Declaração de Copenhaga para Actividade Física e Envelhecimento – Notas de Evidentia #222019

Por Sofia Gonçalves Ribeiro

PERGUNTA CLÍNICA

Qual o efeito da actividade física nos idosos, no que diz respeito à capacidade funcional e cognitiva, saúde mental, alteração de comportamentos e inclusão social?

A RETER

Consenso de peritos elaborado por 26 investigadores, de várias áreas, baseado em evidencia científica, sobre efeito da actividade física nos idosos. Este consenso reforça os vários benefícios da actividade física, contudo realça a necessidade de mais estudos sobre os tipos de exercícios e a duração/frequência da sua prática.

QUAL A RELEVÂNCIA DESSA PERGUNTA?

O aumento da prevalência da população idosa tem desencadeado várias preocupações, nomeadamente em encontrar práticas que promovam um envelhecimento activo e saudável.  A actividade física tem demonstrado múltiplos benefícios, sendo que este artigo pretende resumir o estado da arte sobre os efeitos da actividade física nos idosos.

QUEM FINANCIOU?

Os autores não declararam nenhum financiamento.

QUE TIPO DE PERGUNTA FAZ ESTE ESTUDO?

Consenso de peritos.

CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS

De 19-22/novembro/2018, 26 investigadores representando nove países e várias áreas académicas reuniram-se na Dinamarca, com o objectivo de elaborar um consenso baseado em evidência cientifica sobre actividade física e idosos. As declarações apresentadas são baseadas em associações longitudinais obtidas de estudos observacionais e estudos controlados e aleatorizados, bem como em estudos sociais quantitativos e qualitativos em idosos saudáveis da comunidade, abarcando diferentes metodologias e matérias (epidemiologia, medicina, fisiologia, neurociência, psicologia, sociologia). Os autores não apresentam as referências bibliográficas, pelo que não temos acesso aos estudos em que se basearam para chegarem às suas conclusões. Contudo, referem ter tido em conta os pontos fortes e limitações de cada metodologia dos estudos analisados. Não é indicado o nível de evidência ou força de recomendação.

QUAIS SÃO OS RESULTADOS (DECLARAÇÕES)?

Os autores dividiram as suas declarações em 4 temas: 1. Capacidade funcional e saúde; 2. Função cognitiva e saúde mental; 3. Modificação de comportamentos, motivação e hábitos; 4. Perspectiva social.

Declarações mais relevantes:

  • Idosos fisicamente activos, em comparação com idosos inactivos, mostram benefícios em termos de função física e cognitiva, mobilidade, dor músculo-esquelética, risco de quedas, fracturas, depressão, qualidade de vida e compreensão da incapacidade.
  • A inactividade física em idosos está associada a uma maior probabilidade de doença e aumento do risco de mortalidade prematura por todas as causas. As condições e doenças incluem disfunção metabólica, doenças cardiovasculares, alguns tipos de neoplasias e sarcopénia.
  • Os benefícios da actividade física (por exemplo, melhor função física e mortalidade prematura reduzida) podem ocorrem mesmo quando realizada em menor volume e intensidade do que as guidelines frequentemente recomendam (150 min de actividade física de intensidade moderada a vigorosa por semana).
  • São necessários mais estudos para determinar que tipo de exercício, (por exemplo, resistência, equilíbrio, flexibilidade, exercício aeróbico ou uma combinação de modalidades) e qual é a duração e intensidade do exercício necessário para optimizar os seus benefícios.
  • Estudos observacionais proporcionam evidência consistente de que o declínio cognitivo associado ao envelhecimento (também observado, por exemplo, na doença de Alzheimer e na doença de Parkinson) pode ser atrasado nos idosos activos.
  • Estudos controlados e aleatorizados que habitualmente incluem 3 horas de actividade física por semana em períodos que variam entre alguns meses a 1 ano, mostram uma melhoria na estrutura e função do cérebro e da capacidade cognitiva, perceptual e motora.
  • Auto-eficácia, motivação, depressão e saúde auto-referida estão associados a actividade física nos idosos.
  • A prática de exercício é influenciado por factores interpessoais, ambientais e políticos.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Bangsbo, Jens, et al. «CopenhagenConsensusStatement 2019: PhysicalActivityandAgeing». BritishJournalof Sports Medicine, Fevereiro de 2019, p. bjsports-2018-100451. DOI.org (Crossref), doi:10.1136/bjsports-2018-100451.

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Ovário Poliquístico: recomendações para avaliação e gestão clínica – notas de evidentia #202019

Por Mónica Fonseca

Pergunta Clínica

Qual a avaliação e tratamento recomendados no Síndrome do Ovário Poliquístico (SOP), com base na melhor evidência disponível e experiência clínica?

A Reter

Orientação clínica com colaboração internacional, baseada na evidência disponível, incluindo 166 recomendações e aspectos a ter em conta na nossa prática clínica. São abordadas e priorizadas questões relevantes para a promoção de cuidados de saúde mais consistentes e rigorosos com o objetivo de garantir a prestação de cuidados mais individualizados e satisfatórios para as utentes. As principais recomendações estão descritas na secção “Quais são os resultados?”.

Qual a relevância dessa pergunta?

SOP é a endocrinopatia mais frequente em mulheres em idade fértil. As orientações anteriores apresentam limitações e inconsistências que colocam em causa o melhor seguimento e satisfação destas utentes.

Quem financiou?

Australian National Health and Medical Research Council of Australia (NHMRC) European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE) e American Society for Reproductive Medicine (ASRM).

Que tipo de perguntas faz este estudo?

Orientação Clínica (guideline).

Quais são os Resultados (Recomendações e Força de recomendação)?

As orientações clínicas existentes até esta publicação evidenciam a ausência de metodologia rigorosa e robustez no que se refere à evidência. Por outro lado, carecem de uma perspectiva multidisciplinar desejável nesta patologia. O diagnóstico de SOP permanece controverso e a avaliação/plano de seguimento clínico desta patologia são inconsistentes e as necessidades. Com este orientação clínica, verifica-se que a evidência disponível corresponde a baixa-moderada qualidade. Nela constam 31 recomendações baseadas em evidência, 59 recomendações clínicas de consenso e 76 aspectos a ter em conta na prática clínica. As principais diferenças relativamente às orientações disponíveis, incluem: critérios diagnósticos individuais com foco na melhoria da precisão do diagnóstico; importância da redução de testes desnecessários; aumentar o foco na educação, na modificação do estilo de vida, no bem-estar emocional e na qualidade de vida; ênfase numa prática clínica baseada em evidência na gestão da infertilidade. Deixamos em tabela um resumo das principais recomendações:

Como posso aplicar os resultados aos meus doentes?

É possível reproduzir a intervenção estudada no meu contexto de trabalho, tendo sido considerados todos os resultados clinicamente importantes para o doente. Para as recomendações fortes, existe concordância entre o nível de prova científica e a força de recomendação atribuída. Para as recomendações fracas, de certa forma, a informação que é fornecida promove a tomada de decisão partilhada.

Referência Bibliográfica

Teede, Helena J., et al. «Recommendations from the International Evidence-Based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome†‡». Human Reproduction, vol. 33, n. 9, Setembro de 2018, pp.1602–18. DOI.org (Crossref), doi:10.1093/humrep/dey256

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Atendendo à existência de múltiplas recomendações, para mais detalhe, consideramos mais pertinente a consulta da Tabela III do artigo (disponível em https://www.fertstert.org/article/S0015-0282(18)30400-X/pdf pp.368-377), que se encontra organizada em: Rastreio, diagnóstico e avaliação de risco de comorbilidades ao longo do ciclo de vida; Prevalência, avaliação, diagnóstico e tratamento de patologia mental e impacto da doença na qualidade de vida; Eficácia das intervenções no estilo de vida e princípios a ter em conta no tratamento farmacológico da doença; Avaliação e tratamento da infertilidade.

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