao contrário dos autores vejo muito pouca redução de outcomes glicémicos e elevados riscos de eventos adversos. Isto precisa de mais dados antes de entrar na prática
https://t.co/aHBCzaMPc1 
#revisãosistematica
#metanálise

ESTUDOS PRIMÁRIOS

Diabetes: canagliflozina, um inibidor SGLT2, reduz riscos de resultados renais e cardiovasculares em DM tipo 2. Grande buzz por finalmente ver resultados positivos nestes doentes. Maaas…cuidado… ensaio interrompido 
https://t.co/dyk74Am0c5 
#ensaioclinico

Diabetes gestacional associada a maior risco de, nos filhos, ocorrer diabetes na infância e adolescência
https://t.co/zxyqW8k6Rv 
#observacional
#necessariamaisprova

Apps de vibração no smartphone podem substituir diapasão na avaliação de perda auditiva. 
https://t.co/81IERsNfTq 
#diagnostico

Estilo de vida activo associado a menor risco de diabetes, dça coronária e AVC mas não demências. 
https://t.co/AxF1INQrqU 
#observacional

Bebidas energéticas: resumo das características das 5 marcas mais consumidas no UK (Lucozade, Red Bull, Monster, Rockstar e Relentless): pH extremamente ácido e quantidades exageradas de açucar. Há opções bem mais saudáveis 
https://t.co/XiLE8rzQYS 
#observacional

Pediatria: quanto maior a exposição a ecrãs maior o risco das crianças desenvolverem problemas comportamentais. 
https://t.co/0ChmPaRRHN 
#observacional
#interpretarcomcuidado

Pediatria: crianças com estilo de vida de acordo com as recomendações médicas (dieta, actividade física, sono, tempo de ecrã) consultam menos por problemas de saúde mental. 
https://t.co/8FDl4Nj4Qx 
#observacional

Evidentia da semana #142019

Destaque

Vacina HPV | Escócia reporta que vacina leva a diminuição da prevalência de lesões cervicais pré-cancerígenas aos 20 anos nas raparigas vacinadas aos 12-13 anos. Parece criar efeito grupo por diminuição também nas não vacinadas. https://t.co/75Le6kca3f 
#populacional #nãotirarconclusõesprecipitadas

Recomendações elaboradas sistematicamente

Prevenção primária de eventos cardiovasculares. Nova guideline da ACC/AHA https://t.co/qQeVhZHqb4 #recomendações

Tuberculose: guidelines da OMS para tratamento de TB resistente https://t.co/HsSKweQIaw
#recomendações

Revisões sistemáticas

Manejo da retenção urinária em doentes com obstrução prostática benigna. Tansulosina e Alfusozina parecem ajudar na desalgaliação. https://t.co/IGvdR8Q0Oc
#revisãosistematica

ITU de repetição nas crianças: antibioterapia de longa duração pide reduzir episódios mas os resultados revelam alguma imprecisão. Nitrofurantoína a mais eficaz mas tb o que teve mais EA. Decisão difícil. https://t.co/1XYf1rXTtA
#revisãosistemática

Açúcares: meta-análise sugere que hidratos de carbono não tem efeito sobre humor/estado de espírito; diminui estado de alerta e aumenta fadiga. Contraria ideias estabelecidas. Para ler com detalhe. https://t.co/WMEgQKMysE
#revisaosistematica

Estudos primários

Diabetes tipo 1 em crianças e adolescentes: bomba de infusão contínua vs injecções diárias. Autores reportam que não há benefício clínico na utilização de bombas nem as mesmas são custo-efectivas. Isto vai merecer análise https://t.co/UUWpw9eeJu
#ensaioclinico

Fibrilhação Auricular: ablação por catéter quando comparada com medicação antiarrítmica não reduz o resultado composto primário de morte, AVC, hemorragia grave ou paragem cardíaca https://t.co/xVSoYoXsbF
#ensaioclinico

Genéricos obtêm resultados clinicamente idênticos a medicamentos de marca. https://t.co/VU7CVr3JHr
#observacional #basesdedados

Dilemas terapêuticos em doentes com multimorbilidade: os médicos por vezes preferem atender os pedidos dos doentes mesmo quando a relação risco-benefício é desfavorável. https://t.co/IngdlPXXlA
#observacional

Qualidade: elementos-chave para sucesso no desenvolvimento de estratégias de melhoria da qualidade em sistemas de saúde. https://t.co/rXH1VKRUqt
#qualidade

Australia – reportam que a incidência da Diabetes tipo 1 diminuiu com a introdução da vacina do rotavirus. Redução de 14% na incidência nas crianças até aos 4 anos. https://t.co/RxirQlfmxp
#populacional #basesdedados
(cuidados com conclusões precipitadas de causalidade)

Outros

Vitamina D não previne fracturas nem quedas https://t.co/9g6ol0ypJ8 #revisãocritica

Significância estatística e o valor de p.
Ioannidis – nem toda a investigação deve usar o p=0.05 como referência. Os valores de p devem ser discutidos e fundamentados nos protocolos dos estudos. https://t.co/yGePapgGCk #metodologia

Leonardo da Vinci e a Anatomia. O Lancet dedica vários artigos a rever esta feliz relação entre um dos maiores génios artisticos de sempre e a anatomia https://t.co/2LqEA1Om6f
#outros

Evidentia da semana #082019

Revisões sistemáticas

Asma pediatríca: ensinamentos de auto-gestão dos sintomas de asma entregues nas escolas reduz contactos urgentes com sistema de saúde. https://t.co/ooqDC20mNU #revisaosistematica

Telemedicina na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica: reduz idas à urgência e hospitalizações bem como melhora a saúde mental e qualidade de vida. https://t.co/7rhI7HFbho #revisãosistematica

Reabilitação cardíaca com exercício físico em doentes com desfibrilhador. Revisão sistemática indica potencial benefício mas há uma enorme falta de evidência de qualiade. Boa linha de investigação para alguém agarrar! https://t.co/usQQRx4xJs #revisãosistemática

Sal iodada continua a ser a melhor forma de suplementar iodo se necessário. Outras formas de fortificação iodada de alimentos não demonstrou efeito. https://t.co/e7jyc3DVAz #revisãosistemática

Doença de Crohn: antibióticos não parecem oferecer benefício clinicamente relevante na indução de remissão. https://t.co/OSS96LLQ9u #revisãosistematica

Asma: nova classe farmacológica (anti-interleucina 5) reportada como segura e eficaz nesta meta-análise em rede. Reslizumab o mais eficaz. https://t.co/GFqIKiWpt8 #revisãonma

Estudos primários

Asma pediátrica: educar os pais reduz idas à urgência. A mensagem é clara, o problema é replicar esta intervenção. Recursos educacionais muito necessários. https://t.co/xmJMhMR2Kf #eca

Exercício aeróbico melhora capacidade cognitiva (função executiva, outras dimensões não) em adultos. https://t.co/4zp8uDUsQH #eca

Osteoartrose do joelho: cirurgia de substituição parcial vs total do joelho? parcial tem menos tempo internado, complicações, mortalidade, infecções, tempo até recuperação funcional https://t.co/ooiGNAgJsu #eca

Induzir o parto às 41 semanas ou esperar até as 42? menos eventos adversos perinatais com a indução às 41s, mas ambas as estratégias têm baixo risco de efeitos adversos sérios. https://t.co/PtFtAC0Qhc relacionado: Cochrane https://t.co/Q9gpWEDeJ8 #eca

Actividade física: cumprir as recomendações de prática aeróbica e força muscular associadas a menor prevalência de depressão https://t.co/TGDmwHViZX via @MarcMedMD #populacional

Prevenção de AVC: nova ferramenta de cálculo de risco baseada em critérios de idade, biomarcadores e historia clínica (ABC-stroke) https://t.co/ou22yZlOrS #diagnóstico

Presença de médicos de família numa determinada área geográfica associado com menor mortalidade nessa região Contexto do estudo: EUA https://t.co/bI2NiW2eAt comentário interessante: https://t.co/EjW2N8LiJ7 #populacional

Crianças passam horas em frente a ecrãs. Este estudo reporta uma média de 3h diárias para crianças dos 0-2 anos. Cuidado!! Este tempo mais que duplicou na última década. https://t.co/O0TaTA12ep #populacional

Apneia Obstrutiva do Sono: novo fármaco reduz sonolêcia diurna excessiva. Atenção a efeitos adversos e pouco tempo de follow up do estudo (6 semanas). https://t.co/n2r0lGL4WZ #eca

Ter família e ser cientista: o nascimento do primeiro filho significa o abandono de trabalhos a tempo inteiro em áreas científicas para 43% das mulheres. Apenas 23% dos homens o fazem. Já é hora de alterar esta realidade! https://t.co/QNaVebk5jJ #genderequity  https://t.co/ytouo1lMUl

Evidentia da semana #052019


Levodopa não modifica curso da doença de parkinson. ECA no NEJM no qual se comparam [80 semanas de levodopa+carbidopa] vs [40 semanas de placebo + 40 semanas de levodopa+carbidopa]. Nao houve diferença nos sintomas no final. https://t.co/NICtVJ9r0h 


Dapagliflozina vs placebo em #diabetes com factores de risco CV: – não reduz taxa de eventos CV major – reduz taxas de hospitalização por insuficiência cardíaca https://t.co/jY7JpCMIap


Antibióticos para Chlamydia em homens e mulheres não grávidas. Revisão Cochrane: não se consegue dizer se uma é melhor que outra pelo que se mantém: azitromicina 1gr toma única OU doxiciclina 100mg oral bid 7 dias. https://t.co/pdYqYrVMWj


Colheita de sangue em crianças: ensaio que compara técnicas de distracção [1-videojogos vs 2-desenhos animados vs 3-interacção com pais] vs 4-sem distracção. Distracção provoca menos ansiedade e dor. Videojogos o mais eficaz https://t.co/woB3nFlLZM


Trotinetes eléctricas: estudo de 249 acidentes: fracturas (31.7%), lesões na cabeça (40.2%), outras (27.7%) apenas 4,4% levavam capacete. https://t.co/RP2dWDo28v #caso_series


Estatinas em >75 anos: – prev. primária sem factores de risco CV: não – prev. primária com factores de risco CV: sim – prev. secundária: sim https://t.co/2rEF1iWskP #coorte


Hipertensão: o tratamento para valores de pressão arterial sistólica de menos de 120 mmHg em comparação com uma meta menor que 140 mmHg não resulta em redução significativa no risco de desenvolver demência. https://t.co/dgI0L1VCPe #eca


Beta bloqueantes em DPOC: associados a menor risco de hospitalização (19,7%) e menor risco de morte (44%) quando comparados com outros antihipertensores. Pessoal, deixem lá o medo de usar BB em DPOC. https://t.co/0JYD6CIWL4 #populacional


Recém nascidos: prevenção conjuntivite gonocócica recomendada pela USPSTF. Havia controvérsia, esclarecida.  https://t.co/X9P3C6in6A #guidelines


Fibrilhação Auricular: nova guideline americana (AHA/ACC/HRS) Pontos chave: https://t.co/bFUTY4bHCY #guidelines


Exames de rotina têm muito baixo valor e é muito improvável que tenham algum benefício. Actualização de revisão sistemática clássica. https://t.co/ctxjJGFVge #Cochrane


Suplementação de ferro intermitente para anemia e sintomas associados em mulheres em idade fértil: tão eficaz como suplementação continua mas evidência de baixa qualidade https://t.co/fNSB7X4f1J #Cochrane


Programas de exercício físico evitam quedas em idosos. Benefícios superam largamente potenciais riscos. Revisão sistemática. https://t.co/vUoeQkCsC9 #cochrane


Exercício físico em doentes com neoplasias hematológicas: adicionado aos cuidados habituais pode melhorar a fadiga e a depressão. RevSist com poucos e pequenos estudos. Necessária + prova mas direcção do efeito parece positiva. https://t.co/gdT4wgqZ7Z #Cochrane

Notas de Evidentia #7 – Setembro 2018 – parte I

 

A toma diária de aspirina tem efeito na mortalidade da população idosa previamente saudável?  

McNeil, John J., et al. «Effect of Aspirin on All-Cause Mortality in the Healthy Elderly». New England Journal of Medicine, Setembro de 2018. Crossref, doi:10.1056/NEJMoa1803955. ligação aqui

O que fizeram?
O estudo ASPREE foi realizado entre 2010 e 2014, e foram incluídos 19114 pessoas dos EUA e Austrália, com mais de 70 anos (idade igual ou superior a 65 anos no caso de pessoas de raça negra e hispânicos nos EUA) sem doença cardiovascular, demência ou outra incapacidade. Os participantes foram aleatorizados em dois braços: um que recebeu aspirina 100 mg/dia e outro que recebeu placebo. No end-point secundário verificou-se um número de mortes superior no braço que recebeu aspirina. As mortes ocorridas foram classificadas de acordo com a causa subjacente por adjudicadores que não tiveram acesso à aleatorização. Foram usados hazard ratios para comparar a mortalidade entre o grupo de aspirina e o grupo placebo, e foi efectuado uma análise exploratória pos hoc para as causas de morte específicas.

O que concluem?
A mortalidade devido a todas as causas foi maior no grupo que recebeu aspirina em comparação com o grupo que recebeu placebo. Isto deveu-se, primeiramente, a mortes relacionadas com cancro. Tendo em conta estudos anteriores este não seria um resultado esperado e deve ser interpretado com cuidado.

Notas: Ocorreram um total de 1052 mortes nos 4,7 anos de follow-up. O risco de morte para todas as causas foi de 12,7/1000 pessoas-ano no grupo de aspirina e 11,1/1000 pessoas-ano no grupo placebo (HR 1,14; 95% IC, 1,01 a 1,29). Cancro foi o factor que mais contribuiu para a maior mortalidade no grupo que recebeu aspirina. Mortes por cancro ocorreram em 3,1% dos participantes do grupo de aspirina e 2,3% no grupo placebo (HR 1,31; 95% IC, 1,10 a 1,56)
Estudos anteriores tinham demonstrado um efeito protector das aspirina na morte causada por cancro após 4-5 anos de terapêutica. Deve ter-se em conta que este estudo foi terminado após 4,7 anos de follow-up a pedido da agência financiadora e do National Institute in Aging, por parecer bastante improvável que a continuação do estudo viesse a revelar benefício face aos resultados do end-point primário.

Elaborado por: Marina Teixeira


Novas recomendações para a gestão de doentes com risco de arritmias associadas a doença coronária.

SIGN 152 Arrhythmias. https://www.sign.ac.uk/sign-152-arrhythmias.html. Acedido 9 de Outubro de 2018. ligação aqui

O que fizeram?
Norma de orientação clínica baseada em revisão sistemática da literatura

O que concluem?
O documento apresenta algumas recomendações principais:

  • Recomendações para prevenção de morte súbita de causa cardíaca: deve existir intervenção nos factores de risco de doença coronária nos indivíduos que apresentam maior risco da mesma; devem existir medidas de promoção da saúde e incentivo da actividade física de intensidade moderada para toda a população.
  • Recomendações para prevenção de arritmias associadas a síndromes coronários agudos: todos os doentes com EAM com supra ST devem ser submetidos a avaliação da função ventricular esquerda para estratificação de risco de arritmias.
  • Recomendações para doentes com doença coronária crónica ou disfunção ventricular esquerda: o controlo da frequência cardíaca é a estratégia recomendada para doentes com FA bem tolerada; em doentes com FA permanente ou persistente com uma frequência cardíaca em repouso >110bpm deve ser instituída terapêutica adequada para reduzir a frequência cardíaca em repouso para <110bpm; desfibrilhadores implantáveis, terapia de ressincronização cardíaca com desfibrilhador ou terapia de ressincronização cardíaca  com pacing são recomendadas como opções de tratamento para doentes com insuficiência cardíaca com fracção de ejecção reduzida FEVE ≤ 35%; doentes com CDI de prevenção primária devem ter uma única zona de tratamento programado com uma frequência de detecção nos 200bpm.

Notas: O documento trata-se de uma norma de orientação clínica elaborada pela Scottish Intercollegiate Guidelines Network (SIGN), uma organização cooperativa de médicos, outros profissionais de saúde e associações de utentes da Escócia. A norma teve como base uma revisão sistemática da evidência nas bases de dados Medline, Embase, e Cochrane Library, de publicações entre 2010 e 2015.

Elaborado por: Francisco Sousa Lopes


Será que falar com bebés se correlaciona com aptidões cognitivas e linguísticas em idade escolar?

Gilkerson, Jill, et al. “Language Experience in the Second Year of Life and Language Outcomes in Late Childhood.” Pediatrics, Sept. 2018, p. e20174276. Crossref, doi:10.1542/peds.2017-4276 ligação aqui

O que fizeram?
Numa primeira fase do estudo, os autores completaram gravações áudio mensais ao longo de 6 meses em casa de 146 crianças com idades compreendidas entre os 2 e os 36 meses. Utilizaram posteriormente um programa informático de análise de linguagem que processou automaticamente as gravações e permitiu estimar através de algoritmos a contagem de palavras do adulto (que representa a exposição à linguagem do adulto), as vocalizações da criança e as conversas entre o adulto e a criança ao longo do dia (manifestações vocais com respostas que ocorrem dentro de 5 segundos).
Numa segunda fase do estudo, as mesmas famílias voltaram a ser contactadas quando as crianças atingiram a idade escolar (9-14 anos). O follow-up consistiu na aplicação de testes de linguagem – Peabody Picture Vocabulary Test (PPVT), Expressive Vocabulary Test (EVT), Verbal Comprehension Index (VCI) –  e na aplicação de testes cognitivos para medição do QI – Wechsler Intelligence Scale for Children Fifth Edition. Os autores analisaram posteriormente os resultados correlacionando as medidas obtidas na primeira fase com as da segunda fase. Os resultados foram controlados para a idade da criança e para o nível educacional da mãe que serviu como marcador de estatuto socioeconómico.

O que concluem?
Os dados deste artigo sugerem que falar e interagir precocemente, particularmente durante a janela de desenvolvimento relativamente estreita dos 18 aos 24 meses de idade, pode ser usado para prever as capacidades linguísticas e cognitivas em idade escolar. Os autores reforçam a necessidade de programas eficazes de intervenção precoce que apoiem os pais na criação do ambiente ideal de aprendizagem precoce da língua em casa.

Notas: As conversas entre o adulto e a criança entre os 18 e 24 meses de idade correlacionaram-se com os testes realizados 10 anos depois controlando os resultados para o nível socioeconómico (teste de QI (r = 0.37, p = 0.01), testes de linguagem: VCI (r = 0.52, p <0.001), PPVT (r = 0.37, p = 0.01) e EVT (r = 0.38, p= 0.01).
Podemos verificar que as correlações entre a fase I e a fase II do estudo têm uma força fraca a moderada. Apenas foram utilizados dados objetivos a partir de instrumentos de medida de QI e de vocabulário mas não foi estudado o impacto no desempenho escolar das crianças. Por fim, o artigo foi financiado pela fundação que detém o programa informático utilizado na primeira fase do estudo e os autores são empregados da mesma fundação.

Elaborado por: Inês Laplanche Coelho


Será frequente a alteração do tratamento anti-hipertensivo no momento da alta hospitalar?

Anderson, Timothy S., et al. «Intensification of Older Adults’ Outpatient Blood Pressure Treatment at Hospital Discharge: National Restrospective Cohort Study». BMJ, Setembro de 2018, p. k3503. Crossref, doi:10.1136/bmj.k3503 ligação aqui

O que fizeram?
Coorte retrospectivo. Foram incluídos adultos com idade igual ou superior a 65 anos, hipertensos, admitidos no hospital por patologia não cardíaca, durante 2 anos (2011-2013). O fenómeno estudado consistiu na intensificação do tratamento anti-hipertensivo (definida como prescrição de maior dose ou de um novo fármaco anti-hipertensivo) ao momento da alta hospitalar, em comparação com prescrição crónica habitual.

O que concluem?
1 em cada 7 adultos hipertensos com idade igual ou superior a 65 anos, admitidos no hospital por patologia não cardíaca, tiveram alta com intensificação do tratamento anti-hipertensivo. Mais de metade dos casos ocorreram em adultos com hipertensão previamente bem controlada. É necessário ter em atenção os potenciais prejuízos do sobretratamento da hipertensão ao momento da alta hospitalar e ter em conta o regresso do doente a casa/quotidiano.

Notas: Incluíram doentes que tivessem diagnóstico de pneumonia, infecção do tracto urinário ou tromboembolismo venoso. Foram incluídos 14.915 doentes (14.437 do sexo masculino, 96,8%, 11.486 de raça caucasiana, 77%, idade mediana 76, IQ 69-84), sendo que em 65% (9.636) a hipertensão estava controlada antes da admissão hospitalar. No total, 14% (2.074) dos doentes tiveram alta com intensificação do tratamento hipertensivo, sendo que em mais de 50% (1.082) destes, a hipertensão estava controlada antes da admissão hospitalar. Após ajuste de potenciais factores de confundimento, a tensão arterial elevada foi fortemente associada a intensificação do tratamento anti-hipertensivo ao momento da alta hospitalar. Em doentes com hipertensão previamente controlada, 8% (7%-9%, IC 95%) dos doentes sem tensão arterial elevada, 24% (21%-26%) dos doentes com tensão arterial moderadamente elevada e 40% (34%-46%) dos doentes com tensão arterial gravemente elevada, tiveram alta hospitalar com intensificação do tratamento anti-hipertensivo. Não houve diferenças entre doentes menos prováveis (esperança de vida limitada, demência, metástases) e mais prováveis (história de enfarte miocárdico ou doença cerebrovascular ou renal) de beneficiar da intensificação do tratamento anti-hipertensivo.

Elaborado por: Gisela Costa Neves



Intervenção comportamental para alterar o índice de massa corporal em crianças com risco de obesidade.

Barkin, Shari L., et al. «Effect of a Behavioral Intervention for Underserved Preschool-Age Children on Change in Body Mass Index: A Randomized Clinical Trial». JAMA, vol. 320, n. 5, Agosto de 2018, pp. 450–60. jamanetwork.com, doi:10.1001/jama.2018.9128. ligação aqui

O que fizeram?
Ensaio clínico aleatorizado realizado durante 36 meses com o intuito de testar o efeito de uma intervenção comportamental no índice de massa em crianças em idade pré-escolar. Foram elegíveis: crianças com idades compreendidas entre os 3 e 5 anos e com risco de obesidade.

O que concluem?
A intervenção comportamental realizada em crianças em idade pré-escolar não alterou a trajetória do IMC das mesmas quando comparadas com o grupo controlo. A média do IMC em ambos os grupos intervenção e controle foi de 17,8 (P = 0.39). Os autores mencionam a necessidade de realização de novos estudos noutras comunidades, eventualmente com outros tipos de intervenção comportamental para melhor avaliação do impacto das mesmas na prevenção da obesidade.

Notas: Este ensaio incluíu 610 pares (progenitores-filhos) de comunidades desfavorecidas em Nashville (EUA). A intervenção foi baseada na teoria cognitiva social e modelo sócio-ecológico, recorrendo a técnicas de mudança de comportamento, incluindo definição de metas, automonitorização e resolução de problemas no contexto familiar e comunitário. A intervenção (n = 304 pares) consistiu num programa realizado na comunidade, consistindo em 12 sessões semanais de capacitação, seguidas por telefonemas mensais de aconselhamento durante 9 meses e uma fase de sustentabilidade de 24 meses em que foram fornecidas pistas para a ação.

Elaborado por: Mónica Fonseca

Notas de Evidentia #5 – Agosto 2018 – parte II

Qual o benefício da aspirina na prevenção primária em diabéticos sem doença cardiovascular (eventos vasculares vs eventos hemorrágicos)?

The ASCEND Study Collaborative Group. «Effects of Aspirin for Primary Prevention in Persons with Diabetes Mellitus». New England Journal of Medicine, Agosto de 2018. Crossref, doi:10.1056/NEJMoa1804988. ligação aqui

O que fizeram?
Aleatorizaram 15.480 doentes diabéticos (pessoas com mínimo 40 anos de idade e com diabetes de qualquer tipo) sem evidência de doença cardiovascular e sem clara indicação para toma de aspirina ou contraindicação. Um braço do estudo recebeu Aspirina 100mg/dia e o outro recebeu placebo equivalente, com um follow-up de 7,4 anos.
O outcome primário de eficácia foi um primeiro evento vascular grave (EAM, EAM transitório, morte por causa vascular excluindo hemorragia intracraniana confirmada), o outcome primário de segurança foi o primeiro evento hemorrágico major (hemorragia intracraniana, hemorragia ocular com ameaça de comprometimento da visão, hemorragia gastrointestinal ou outra hemorragia grave). Foi definido ainda um outcome secundário de neoplasia gastrointestinal, por meta-análises retrospectivas sugerirem que o uso de aspirina estaria associado a redução da sua incidência.

O que concluem?
O uso de Aspirina preveniu eventos vasculares graves em diabéticos sem evidência de doença cardiovascular no início do estudo, mas também causou eventos hemorrágicos major. Os benefícios absolutos foram largamente contrabalançados pelo risco hemorrágico.

Notas: Eventos vasculares graves em 658 participantes no grupo com aspirina (8.5%) vs 743 no grupo placebo (9.6%) rate ratio 0.88; 95% IC, 0.79 – 0.97, P=0,01
Eventos hemorrágicos major em 314 participantes no grupo com aspirina (4.1%) vs 245 (3.2%) no placebo (rate ratio 1.29; 95% IC, 1.09 – 1.52, P=0,003), principalmente hemorragias gastrointestinais. Sem diferença significativa entre o grupo com aspirina ou com placebo na incidência de neoplasias gastrointestinais e neoplasias no global, mas admitem que é necessário um follow-up maior.

Elaborado por: Ana Gomes Machado


Correlação entre registos com linguagem estigmatizante e opções terapêuticas?

Goddu, Anna, et al. «Do Words Matter? Stigmatizing Language and the Transmission of Bias in the Medical Record». Journal of General Internal Medicine, vol. 33, n. 5, Maio de 2018, pp. 685–91. Springer Link, doi:10.1007/s11606-017-4289-2 ligação aqui

O que fizeram?
Estudo experimental randomizado em que 413 médicos em formação num centro académico urbano americano (estudantes de medicina e internos de medicina interna e medicina de emergência) foram randomizados para ler duas vinhetas com informação clínica idêntica sobre um doente hipotético com anemia falciforme: uma das vinhetas continha linguagem estigmatizante e a outra linguagem neutra. As medidas principais foram as atitudes médicas relativamente ao doente hipotético utilizando uma escala validada, a Positive Attitudes towards Sickle Cell Patients Scale (intervalo de resposta 7 a 35 sendo que quanto mais alto o score mais positiva a atitude), e as decisões clínicas relacionadas com a gestão da dor (apenas para os internos) utilizando perguntas de escolha múltipla (intervalo de resposta 2 a 7 representando a intensidade do tratamento de controlo álgico).

O que concluem?
A exposição a registos clínicos com linguagem estigmatizante foi associada a atitudes mais negativas do médico em relação ao doente assim como a um manejo menos agressivo da dor.

Notas: A pontuação obtida na escala Positive Attitudes towards Sickle Cell Patients Scale no grupo que leu a nota clínica com linguagem estigmatizante foi inferior ao outro grupo  (20,6 grupo linguagem estigmatizante vs. 25,6 grupo linguagem neutra, p <0,001). Além disso, a leitura da nota clínica com linguagem estigmatizante foi associada a uma pontuação inferior na pergunta relacionada com a agressividade do tratamento para gestão da dor (5,66 estigmatizante vs. 6,22 neutro, p = 0,003).
De notar que os resultados poderiam ter sido mais informativos se tivessem sido apresentados os intervalos de confiança das diferenças entre os grupos.

Elaborado por: Inês Laplanche Coelho


Será que a introdução precoce de alimentos sólidos influencia o sono do bebé?

Perkin, Michael R., et al. «Association of Early Introduction of Solids With Infant Sleep: A Secondary Analysis of a Randomized Clinical Trial». JAMA Pediatrics, vol.172, n.8, Agosto de 2018, p. e180739. Pubmed, doi:10.1001/jamapediatrics.2018.0739 ligação aqui

O que fizeram?
Estudo controlado e aleatorizado que incluiu 1303 lactentes com 3 meses de idade em regime de amamentação exclusiva. O estudo comparou um grupo de intervenção, com introdução precoce de alimentos sólidos, mantendo aleitamento materno, com o grupo controlo onde os lactentes se mantiveram em aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses. O objetivo foi avaliar a qualidade do sono entre os grupos, nomeadamente horas de sono, despertares noturnos e relatos de distúrbios do sono, através do questionário padronizado de sono infantil.

O que concluem?
A introdução precoce de sólidos na dieta dos lactentes foi associada a períodos de sono mais longos, despertares nocturnos menos frequentes e redução na quantidade de relatos de distúrbios do sono muito graves.

Notas: 95% dos lactentes incluídos no estudo completou o questionário final aos 3 anos. Os lactentes foram aleatorizados de forma simples e não se verificaram diferenças significativas entre os grupos. Os lactentes do grupo que iniciou introdução precoce de sólidos (EIG) dormiram mais horas e acordaram com menos frequência do que os do grupo controlo, atingindo o pico aos 6 meses de idade. Na análise por intenção de tratar o grupo EIG dormiu mais 16.6 minutos (CI 7.8 a 25.4) por noite, e a frequência de despertar noturno diminuiu de 2.01 para 1.74 por noite.
Relativamente aos problemas de sono muito graves foram relatados mais frequentemente no grupo controlo (SIG) (OR 1.8, CI 1.22 a 2.61)

Elaborado por: Clara Jasmins


Estará a exposição ambiental a metais tóxicos (arsénico, chumbo, cádmio, mercúrio e cobre) associada a um maior risco de doença cardiovascular?

Chowdhury, Rajiv, et al. «Environmental Toxic Metal Contaminants and Risk of Cardiovascular Disease: Systematic Review and Meta-Analysis». BMJ, vol. 362, Agosto de 2018, p. k3310. http://www.bmj.com, doi:10.1136/bmj.k3310 ligação aqui

O que fizeram?
Revisão sistemática e meta-análise (modelo de efeitos aleatórios). Os autores procuraram perceber se a exposição ambiental de indivíduos saudáveis a metais tóxicos (arsénico, chumbo, cádmio, mercúrio e cobre) se associa a um maior risco de desenvolvimento de patologia cardiovascular. As variáveis avaliadas foram: doença cardiovascular total, doença coronária e AVC.

O que concluem?
A exposição ambiental a metais como o arsénico, chumbo, cádmio e cobre está associada a maior risco de doença cardiovascular, doença coronária e AVC. A exposição a mercúrio não foi associada a maior risco cardiovascular.

Notas: Os autores procuraram em 3 bases de dados por coortes prospectivos e casos-controlo que investigassem a associação de arsénico, chumbo, cádmio, mercúrio e cobre com doença cardiovascular. Esta revisão foi conduzida segundo as guidelines PRISMA e MOOSE. Foram incluídos estudos de estimativas de risco para doença cardiovascular total, doença coronária ou AVC para níveis de arsénico, chumbo, cádmio, mercúrio ou cobre. A qualidade dos estudos foi avaliada segundo a escala de Newcastle-Ottawa.
Foram incluídos 37 estudos (população de 348.259 participantes não sobreponíveis; 13.033 registos de doença coronária, 4.205 AVC e 15.274 doença cardiovascular total). Os riscos relativos encontrados foram os seguintes (IC 95%):
– arsénico: RR 1.30 (1.04-1.63) doença cardiovascular, 1.23 (1.04-1.45) doença coronária I2 78%, 1.15 (0.92-1.43) AVC I2 56%
– chumbo: RR 1.43 (1.16-1.76) doença cardiovascular I2 68%, 1.85 (1.27-2.69) doença coronária I2 66%, 1.63 (1.14-2.34) AVC I2 0%
– cádmio: RR 1.33 (1.09-1.66) doença cardiovascular, 1.29 (0.98-1.71) doença coronária I2 52%, 1.72 (1.29-2.28) AVC I2 10%
– cobre: RR 1.81 (1.05-3.11) doença cardiovascular, 2.22 (1.31-3.74) doença coronária I2 67%, 1.29 (0.77-2.17) AVC
– mercúrio: RR 0.94 (0.66-1.36) doença cardiovascular I2 84%, 0.99 (0.65-1.49) doença coronária I2 85%
Limitações: heterogeneidade metodológica dos estudos incluídos; revisão baseada apenas em dados observacionais com possíveis factores de confundimento não avaliados. Os autores sugerem futuros estudos: ensaios clínicos controlados e aleatorizados; comparando exposição ambiental vs exposição ocupacional); que incluam padronização de factores de confundimento (ex. tabagismo); menor heterogeneidade populacional.

Elaborado por: Gisela Costa Neves


Devemos rastrear Fibrilhação Auricular (FA) não valvular em adultos assintomáticos com idade igual ou superior a 65 anos com electrocardiograma (ECG)?

Jonas, Daniel E., et al. «Screening for Atrial Fibrillation With Electrocardiography: Evidence Report and Systematic Review for the US Preventive Services Task Force». JAMA, vol. 320, n. 5, Agosto de 2018, p. 485. Crossref, doi:10.1001/jama.2018.4190. ligação aqui

O que fizeram?
Revisão sistemática (e meta-análise quando adequada: 3 ou mais estudos similares, após avaliação da heterogeneidade metodológica). Os autores comparam os efeitos da detecção de FA não valvular em indivíduos assintomáticos por rastreio com ECG vs. detecção por palpação do pulso após desenvolvimento dos sintomas. Comparam também tratamento da FA não valvular vs. placebo ou nenhum tratamento. As variáveis avaliadas foram: detecção de FA não valvular não previamente diagnosticada; mortalidade; AVC; morbilidade relacionada com AVC; efeitos prejudiciais do rastreio com ECG; efeitos prejudiciais do tratamento

O que concluem?
O rastreio com ECG não demonstrou detectar maior número de casos de FA não valvular previamente não diagnosticada do que a palpação do pulso radial. O tratamento da FA reduz o risco de AVC e a mortalidade por todas as causas, mas aumenta o risco de hemorragia. O tratamento da FA detectada por ECG em indivíduos idosos assintomáticos não demonstrou melhores resultados para a saúde quando comparado com o tratamento da FA detectada por palpação do pulso radial após início de sintomas.

Notas: Os autores procuraram em 3 bases de dados, incluindo literatura não publicada, por ensaios clínicos aleatorizados, coortes prospectivos que avaliassem taxas de detecção de FA ou efeitos prejudiciais do rastreio com ECG, e revisões sistemáticas comparando varfarina, aspirina, NOACs, placebo ou nenhum tratamento para prevenção de AVC. A qualidade dos estudos foi avaliada segundo os critérios da USPSTF. Apenas estudos de qualidade classificada boa ou moderada foram incluídos. Foram excluídos artigos cujos doentes tivessem história de patologia cardiovascular. Foram seleccionados17 estudos (135.300 doentes). Não foi encontrado nenhum estudo que comparasse rastreio com ECG com ausência de rastreio, avaliando efeitos prejudiciais ou benéficos para a saúde. 2 ensaios clínicos referem que o rastreio sistemático com ECG detectou novos casos de FA (aumento absoluto, de 0.6% [95% CI, 0.1%-0.9%] a 2.8% [95% CI, 0.9%-4.7%] em 12 meses, 15.803 doentes). Contudo, 2 ensaios clínicos não verificaram o mesmo (17.803 doentes).
A varfarina foi associada a redução do risco de AVC isquémico (RR 0.32 [95% CI, 0.20-0.51]) e da mortalidade por todas as causas (RR 0.68 [95% CI, 0.50-0.93]) e aumento do risco de hemorragia. Uma meta-análise associa os NOACs a risco significativamente menor de AVC ou tromboembolia sistémica (odds ratios ajustados comparados com placebo ou controlos variam de 0.32 a 0.44) e maior risco de hemorragia (odds ratios ajustados variando de 1.4 e 2.2; IC alargados; diferenças entre grupos não significativas). Limitações: Não foi incluída a evidência relativa à acurácia diagnóstica de FA do ECG em contexto de CSP – sensibilidade estimada de 92,7% (85,9%-96.8%; IC 95%) e especificidade 97,4% (95.0%-98.9%; IC 95%). Não foram incluídos estudos que comparassem diferentes opções terapêuticas entre si (apenas uma determinada opção terapêutica vs. placebo ou nenhum tratamento).

Elaborado por: Gisela Costa Neves


Será que o aumento de peso consequente da cessação tabágica atenua os benefícios para a saúde decorrentes da mesma?

Hu Y. et al., «Smoking Cessation, Weight Change, Type 2 Diabetes, and Mortality.» New England Journal of Medicine, Agosto de 2018, 379(7): 623–632. DOI: 10.1056/NEJMoa1803626 ligação aqui

O que fizeram?
A partir de três estudos de coorte realizados a homens e mulheres nos Estados Unidos, identificaram os ex-fumadores e analisaram as alterações do peso corporal conforme os seus hábitos tabágicos. Perante estes dados estimaram o risco de Diabetes tipo 2, morte por doença cardiovascular e morte por qualquer causa.

O que concluem?
A cessação tabágica seguida de um aumento substancial de peso foi associada a um aumento de risco a curto prazo de Diabetes tipo 2. Contudo, mantém benefício relativamente à redução de morte por causa cardiovascular e por todas as causas.

Notas: O risco de Diabetes tipo 2 foi maior entre os ex-fumadores recentes (2 a 6 anos após cessação) do que entre os fumadores ativos (HR 1.22, CI 1.12 a 1.32), com um pico entre 5 a 7 anos após a cessação tabágica e de seguida uma tendência para diminuição gradual. O risco foi diretamente proporcional ao aumento de peso. Nos dados relativos a morte por causa cardiovascular, os ex-fumadores não apresentaram um aumento de mortalidade quando comparados com fumadores ativos, inclusive no grupo de ex-fumadores com aumento de mais de 10kg de peso (HR 0.5, CI 0.46 a 0.55). As associações foram semelhantes quando avaliada a morte por todas as causas.

Elaborado por: Clara Jasmins


Qual a eficácia dos tratamentos farmacológicos no hirsutismo?

Barrionuevo P. et al., «Treatment Options for Hirsutism: A Systematic Review and Network Meta-Analysis.» The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Abril de 2018, 103(4): 1258–1264.  doi: 10.1210/jc.2017-02052. ligação aqui

O que fizeram?
Revisão sistemática baseada em ensaios controlados e aleatorizados (RCTs), com pelo menos 6 meses de follow-up onde avaliaram fármacos anti-androgénicos, sensibilizadores de insulina e contracetivos orais estro-progestativos em mulheres com hirsutismo. De seguida fizeram uma meta-análise em rede para avaliar os fármacos individualmente e por classes.

O que concluem?
Os contracetivos orais estro-progestativos, anti-androgénicos e sensibilizadores de insulina são superiores ao placebo no tratamento do hirsutismo.

Notas: Os contracetivos orais estro-progestativos (OCPs), anti-androgénicos e sensibilizadores de insulina foram superiores ao placebo (Diferença de médias (SMD) -0.94, CI -1.49 a -0.38), (SMD -1.29, CI -1.80 a -0.79) e (SMD -0.62, CI -1.00 a -0.23), respetivamente. O risco de viés dos estudos incluídos foi alto por ausência de ocultação da aleatorização (86%) e por avaliadores de resultados não cegos (69%), além de potenciais conflitos de interesse (apenas 34% dos estudos foram exclusivamente apoiados por agências sem fins lucrativos). No geral, evidência de moderada qualidade demostra a superioridade de qualquer dos fármacos estudados vs. placebo. Contudo, a qualidade da evidência que suporta a comparação fármaco a fármaco é baixa.

Elaborado por: Clara Jasmins


O início de terapêutica com análogos de insulina basal em comparação com a insulina NPH em doentes com diabetes tipo 2 associa-se a menos recurso ao serviço de urgência (SU) devido a hipoglicemia ou internamentos hospitalares?

Lipska KJ, Parker MM, Moffet HH, Huang ES, Karter AJ. Association of Initiation of Basal Insulin Analogs vs Neutral Protamine Hagedorn Insulin With Hypoglycemia-Related Emergency Department Visits or Hospital Admissions and With Glycemic Control in Patients With Type 2 Diabetes. JAMA. 2018;320(1):53–62. doi:10.1001/jama.2018.7993

ligação aqui

O que fizeram?
Um estudo observacional retrospectivo analisou dados de 25489 doentes com diabetes tipo 2 que iniciaram um análogo de insulina de ação prolongada ou insulina NPH, entre 2006 e 2015. O outcome primário foi o tempo para uma ida ao SU devida a hipoglicemia ou internamento e o outcome secundário foi a alteração no nível de hemoglobina A1c 1 ano após o início da insulina.

O que concluem?
Nos doentes com diabetes tipo 2, o uso de análogos de insulina basal em comparação com a insulina NPH não foi associado a um risco reduzido de visitas ao SU devidas a hipoglicemia ou internamentos hospitalares ou com melhor controlo glicémico.

Notas: Durante um seguimento médio de 1,7 anos, houve 39 visitas ao SU por hipoglicemia ou internamentos em 1928 doentes que iniciaram análogos de insulina (11,9 eventos [IC 95%, 8,1 a 15,6] por 1000 pessoas-ano) em comparação com 354 em 23561 doentes que iniciaram a insulina NPH (8,8 eventos [95% CI, 7,9 a 9,8] por 1000 pessoas-ano) (diferença entre grupos, 3,1 eventos [95% IC, −1,5 a 7,7 ] por 1000 pessoas-ano, P = 0,07).

Entre 4428 doentes com score de propensão compatível, o início dos análogos basais de insulina em comparação com a insulina NPH não foi associado a uma diferença significativa nas visitas ao SU por hipoglicemia ou internamentos: hazard ratio ajustado de 1,16 (IC 95%, 0,71 a 1,78).

Elaborado por: Ana Rita de Jesus Maria


Existe diferença na incidência de cancro colo-retal (CCR) entre indivíduos com adenomas comparativamente aos que não têm adenomas?

Click B, Pinsky PF, Hickey T, Doroudi M, Schoen RE. Association of Colonoscopy Adenoma Findings With Long-term Colorectal Cancer Incidence. JAMA. 2018;319(19):2021–2031. doi:10.1001/jama.2018.5809 ligação aqui

O que fizeram?
Um estudo de coorte prospectivo multicêntrico incluiu 15 935 participantes submetidos a colonoscopia, na sequência de alterações encontradas no rastreio com sigmoidoscopia flexível nestes indivíduos. Os autores pretenderam comparar a incidência de CCR a longo prazo em 3 grupos (indivíduos sem adenomas, com adenomas avançados e com adenomas não avançados). A mortalidade por CCR foi avaliada como outcome secundário. 

O que concluem?
Em comparação com os indivíduos sem adenoma, a diferença na incidência de CCR foi estatisticamente significativa para os indivíduos com adenoma avançado, mas não para aqueles com adenoma não avançado. Para um acompanhamento mediano de 13 anos, a incidência de CCR por 10000 pessoas-ano foi de 20,0 para o adenoma avançado inicial, 9,1 para adenoma não avançado e 7,5 para nenhum adenoma.

Notas: na colonoscopia inicial, 2882 participantes (18,1%) tinham um adenoma avançado, 5068 participantes (31,8%) tinham um adenoma não-avançado e 7985 participantes (50,1%) não tinham adenoma. Os participantes com adenoma avançado foram significativamente mais propensos a desenvolver CCR em comparação com os participantes sem adenoma (RR 2,7 [95% CI, 1,9-3,7], P <0,001). Não houve diferença significativa no risco de CCR entre os participantes com adenoma não avançado em comparação com nenhum adenoma (RR, 1,2 [IC 95%, 0,8-1,7], P = 0,30). Em comparação com os participantes sem adenoma, aqueles com adenoma avançado apresentaram risco significativamente aumentado de morte por CCR (RR, 2,6 [95% CI, 1,2-5,7], P = 0,01), mas o risco de mortalidade em participantes com adenoma não avançado não foi significativamente diferente (RR, 1,2 [IC 95%, 0,5-2,7], P = 0,68).

Elaborado por: Ana Rita de Jesus Maria

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